25 anos de Mulheres de Areia: relembre este grande sucesso

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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No dia 01 de fevereiro de 1993, estreava no horário das seis da Globo a novela Mulheres de Areia. Trata-se de um remake da novela de Ivani Ribeiro escrita originalmente para a TV Tupi em 1973, e reescrita pela própria autora para a Globo. E, assim como sua versão original, o remake também foi um sucesso, tornando-se um clássico da nossa TV. Glória Pires se dividia entre as gêmeas Ruth e Raquel, anteriormente vividas por Eva Wilma.

Mulheres de Areia começa quando retornam à Pontal D’Areia, uma vila litorânea, a doce Ruth (Glória Pires), uma humilde filha de pescador, e Marcos (Guilherme Fontes), pertencente à uma das principais famílias do local, que volta para auxiliar o pai, Virgílio (Raul Cortez), em seus negócios. Ruth e Marcos se conhecem na praia e se apaixonam, mas logo entra em cena Raquel (Glória Pires), irmã gêmea de Ruth, que fica de olho na fortuna do moço e planeja tomá-lo da irmã.

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Raquel acaba conseguindo envolver Marcos, que se deixa levar mesmo sendo alertado pelo doente mental Tonho da Lua (Marcos Frota). Mas casar com Marcos não será tarefa fácil para a “gêmea má”, já que Virgílio não aceita a união de seu filho com uma filha de pescadores. Inescrupuloso, Virgílio é o vice-prefeito de Pontal D’Areia e dono do maior hotel do local, e ambiciona fazer dali um centro turístico. Para isso, ele vive batendo de frente com Breno (Daniel Dantas), o prefeito, um ambientalista que proíbe banhos de mar na cidade por conta da poluição. Por isso, Virgílio distribui espantalhos pelas praias para desmoralizar o prefeito.

Ajudada pelo amante Wanderley (Paulo Betti), Raquel consegue se casar com Marcos, fazendo Ruth sofrer muito. No entanto, quando a gêmea má sofre um acidente de barco, é dada como morta, e a “gêmea boa” se aproveita da oportunidade para se passar por ela. Mas Raquel está viva e planejando seu retorno para desmascarar a irmã.

Mulheres de Areia fez muito sucesso em sua versão original, na TV Tupi, e, sem dúvidas, a trama ajudou a adiar o fim da emissora, que já não andava bem das pernas. Na versão original, além de Eva Wilma, o elenco contava com nomes como Carlos Zara, como Marcos, e Gianfrancesco Guarnieri como Tonho da Lua.

Para escrever uma nova versão de Mulheres de Areia, a autora Ivani Ribeiro se inspirou não em uma, mas em duas tramas suas. Ela fundiu Mulheres de Areia, de 1973, com O Espantalho, de 1977, incorporando à saga das gêmeas a história do prefeito que proíbe banhos de mar por conta da poluição das praias. E, para escrever a trama original, Ivani Ribeiro se baseou numa antiga radionovela sua, As Noivas Morrem no Mar, de 1965, que por sua vez foi inspirada no filme Uma Vida Roubada (Stolen Life, 1946), de Curtis Bernhardt, com Bette Davis (no papel das gêmeas) e Glenn Ford.

A direção da Globo propôs um remake de Mulheres de Areia em 1990, mas a ideia demorou para sair do papel em razão da reticência da autora, que temia reaver a história. Cláudia Abreu, que acabara de sair do sucesso Barriga de Aluguel, foi um dos primeiros nomes cotados para viver as gêmeas, mas Ivani Ribeiro optou por Glória Pires. E, quando tudo parecia estar se encaminhando, a atriz engravidou, obrigando mais um adiamento do projeto.

A princípio, Mulheres de Areia deveria substituir Felicidade. Com o adiamento, Walther Negrão foi escalado às pressas para escrever a substituta da novela de Manoel Carlos, tendo como tarefa utilizar a cidade cenográfica que serviria para Mulheres de Areia. Surgia, assim, Despedida de Solteiro.

E, quando finalmente Mulheres de Areia entrou no ar, foi um sucesso instantâneo. A trama das seis dava mais audiência que a novela das sete da época, O Mapa da Mina, de Cassiano Gabus Mendes, e a direção da Globo chegou a cogitar inverter os horários de exibição das duas novelas, o que acabou não acontecendo. A trama também fez muito sucesso em sua carreira internacional. Segundo o site Teledramaturgia, Mulheres de Areia fez tanto sucesso na Rússia que o governo exibiu o último capítulo em um dia de eleição, evitando que os eleitores viajassem no feriado e, assim, aumentando a frequência das zonas eleitorais.

A atriz Graziela Di Laurentis era a dublê de Glória Pires nas cenas em que as gêmeas contracenavam. Para promover o “milagre da multiplicação de Glória Pires”, a emissora fez uso de tecnologias de ponta disponíveis na época. Boa parte das cenas em que Ruth e Raquel apareciam juntas eram feitas pelo bom e velho chroma-key, técnica de sobreposição de imagens que obrigava Glória a viver uma das gêmeas contracenando sozinha num estúdio, enquanto a participação de outra gêmea era gravada num outro estúdio, todo em azul. Mulheres de Areia também contou o memory-head, um dispositivo que permitia à câmera repetir movimentos.

Mulheres de Areia foi reapresentada duas vezes no Vale a Pena Ver de Novo: em 1996 e em 2011. Esta última reapresentação foi uma homenagem aos 60 anos da teledramaturgia brasileira, mas contou com uma mudança significativa na abertura da trama. Na vinheta original, a atriz Mônica Carvalho aparecia com os seios e o bumbum à mostra. Pois a nudez foi atenuada em 2011, e a Globo justificou a mudança afirmando que a abertura de 1993 não era “compatível com os padrões morais atuais do país”. O canal Viva também exibiu Mulheres de Areia, em 2016.

Com 201 capítulos, Mulheres de Areia foi escrita por Ivani Ribeiro, com a colaboração de Solange Castro Neves, e teve direção de Wolf Maya, Carlos Magalhães e Ignácio Coqueiro, e direção geral de Wolf Maya.

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Reveja cenas de Mulheres de Areia:

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