Deus nos Acuda estreava há 25 anos

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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No dia 31 de agosto de 1992, a Globo estreava sua nova novela das sete, Deus nos Acuda. A comédia trouxe de volta ao horário Silvio de Abreu, depois de uma bem-sucedida incursão no horário nobre com Rainha da Sucata, com uma trama que fazia uma ácida crítica ao momento político do país, mas de maneira bem-humorada.

Na trama, Deus está bem cansado do Brasil, mergulhado em crises de corrupção. Então, ele convoca Celestina (Dercy Gonçalves), a “anja” responsável pelo país, e propõe um desafio: ela deve ajudar um brasileiro com desvio de caráter, e colocá-lo no “caminho do bem”. Ajudada pelo anjo Gabriel (Claudio Correa e Castro), ela deve cumprir sua missão sem desrespeitar o livre-arbítrio a que todo ser humano tem direito.

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A escolhida de Celestina é Maria Escandalosa (Claudia Raia), uma mulher que vive de trambiques junto com o pai, Tomás Euclides (Jorge Dória). Ela vive na pensão de Dona Armênia (Aracy Balabanian), e está sempre metida em confusão. Celestina, então, passa a zelar por ela, tentando transformá-la numa mulher digna, honesta e trabalhadora.

Neste contexto, Maria conhece e se apaixona pelo playboy Ricardo (Edson Celulari), um ricaço filho de Otto Bismark (Francisco Cuoco), poderoso empresário que todos suspeitam de ter matado suas ex-mulheres. Quando ele fica viúvo de Eugênia, a irmã dela, Baby (Gloria Menezes) chega ao Brasil para bater de frente com Otto. Mas, em seu caminho está a vilã Elvira (Marieta Severo), secretária dele. Elvira é apaixonada por Otto e fará de tudo para protegê-lo e afastá-lo de Baby.

Deus nos Acuda, com sua galeria de personagens que viviam de pequenos trambiques a grandes golpes, fazia uma grande crítica à sociedade brasileira. Isso num momento em que o país estava mergulhado no estopim da crise do governo Collor. Por isso mesmo, não faltavam diálogos acerca do “jeitinho brasileiro” e da impressão de bagunça generalizada do país. O núcleo do Céu já era uma sátira ao Brasil, pois o funcionamento dos “departamentos celestiais” já remetia às repartições públicas do país.

O tom crítico da trama já era denunciado logo na abertura, uma das melhores já produzidas pela Globo. Na vinheta, uma caneta assinava um cheque e despejava uma intensa tinta, que corria pelo chão e invadia um salão de festas. A tinta, então, já se parecia com um lamaçal, que subia enquanto a festa dos ricaços rolava, com muito glamour, champagne e “mãos bobas”. Quando a lama finalmente submergia todos, ela começava a escoar, formando um redemoinho onde se via helicópteros, iates e muitas notas de dinheiro. Ao afundar pelo ralo, a lama formava um mapa do Brasil. Tudo isso ao som de “Canta Brasil”, com Gal Costa. Não precisava dizer mais nada, não é?

Silvio de Abreu, entretanto, costuma dizer que não foi muito feliz na abordagem política de Deus nos Acuda. Isso porque, durante a trama, aconteceu o processo do impeachment de Collor, o que esvaziou a crítica política da novela. A trama, então, ficou baseada mesmo no romance entre Maria Escandalosa e Ricardo, além do humor característico da obra de Silvio de Abreu.

A novela trazia de volta aos folhetins a comediante Dercy Gonçalves, que fazia um ser celestial hilário. No livro “Crimes no Horário Nobre”, de Raphael Scire, Silvio de Abreu conta que, como sempre acompanhou a carreira de Dercy, escrevia diálogos para Celestina que se encaixavam perfeitamente na embocadura da comediante. Assim, em cena, Dercy divertia ao fazer uma espécie de caricatura de si mesma, além de formar uma bela dobradinha com o saudoso Claudio Correa e Castro. Outro resgate foi a personagem dona Armênia, sucesso de Rainha da Sucata, que reaparecia como a dona de uma pensão no Porto de Santos. A engraçada personagem vivia dizendo sentir saudades de suas “filhinhas” Geraldo (Marcello Novaes), Gerson (Gerson Brenner) e Gino (Jandir Ferrari), que reaparecem no decorrer da trama.

Formando o casal principal da trama, Edson Celulari e Claudia Raia começaram a namorar também na vida real. Os dois se casaram pouco tempo após a trama, e Silvio de Abreu foi um dos padrinhos da cerimônia. Claudia e Edson formaram um dos casais mais badalados da teledramaturgia nacional, num casamento que terminou em 2010.

Deus nos Acuda atingia médias em torno de 40 pontos no Ibope, desempenho considerado satisfatório. Entretanto, a novela não teve a mesma recepção em sua reprise no Vale a Pena Ver de Novo, que aconteceu 12 anos após a exibição original. À tarde, a novela derrubou os índices da Globo e tinha dificuldades em se colocar líder de audiência, em razão da concorrência com uma das reprises de Maria do Bairro, do SBT. Mas a reprise rendeu um bom fruto: quando Silvio de Abreu viu novamente em cena a atriz Carmen Verônica, que vivia Xênia, divertidíssima amiga de Baby, tratou de convidá-la para sua próxima novela, que seria Belíssima, de 2005. Na trama, ela fez sucesso como a ex-vedete Mary Montilla.

Deus Nos Acuda teve 179 capítulos e foi escrita por Sílvio de Abreu, Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral, e dirigida por Jorge Fernando, Marcelo Travesso e Rogério Gomes, com direção geral e de núcleo de Jorge Fernando.

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Reveja a excelente abertura de Deus nos Acuda:

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