Dificuldades, mudança de perfil, Ibope alto e joias: como Jéssica Senra, da Record, vence a Globo há dois anos

Publicado há 3 anos
Por Gabriel Vaquer
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Dois anos. 730 dias. 17 mil horas e 520 minutos. 62 milhões e 208 mil segundos. É muita. É muito tempo. Ficar em primeiro lugar de audiência no Brasil é uma tarefa difícil. Ficar esse tempo todo em primeiro, seguidamente, é mais difícil, pra não não dizer inédito.

É o que consegue Jéssica Senra, apresentadora do Bahia no Ar, telejornal matinal da RecordTV na Bahia. Em janeiro passado, a jornalista que está no comando do jornalístico desde 2011 atingiu seu auge, completando dois anos em primeiro lugar, vencendo a Globo entre janeiro de 2016 e janeiro de 2018.

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Os números são impressionantes. São 12 pontos de audiência na Grande Salvador, contra 8,5 pontos da TV Bahia/Globo no horário em questão nesse período. É uma liderança folgada de três pontos e meio.

Mais que isso, Jéssica conseguiu um feito enorme. Num levantamento feito pelo Observatório da Televisão, com os matinais das três principais redes do Brasil – Globo, Record e SBT -, Jéssica hoje é a que tem mais audiência, com os mesmos 12 pontos. É o matinal local mais visto do Brasil. Os mais próximos são o Bom Dia Rio, da Globo Rio (11 pontos) e o Bom Dia Cidade, da EPTV/Globo em Campinas, com 11 pontos.

Nem a própria Jéssica tem muita noção de que está fazendo história. “Olha, às vezes, é difícil até de acreditar”, afirmou a jornalista, numa extensa e madura entrevista para a nossa reportagem.

E vimos que, de fato, ela é um fenômeno. Durante o Carnaval, a jornalista apresentou no circuito Campo Grande a transmissão da emissora junto com Matheus Ramos. Foram incontáveis as vezes os recados de carinho do público, de crianças até a senhores de idade.

O sucesso, claro, fez Jéssica Senra ser cotada nas concorrentes. Ela já teve proposta firma da TV Aratu/SBT em 2016 e foi cotada como “sonho” na TV Bahia/Globo, que atualmente vive uma grande crise de audiência.

Na conversa longa, ela fala das dificuldades do início da carreira, da mudança de perfil que ajudou a implantar na RecordTV Itapoan – trocando o policial pelo serviço – que ajudou o canal como um todo, dos prêmios que venceu, da audiência gigante e do seu hobby, que ajuda a descansar.

Quando não está no ar, Jéssica gosta de produzir joias, algo que está se especializando com o tempo. “Sendo uma atividade manual, é meio terapêutica, ao contrário do que faço no jornalismo, que exige muita atividade mental. Minha cabeça está sempre cheia de ideias e pensamentos. Mas, quando sento na bancada do meu atelier, consigo esvaziar um pouco a mente”, diz ela.

Veja a entrevista na íntegra:

Observatório – Na nossa primeira entrevista, você me disse que sabia que era difícil, mas que queria ser líder de audiência. Hoje estamos aqui, você liderando há dois anos. Foi mais do que você esperava?

Jéssica Senra – Olha, às vezes é até difícil acreditar. Estar há dois anos seguidos liderando a audiência é, sim, um sonho. Não conheço nenhum programa fora da Globo hoje que seja líder de audiência absoluto há dois anos. Nós temos a maior audiência matinal da Record no Brasil inteiro! Nossa média anual de 2017 foi de mais de 12 pontos. A média. Mas diariamente atingimos picos de 16, 17 pontos ou até mais. Já chegamos a bater 20 pontos! Você imagina isso num jornal de manhã? Num horário em que o número de televisões ligadas é bem menor que ao meio-dia ou à noite? Realmente, é muito mais do que eu poderia imaginar. Claro que sempre trabalhei para fazer o melhor. Apesar do desejo de ser líder, nosso foco sempre foi fazer o melhor telejornal possível. Não queria ser apenas líder de audiência. Porque audiência você pode conquistar de inúmeras formas, inclusive sem ter qualidade. Queríamos fazer o melhor jornal que pudéssemos e, como consequência disso, atrair a audiência. E acho que fomos conquistando nosso público dessa forma, buscando cada dia fazer jornalismo com qualidade, com ética, cuidado técnico, prestação de serviço e com opinião, que é uma marca da Record. A estrutura que a emissora me dá para trabalhar permite que a gente a cada dia surpreenda o telespectador. Ele sabe que vai encontrar no Bahia no Ar a informação que precisa. Sabe que vai encontrar a notícia mais importante do dia. E a opinião contundente. Eu não fico em cima do muro. E, se algo estiver acontecendo naquele momento, nós iremos mostrar, porque temos uma grande agilidade com helicóptero, links móveis, equipes espalhadas pela cidade. Por isso, fidelizamos um público e seguimos atraindo novos telespectadores dia a dia, atingindo picos cada vez mais altos.

