Rodrigo Lombardi fala sobre seu personagem em A Força do Querer “Ética é a palavra que o define”

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
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Rodrigo Lombardi poderá ser visto a partir do dia 3 de abril em A Força do Querer, nova novela das 21 horas escrita por Glória Perez com direção de Rogério Gomes. O ator conversou com o Observatório da Televisão sobre seu personagem, Caio que terá forte ligação com a personagem de Juliana Paes repetindo a parceria deles numa novela da autora.

Como foi o seu processo de imersão para o personagem Caio?

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O meu processo é basicamente comum a todos os personagens no primeiro momento. Não considero o Caio isoladamente, busco a função dele dentro desta obra, a partir disso corro atrás do que falta nele ou coisas que vejo possibilidade de mudar. O universo do Caio é o universo da ética e do direito, partindo daí busquei o conceito da palavra Ética que é a palavra que o define, e a melhor que encontrei foi do Mario Sérgio Cortella que diz que Ética é quando você responde “Sim” ao tripe de sustentação das perguntas de como deve viver, que são: Quero, Devo e Posso. Se você responde “Sim” você está dentro da ética. Se você não responde ou faz algo fora desse sentido você está fora da ética. Eu gosto daquela garota e vou conquistá-la. Eu quero? Sim. Eu devo? Sim. Eu posso? Não porque ela é casada. Essa é função do Caio nessa trama e ele vai sendo bombardeado por informações que vão quebrar isso, que vão fazer com que ele não responda “sim” a essas 3 questões e veremos onde isso vai levá-lo.

O que esperar dessa sua nova parceria com a Juliana Paes?

As pessoas não precisam esperar algo como Caminho das Índias porque é completamente diferente. Essa paixão entre Caio e Bibi, vai mexer com o tripé de sustentação da ética. Ele tem tudo pra não poder ficar com essa garota, e isso vai nortear o caminho desse personagem. O espaço dela vai se tornando cada vez maior a medida que ela vai assumindo uma importância dentro do universo que ela quer construir, e ela se choca com meu universo e o universo da Paolla Oliveira, e com isso a gente constrói o folhetim,

A personagem da Juliana será uma criminosa. Seu personagem irá acobertá-la em alguma situação?

Ainda não sei. Mas isso iria contra a ética dele.


Partindo do seu princípio de ética, o Alex seu personagem em
 Verdades Secretas não tinha ética.

Quando o Mauro Mendonça me convidou para interpretar o Alex ele disse “Prepare-se para ser odiado” então a gente já não esperava uma aceitação. O Alex dizia “Não” à todas as perguntas sobre ética e mesmo assim fazia,ele tinha esse hedonismo de querer o prazer acima de tudo. Caio terá o viés do poder mas ele o faz por um outro lado.

O que você acha que estar voltando à uma novela da Glória Perez?

A Glória Perez antecipa os passos que o mundo está tomando. Quando ela coloca um assunto no enredo, no primeiro momento você pensa “nossa, por que isso?”e depois você percebe que o mundo está de antenas ligadas naquele determinado assunto. É o tipo de assunto que você vê no noticiário e não somente na novela. Ela faz isso muito bem, agora mais do que nunca falando sobre o desejo, o querer.

Como foi a preparação para viver o personagem?

Eu tive pouca preparação. Quando comecei a gravar a novela eu tinha acabado de fazer um filme, fiz uma participação em Carcereiros que nem estava programada.Eu fico observando, perguntando aos amigos, e direção como estou, mas a preparação eu não tive.

Como surgiu sua participação em Carcereiros?

Foi uma situação atípica. Eu já tinha conhecimento do projeto, e o convite me surgiu após a morte do (Domingos) Montagner e eu não podia falar outra coisa senão “sim”. Cheguei lá na terça, comecei a gravar na quinta e o personagem foi nascendo junto com a série.

Rodrigo Lombardi e João Gabriel Cardoso provocam alvoroço em gravação de A Força do Querer (Divulgação/ TV Globo)

Como foi gravar A Força do Querer em Belém?

Foi muito rápido, fui o único do elenco a gravar apenas 1 dia lá, mas foi incrível. É um lugar que quando chega se depara com uma culinária fantástica, uma arquitetura maravilhosa de uma história recente e que graças a Deus o tempo não destruiu. As pessoas locais, eram só sorrisos e abraços. Foi demais!

Você está com o cabelo mais escuro?

Não. Estou gravando cenas do passado do Caio, de 15 anos antes, mas não mexi no cabelo, só escureci a barba.


Existe preocupação com a audiência de A Força do Querer?

Nós não deveríamos nos preocupar com isso. Quando esse fator “ibope” entra no meio, acabamos dividindo a nossa atenção e não fazemos o que temos que fazer 100% que é contar uma história. Os números de audiência não diminuíram, eles se dividiram porque antigamente só a Globo fazia novela, e hoje tem outras emissoras, canais a cabo, então é natural que seja diferente de Roque Santeiro por exemplo que teve uma audiência de 90 pontos. A gente tem que parar de olhar para números e olhar para qualidade. O formato novela está sofrendo mudanças, mas é uma mudança homeopática porque não dá pra fazer mudanças com a programação no ar.


O que você assiste na TV?

Eu amo séries, eu acho que o mundo está mais dinâmico, então ele pede coisas mais rápidas. Engraçado que os Estados Unidos já tiveram a pior televisão do mundo e eles mudaram por necessidade e vejo o Brasil caminhando nesse sentido também. Da TV aberta assisto basicamente noticiário. Novela eu não consigo acompanhar porque a gente está aqui fazendo ela.

A quê você atribui essas parcerias que dão tão certo como no seu caso com a Juliana Paes?

Não sei. A Juliana é uma das poucas amigas que tenho fora do set de gravação. A gente quase não se vê, mas sabemos que somos amigos. Se eu ligar pra ela agora e dizer que preciso dela, ela vai dar um jeito de estar aqui. Temos o mesmo tipo de humor, rimos das mesmas coisas, não gostamos de coisas bem parecidas, ela tem uma energia que é contagiante e é muito gostoso estar com ela em cena, então durante a vida profissional nos deparamos com pessoas que são assim como a gente. O que vocês chamam de química televisiva é que vocês conseguem enxergar do prazer entre dois atores que são amigos de verdade atuando juntos.

Como você administra as gravações com a sua vida pessoal?

Não administro, é o tempo que me sobra. Na verdade o tempo que sobra a gente dorme, aí vai encaixando jantar com a esposa, passear com o filho e assim vai. Eu já tentei levar meu filho na escola, mas parei de tentar porque era muito cedo, e eu quase bati o carro por não ter dormido direito. A gente acaba vendo as pessoas com as quais trabalhamos muito mais do que vemos nossa família, dai chega a sexta-feira em que a novela acaba e você não vê mais essas pessoas.

E quando acaba uma novela o que você sente?

Fico sem saber o que fazer. Durmo, ando pela casa, abro a geladeira três vezes em menos de 10 minutos. A gente é bem esquisito (risos).

Entrevista realizada pelo jornalista André Romano

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