“A história de Anna e Joaquim não pode ser contada em outra época”, diz autora de Novo Mundo

Publicado há 4 anos
Por Endrigo Annyston
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Natural do Rio de Janeiro, escritora, autora e diretora teatral, além de roteirista de televisão brasileira, Thereza Falcão iniciou sua formação na Faculdade de Teatro da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO) e em cursos do Teatro Tablado. Escreveu, em parceria com Julio Fischer, o musical “Emilinha e Marlene, as Rainhas do Rádio” e, com Alessandro Marson, a comédia “A Invenção do Amor”. Adaptou para o teatro os romances “A Mulher que escreveu a Bíblia”, de Moacyr Scliar e “Memórias de Adriano”, de Marguerite Youcenar. Desde 1999 é roteirista da Globo, onde já escreveu diversos programas e novelas, como ‘Correndo Atrás’, ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’, ‘O Pequeno Alquimista’, ‘Toma Lá Dá Cá’ e colaborou nas novelas ‘O Profeta’, ‘Cama de Gato’, ‘Cordel Encantado’, ‘Avenida Brasil’, ‘Joia Rara’ e ‘A Regra do Jogo’. Escreveu ainda o livro infantil “A História de um Desenho” (2004).

Nascido em Campinas, formado em Jornalismo na PUC (1992), Alessandro Marson fez especialização na ECA da USP e cursou roteiro no Instituto de Pesquisa da Telenovela (1998). Fez a Oficina de Dramaturgia e a Oficina de Humor na Globo (2000). É roteirista, com passagens por programas infantis como ‘X-Tudo’, ‘Cocoricó’ e ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’. Em novelas, colaborou em sucessos como ‘O Profeta’, ‘Desejo Proibido’, ‘Araguaia’, ‘Flor do Caribe’, ‘Cordel Encantado’, ‘Avenida Brasil’, ‘Joia Rara’ e ‘A Regra do Jogo’. Também assinou o musical ‘Garota de Ipanema’ e o longa ‘Apaixonados’ (2016).

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Confira entrevista com a dupla de autores de Novo Mundo:

Como começou a parceria de vocês? Como é a dinâmica de trabalho em dupla?
Thereza – Fiz o ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’ com o Alessandro, em 2005. No ano seguinte, eu e ele fomos colaborar na nossa primeira novela, ‘O Profeta’. Quem levou a gente para o projeto foi a Duca Rachid. De lá eu fui para o ‘Toma Lá Dá Cá’ com o Miguel Falabella e o Alessandro foi fazer ‘Desejo Proibido’ com o Walter Negrão. De lá, fomos os dois para a segunda novela da Thelma Guedes e Duca, ‘Cama de Gato’. Dali, o Alessandro voltou a trabalhar com o Negrão em ‘Araguaia’ e eu fui com a Thelma e a Duca para a sinopse de ‘Cordel Encantado’, onde Alessandro colaborou também. Depois nos reencontramos em ‘Avenida Brasil’. Hoje, são 12 anos de parceria. Nos completamos. Venho com a ideia e ele vem com uma coisa que arremata ou o contrário. Tudo é nosso. Em ‘Novo Mundo’, escrevemos os primeiros 24 capítulos sozinhos. Quando juntamos as cenas, elas estavam totalmente uniformes. As pessoas não sabem quem escreveu o que, e não é pra saber mesmo (risos).

Alessandro – Mantemos uma rotina de trabalho que considero muito importante. Escrever é rotina, tem que reservar horas do seu dia. Temos um lugar onde nos encontramos. Temos hora para chegar e só saímos quando terminamos as escaletas do dia. Nossa visão de mundo é muito parecida, e isso é importante. Acho fundamental ter uma pessoa para discutir, dividir. Sempre que tem discussão, debate de ideias, isso acaba deixando a história muito melhor.

Como surgiu a ideia desse projeto? Como vocês definem ‘Novo Mundo’?
Alessandro – Nossas conversas começavam no carro durante o trajeto até o trabalho. Acompanhávamos o ‘Ofício em Cena’, gravado nos Estúdios Globo, e estávamos em ‘A Regra do Jogo’, que ainda não tinha estreado. Começamos a falar sobre criar algo. Tínhamos ideias sobre um herói, alguém que abrisse mão da sua própria vida pelo todo e fizesse algo grandioso. Lemos os livros sobre Dom Pedro I e falamos: “Temos esse herói”. Um jovem de 22 anos que resolveu ser imperador de um país que ele inventou. Isso é uma coisa heroica, grande, que existiu. Começamos por aí. A história do Dom Pedro serve como pano de fundo, mas criamos outros heróis fictícios. Tem o ideal da independência e a história dos índios, que a gente queria falar de uma maneira não caricata. A trama do Joaquim (Chay Suede) e dos índios vem por aí. “Por que aquelas pessoas acreditavam que o Brasil podia dar certo?”. A gente pode voltar a acreditar que aqui pode dar certo. Nossa protagonista Anna (Isabelle Drummond) estará bem próxima de Leopoldina (Letícia Colin) e Joaquim, do Dom Pedro (Caio Castro). A história de Anna e Joaquim não pode ser contada em outra época, senão da independência do Brasil. Para ser contada, precisa dos elementos que aconteceram naquela época. Isso dá uma exclusividade, um tom inédito à obra.