Jéssica Senra (Divulgação)

Observatório –  O horário ajuda? Porque você é a única com programação local no horário…

Jéssica Senra – Lógico que ajuda. A gente se interessa muito mais pelo que acontece mais perto de nós do que pelo que acontece mais longe. Mas não acho que isso seja o único fator. Vivemos um momento político e social muito importante, portanto diversos assuntos nacionais refletem em nossa vida e atraem atenção. E a gente concorre com jornais nacionais muito bem feitos, de extrema qualidade, com grandes equipes e estrutura maior que a nossa. Então, claro que é um desafio. Se não fosse, eu seria líder desde sempre e não só há dois anos. Se fosse fácil, todo jornal local ganharia da programação nacional e não é assim. Muito menos com os números que alcançamos, chegando a ter 10 pontos a mais que a soma de todas as emissoras. Você mesmo acompanha. No mês de janeiro, por exemplo, houve momentos em que estávamos com 18,5 pontos de audiência enquanto a segunda colocada registrava 4,1 pontos. A terceira tinha 3,5 e a quarta marcava 1,1. Metade dos televisores ligados pela manhã, na Bahia, está com a gente.

Observatório – Você na Record TV Itapoan imprimiu algo que era diferente na Casa. Numa época em que a programação local era essencialmente de polícia, sensacionalismo, sangue, você apostou em fazer um jornalismo popular diferenciado, sem gritos, sem apelação. Você se acha responsável pela mudança de linguagem que aconteceu aqui, já que depois de você mostrar que isso dava audiência outros programas foram seguindo a mesma linha – ou pelo menos se modificando um pouco?

Jéssica Senra – Ser responsável é muita coisa, né? (Risos) Mas acho que colaboramos bastante ao mostrar que dá para fazer jornalismo popular sem ser popularesco. Mostramos que era possível ter audiência sem tanta pirotecnia, focando na qualidade jornalística, com outra dinâmica. Não dá para a gente subestimar nosso público. Acho que nosso mérito foi esse, mostrar que dava pra sair da zona de conforto, falar a língua do povo com elegância. Penso que o Bahia no Ar conseguiu unir o melhor do jornalismo tradicional com o que o jornalismo popular tem de melhor – uma comunicação mais próxima, mais natural, com opiniões firmes e sem demagogia. Atendendo aos interesses da população. E fizemos isso com uma mulher na apresentação. Por muito tempo, esse foi um formato realizado apenas por homens. O Bahia no Ar se tornou líder de audiência tendo uma mulher como âncora, com opiniões fortes, com posicionamento sobre os mais diversos temas, com entrevistas provocadoras, mas sem que eu precisasse assumir uma postura masculinizada. Eu consegui construir um projeto com a minha cara, fazendo o que eu sonhava, jornalismo com opinião, provocando reflexões e, quem sabe, mudanças. Isso, por si só, já é motivo de orgulho pra mim. E, se de alguma maneira acabei contribuindo para que outros jornais quisessem seguir a mesma linha, fico feliz. É muito bom saber que de alguma forma influenciamos uma mudança em todo o jornalismo da emissora, que melhoramos a qualidade do nosso jornalismo, elevamos o nível de nossa programação. Não há mais espaço para aquele jornalismo sanguinário. Nossa sociedade está se modificando bastante. E a televisão é um reflexo da nossa sociedade. Precisamos entender essas mudanças para continuar prestando um bom serviço a quem nos assiste.

Observatório – Como assim?

Jéssica Senra – Da mesma forma que, quando entrei, percebi que podíamos fazer outro tipo de jornalismo popular, eu tenho pensado muitos nas mudanças que precisamos fazer hoje. E são mudanças urgentes. Sobretudo nos assuntos e na maneira de tratá-los, que precisam refletir a nossa sociedade. E, se a TV não mudar, vai mesmo ficar ultrapassada. Enquanto a TV ainda ajuda a propagar, de diversas maneiras, um padrão de beleza opressor, como o da magreza, na sociedade a gente discute cada vez mais essa imposição e os efeitos desse padrão na nossa autoestima, no nosso estilo de vida, na nossa saúde física e mental. Enquanto a TV ainda é uma grande estimuladora do consumismo, a sociedade clama por padrões de consumo consciente. A gente briga por respeito e igualdade de direitos entre homens e mulheres, mas a TV ainda reflete um padrão de objetificação da mulher. Não adianta ter discurso e fazer campanha contra a violência contra a mulher, por exemplo, se na prática a mulher ainda não é tratada com o respeito que merece pela TV e dentro da TV.

Observatório – Como seria isso na prática?

Jéssica Senra – Eu não tenho um modelo pronto, ainda vamos descobrir. Mas precisamos começar já. Quer um exemplo? Eu encontro certa resistência porque há um “agenda setting”, assuntos que estamos acostumados a trazer a depender da época do ano, sem raciocinar que esses tipos de pauta já não se encaixam no mundo em que vivemos hoje. Por exemplo, quando chega o verão, a TV quer falar das academias lotadas e do tal “projeto verão”, que estimula as pessoas a cuidarem do corpo para poder vestirem o biquíni e ir à praia. Ora, essa pauta é típica da pressão que existe para tenhamos o corpo de uma certa forma e apenas ajuda a propagar a ideia de que só quem tem o corpo magro e sarado pode desfilar de biquíni na praia. Enquanto isso, 90% da população que não se encaixa nesse perfil se sente deslocada, insatisfeita com o corpo, envergonhada, deprimida, etc. Vá para a internet e perceba que as discussões são outras. Sim, ainda há as blogueiras anoréxicas e celebridades esquálidas que colaboram para a propaganda opressora do padrão esquelético – e elas igualmente viraram vítimas dessa indústria da beleza e da dieta. Mas há trocentos grupos falando sobre a importância da aceitação do próprio corpo, da beleza da diversidade, dos riscos dessas dietas loucas que fazemos para nos encaixar num padrão que não é o nosso. Ou seja, precisamos refletir mais a sociedade e até ajudar a acelerar essas discussões, se quisermos continuar a ser “formadores de opinião”. E isso é apenas um exemplo.

Observatório – Você falou de programas que impõem padrão de beleza opressor. Eu queria que você desse exemplo de programa…

Jéssica Senra – Quase todos. É só ligar a TV e olhar quem são os apresentadores. Sobretudo as apresentadoras. Porque para o homem, que na nossa sociedade não é objetificado como a mulher, há uma tolerância maior quanto à aparência. Mas veja quem são as mulheres apresentadoras. Qual é o padrão nacional para as apresentadoras e repórteres? Quantas mulheres gordas você conhece que apresentam programas de entretenimento ou jornalísticos nacionais? Numa sociedade machista que enxerga a mulher como um objeto que está ali para ser apreciado e que vê a beleza apenas na magreza, a gente acaba vendo apenas mulheres de um certo biotipo físico, de um certo padrão, na nossa TV. Mesmo quando estamos falando de jornalismo, de mulheres jornalistas, que tem mais do que a beleza física para oferecer, precisam ter essa beleza desse padrão. Homens conseguem romper essa barreira. Os homens não precisam ser exatamente belos (dentro desse padrão, porque para mim a beleza é diversa), nem jovens, nem magros. Quer fazer um teste? Jogue aí no Google “apresentadoras brasileiras” e veja no link de imagens quais são as fotos que aparecem. Você vai ver o padrão qual é.