Thereza – Chegamos à conclusão que tínhamos que falar da figura do herói. Essa pessoa que deixa de pensar como indivíduo e passa a pensar no coletivo. Aí veio a questão da época. Pensamos em falar sobre a formação do povo brasileiro. Como a gente vê esse país de hoje. De onde ele veio? Como eram as pessoas que vieram de fora? O que elas queriam de bom ou de ruim? Nosso herói é um brasileiro que retorna de uma maneira que ele não tem como fugir. Ele vai se fazer em uma nação brasileira. Os acontecimentos “macro” afetam sua vida, e a vida dele pode vir a afetar esse movimento maior da independência.

Para vocês, qual a principal mensagem da novela?
Thereza – “Eu só posso ser feliz se todos são felizes”. A felicidade é coletiva. Saber que, às vezes, você pode fazer alguma coisa é o princípio do coletivo. E é isso que o Joaquim faz. Ele podia ir atrás do amor dele, a Anna, mas prefere lutar pela causa dos índios. Abre mão do seu quinhão de felicidade momentânea para fazer a felicidade de um monte de gente.

Alessandro – Queremos passar um otimismo. Esse país foi criado para dar certo. E, hoje, toda vez que vemos o noticiário ficamos tristes, chateados. Não somos assim, não precisa ser assim. Se conseguirmos devolver um pouco de otimismo para as pessoas vai estar ótimo.

E essa viagem que atravessa o Atlântico? Qual a importância dela na trama dos protagonistas da história?
Thereza – Quando os europeus saíram do Velho Mundo rumo ao Brasil, muita coisa mudou na vida deles. A vida da Leopoldina e dos outros personagens que vieram com ela também vai mudar. Mas é um novo mundo que se abre, inclusive para Joaquim (Chay Suede) e Anna (Isabelle Drummond). Falamos dessa descoberta individual. Eles fazem esse novo mundo e, a partir disso, começará um processo de mudanças que culminará na independência do Brasil.

Alessandro – A busca do novo mundo é a busca de um objetivo para cada um dos personagens. A Anna (Isabelle Drummond) vem atrás de algumas coisas e vai descobrir outras que ela não sabia sobre o pai e o passado dela. O Piatã (Rodrigo Simas) também descobrirá muitas coisas sobre si mesmo. Tudo está ligado a esse novo mundo, e tudo o que acontece muda radicalmente essas pessoas. O legal é que elas são mudadas pelo mundo e o mundo é mudado por elas. Sem elas, esse novo mundo não seria possível.

Como foi realizada a pesquisa histórica? Como isso ajudou no processo de elaboração do texto?
Thereza – Assistimos a filmes, visitamos museus com peças lindas no Rio de Janeiro, o Paço Imperial, o Museu Histórico Nacional, a exposição sobre a Leopoldina no Museu de Arte do Rio, as igrejas do centro. Começamos a desenvolver a história em paralelo às leituras. Muitos personagens que criamos, encontramos depois nas pesquisas. O historiador Francisco Vieira é nosso consultor. Também lemos os livros do Laurentino Gomes, “1808” e “1822”, “A Carne e o Sangue”, de Mary Del Priore, e a biografia de Dom Pedro escrita por Isabel Lustosa, entre outros. A leitura dá uma base segura, até mesmo para a licença poética. Desejamos que as pessoas tenham interesse pela história do Brasil, que leiam e procurem saber mais. Se conseguirmos atrair o público, teremos alcançado nosso objetivo.

Alessandro – Fomos com o nosso consultor, Francisco Vieira, passar um dia no centro do Rio de Janeiro. Vimos onde a família Real vivia, no Paço Imperial, como era, aonde iam, a igreja onde casaram. Andar pelas ruas estreitas do centro do Rio é uma viagem no tempo. O legal na pesquisa foi descobrir coisas que a gente achava totalmente ficcionais, mas aconteceram de fato. Como estamos falando de um período específico, entre 1817 a 1822, dá pra saber mês a mês tudo o que aconteceu, e vamos usando isso na história. Queremos mostrar que temos uma história feita de heróis.

O que o público pode esperar de Novo Mundo?
Thereza – Aventura, emoção e história. As pessoas vão se emocionar com o amor, a dedicação e a frustração de alguns personagens, principalmente Anna (Isabelle Drummond), Leopoldina (Letícia Colin) e Joaquim (Chay Suede). Sonoramente a novela vai marcar também. O público ouvirá uma trilha que não está acostumado, mais cinematográfica.

Alessandro – A novela vai ser muito bonita visualmente. Teremos uma semana de novela em um navio, outra semana em uma tribo indígena e um casamento de princesa de verdade, só para citar alguns exemplos.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Carregar mais