Observatório – A gente está numa cidade que vive algo peculiar. Talvez comparado com Goiânia, mas Goiânia já vem de algum tempo e é bem particular. Mas aqui a gente vê a Aratu um pouco menos, vocês um pouco mais, incomodando muito a Globo. Principalmente os jornais locais. Você é líder há dois anos. O Zé Eduardo, do Balanço Geral, vai muito bem e também é líder. O noturno BA Record chegou a empatar com a Globo na semana passada. Mas você é a líder há mais tempo, fidelizou seu público há mais tempo. O que você acha que está acontecendo?

Jéssica Senra – Muitas coisas. Não dá para explicar audiência com um fator só. Houve, como já dissemos, uma mudança grande na linha editorial para um jornalismo popular de outro nível, houve grandes investimentos em tecnologia, em qualidade de som e imagem, houve contratação de excelentes profissionais… Mas eu acho, sobretudo, que há uma questão de identidade. Quando a gente fala dessas mudanças sociais, que citei há pouco, tem algo bem forte com a questão do consumo. O nosso telespectador também é um consumidor, um consumidor de notícias, de televisão. O consumidor hoje já não quer apenas um produto. O consumidor mudou e quer saber o que está por trás daquele produto. Ele consome a partir da identidade com a marca, que precisa estar ligada a certas causas, a certos valores. Na moda, por exemplo, a gente não quer apenas a roupa bonita, mas nos importamos se usam mão de obra escrava ou se utilizam materiais sustentáveis, por exemplo. Produtos para o público feminino, como cosméticos e maquiagem, já levantam a bandeira do empoderamento da mulher. Até as cervejas, que sempre tiveram campanhas extremamente machistas, estão começando a mudar. E precisam mudar. O consumidor hoje busca identificação com os valores das marcas, como respeito, diversidade, feminismo, liberdade, amor aos animais… Então, traduzindo para a televisão, eu acho que há uma identidade forte do público com a Record, que desde sempre se propôs a ser uma televisão do povo. Então as pessoas se enxergam aqui. A Record está associada a uma televisão que fala a linguagem do povo, que defende os interesses do povo, ao mesmo tempo em que investe em tecnologia, em qualidade, traz o que tem de mais novo no mercado, etc. No caso específico do Bahia no Ar, há também essa identidade com as questões que trazemos, com uma presença feminina forte num momento em que se fala tanto do empoderamento da mulher… Sinto uma conexão muito forte com nosso público. Já a Globo, que você citou, acho que aqui a emissora ainda é vista como uma TV das elites, uma TV que defende interesses políticos e empresariais. Talvez eles precisem fazer uma aproximação maior com o povo.

Jéssica Senra (Divulgação)

Observatório – Eles mudaram o diretor lá na Rede Bahia. Você acha que eles vão vir com tudo esse ano?

Jéssica Senra – Olha, eu imagino que sim. Não acho que eles vão entregar os pontos, até porque a nossa praça é importante para o Painel Nacional de Televisão, que determina a audiência nacional das emissoras. A TV Bahia sempre foi a emissora número 1 daqui. Tem extremo zelo pela qualidade técnica, pelo conteúdo, tem excelentes profissionais. Sempre foi o sonho de qualquer profissional estar lá. E hoje a Record aparece como a emissora mais atraente para o público e para os profissionais do mercado. Então acho que a posição de hoje é incômoda para eles. Por isso, imagino que eles não vão medir esforços para recuperar essa posição. Eu vejo a Record numa crescente. O Bahia no Ar começou a liderar há alguns anos, o Balanço Geral Tarde já é líder há um ano, o BA Record esta semana começou a incomodar… Quer dizer, ainda há espaço para a Record crescer, não chegamos ao ápice ainda. E reverter essa onda vai levar tempo e vai exigir investimentos e mudanças. Se eles estiverem dispostos a isso, será uma briga muito boa e quem vai ganhar com isso é o telespectador.

Observatório – Eu queria que você falasse sobre o seu começo na Record. Você chegou para fazer reportagem, cobriu férias de apresentadores, acabou ganhando uma vaga para apresentar o Bahia no Ar de manhã, mas teve um período apresentando o programa ao meio-dia… Eu queria que você falasse um pouco dessa trajetória, principalmente do meio-dia, que foi uma coisa meio diferente.

Jéssica Senra – Eu acho que tudo o que a gente faz na vida conta como experiência e aprendizado. Meu período na reportagem, no hard news, foi muito importante para a minha formação. Para aprender sobre os mais diversos assuntos e sobre o jornalismo mesmo. Eu acho importante a gente conhecer todo o processo da notícia: a pauta, a produção, a reportagem, a edição… Eu não vou mais para a rua diariamente como repórter, mas observo tudo o tempo todo. O repórter nunca deixa de ser repórter. Está sempre olhando com olhos curiosos a realidade e percebendo micro reportagens em tudo o que vê. Então toda a minha experiência aqui, em outras emissoras e na vida mesmo, minhas viagens, minha bagagem cultural, minhas histórias, meus erros… tudo isso ajuda no trabalho que faço na apresentação e na construção da linha editorial do jornal.

Sobre o meio-dia, especificamente, que fizemos num período em que ainda havia um foco muito grande no jornalismo policial, pra mim foi bom em vários sentidos. Primeiro porque foi um tratamento de choque, foi quando percebi que realmente era preciso fazer as coisas de forma diferente. Mas acho que o melhor foi mostrar que, aonde me colocarem, darei o meu melhor. E eu consigo ser meio camaleônica. Me adapto aos diferentes formatos jornalísticos. Se me colocar para fazer jornal de bancada, eu faço. Comecei aqui cobrindo férias na apresentação do antigo Bahia Record, apresentei o Fala Brasil, fiz recentemente o BA Record… Se precisar que faça “tiro, porrada e bomba”, posso fazer também. Além do Bahia no Ar ao meio-dia, apresentei alguns dias de Cidade Alerta Bahia, apresentei até o antigo Se Liga Bocão, além do atual Balanço Geral Tarde, já mais light. Se me colocar para fazer jornal de pé, mais tranquilo, pela manhã, tô aqui! Fiz programa especial de carnaval, transmissão ao vivo da folia… Ou seja, me arrisco nos diversos formatos jornalísticos e no entretenimento. Isso me desafia com profissional. E eu aprendi a ser curinga.

Observatório – Você se vê no jornalismo até quando? Não vai abandonar para fazer joias…

Jéssica Senra – Acho que para sempre. Sou viciada em informação. Se não ficar no jornalismo, com certeza na comunicação estarei de alguma forma. Minha missão de vida tem a ver com a comunicação. Até quando faço minhas joias, estou me comunicando, quero dizer algo. A comunicação é parte de quem eu sou e estará sempre na minha vida, seja profissionalmente, seja como o hobby da joalheria.

Observatório – Por que joias?

Jéssica Senra – Acho que elas são uma forma de expressão para mim. Uma maneira de colocar para fora sentimentos e ideias que não consigo expressar em palavras. E, sendo uma atividade manual, é meio terapêutica, ao contrário do que faço no jornalismo, que exige muita atividade mental. Minha cabeça está sempre cheia de ideias e pensamentos. Mas, quando sento na bancada do meu atelier, consigo esvaziar um pouco a mente.

Observatório – Para terminar, quais são os seus planos para os próximos dois anos?

Jéssica Senra – Quero continuar fazendo televisão. Pretendo participar dessas mudanças que sonho para a TV, quero implementar projetos para que a TV esteja mais alinhada com nossa sociedade, participar da construção de um novo jornalismo. Mas penso também em fazer algo na internet. Vejo que o futuro da comunicação está lá. Até a TV, se quiser sobreviver, precisa estar conectada com a Rede. Então estou estudando ainda, lendo bastante sobre o assunto, tenho algumas coisas em mente, mas ainda em fase de projeto.

Observatório – E vai continuar na Record? Porque outras emissoras falam em seu nome, querem você.

Jéssica Senra – Fico lisonjeada em saber que meu nome é sempre lembrado, seja por outras emissoras, seja pela própria Record nacional sempre que há algum projeto em andamento. Tenho muito orgulho do que construímos aqui e ainda quero fazer muito pelo nosso jornalismo e pelo público que nos assiste.

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