Priscila Brandão relembra Globo Rural e afirma: “Estou tendo a chance de dar uma virada muito importante”

Publicado há 3 anos
Por Leandro Lel Lima
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É hora de contar novas histórias. Essa é uma frase típica de qualquer jornalista. Todos os dias há algo novo para ser contado. Seja na cidade, no litoral ou até mesmo no campo, região de suma importância para um país continental como o nosso.

Durante vinte e três anos Priscila Brandão foi construindo uma carreira que começou lá no inicio dos anos 90 nos telejornais locais da TV Globo Rio, os anos foram passando e a jornalista foi adquirindo mais experiência até que veio a bancada.

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Porém, a carreira da também apresentadora ganhou outros contornos por conta das reportagens especiais levadas ao ar num tradicional programa de domingo, o Globo Rural. Na atração, Priscila realizou viagens e também ancorou o jornalistico ao lado de colegas como Evaristo Costa e Nélson Araújo até que em 2015 o ciclo se fechou.

Ao sair, Priscila afirmou: “É hora de contar novas histórias”. E assim ela tem feito ao ser contratada pelo Canal Rural para apresentar o Marcas e Máquinas, programa que mostra as novidades que envolvem a produção de alimentos e demais produtos cultivados Brasil afora.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, a ex-TV Globo relembra momentos importantes de sua carreira e afirma: “Sou da época em que a gente entrava numa empresa e ficava lá até se aposentar. Por sorte, estou tendo a chance de dar uma virada muito importante no meu trabalho, fora da empresa onde comecei”.

Confira:

Muitos imaginam que ao sair da faculdade o jornalista logo vai pra bancada de um telejornal, mas sabemos que não é bem assim. Você começou na rádio-escuta, passou para as reportagens locais do RJ, migrou para os jornais de rede e finalmente chegou à bancada dos jornais locais do Rio e de SP, Jornal Hoje e Globo Rural. Como descreve essas fases e o quanto elas foram importantes para o seu amadurecimento?  E qual dica você dá aos novos colegas que estão chegando? 

Os novos jornalistas que saem das faculdades hoje encontram um mercado muito diferente daquele que eu enfrentei, ao me formar. Tanto que se você olhar minha trajetória – comecei na rádio-escuta, passei pelos locais até chegar na rede e nas bancadas – duvido que as novas carreiras sejam construídas desta mesma forma, daqui pra frente.

Sou da época em que a gente entrava numa empresa e ficava lá até se aposentar. Por sorte, estou tendo a chance de dar uma virada muito importante no meu trabalho, fora da empresa onde comecei. Mas para a minha geração, isso era impensável. Para os jovens de hoje já é normal passar uns meses aqui, mudar para outra empresa, logo depois largar tudo e ir fazer um curso fora, depois voltar e passar mais outros meses em um novo emprego…

Amadurecimento profissional vem com o amadurecimento pessoal. Não adianta tentar pular etapas. Por mais que alguém tente “começar por cima”, a própria vida mostra que o estar pronto é tudo (como escreveu Shakespeare em Hamlet).

Minha dica aos recém-formados é essa: ter paciência. ter foco em cada etapa da vida. sonhar lá na frente, mas ter cuidado para não deixar escapar momentos fundamentais que surgem na nossa trajetória, distraído com o objetivo final.

Priscila segura um bicho preguiça durante uma de suas reportagens (Reprodução)

O Globo Rural te proporcionou conhecer o interior do Brasil, a sua diversidade, o homem do campo e os seus costumes como a culinária, a música, o estilo de vida. O quanto isso impactou a sua vida? Quais recordações vêm à sua cabeça? Como analisa a sua passagem por lá? Fico imaginando as estradas, o tempo, o contato e a troca que você manteve com os sertanejos, com a simplicidade… 

O Globo Rural foi o melhor estágio de “real life” que pude ter. Sou de uma cidade do interior, Juiz de Fora, MG, mas venho de uma família muito urbana. E minha cidade natal tem pouca vocação rural. Ela é muito mais conhecida como uma cidade que investe na indústria do que no agro.

Portanto, pra mim, o Globo Rural era um símbolo de jornalismo de excelência como é para a maioria dos brasileiros, espectadores ou profissionais da área.

E em SP, o Globo Rural sempre teve uma redação separada do jornalismo. Nós tínhamos pouco contato com os colegas.

Quando veio o convite para apresentar o Globo Rural diário – que não existe mais – foi uma surpresa muito boa. Mas eu ainda continuei fazendo as duas coisas por um longo tempo. Tanto que brincávamos que eu era híbrida – um pé no jornalismo do dia a dia e outro, no campo. Até que eu fui me descobrindo muito mais rural do que outra coisa. E naturalmente, fui sendo mais absorvida pelo jornal.

Na questão simplicidade, é bobagem dizer que essa é uma característica exclusiva do povo do campo. Continuo morando na cidade de SP, mas cada dia mais reforço meus hábitos simples da vida. Tomar meu café sob o sol às vezes até gelado do inverno… colocar frutas para atrair passarinhos no meu jardim… tratar as pessoas e os animais com a dignidade que todos nós merecemos. Isso é cultivar a sofisticação do simples de uma vida rica.

O Globo Rural existe há quase 40 anos e junto à sociedade possui uma importância muito significativa. Como era atravessar o Brasil, ir ao encontro de pessoas que estão no início de tudo da cadeia alimentar, como o agricultor, contar a história de um povo simples e hospitaleiro?

Atravessar o Brasil nem sempre é cômodo por causa das péssimas condições das estradas desse país. Mesmo enfrentar horas em aeroporto para ir mais longe, muitas vezes era bem cansativo. Mas você remeteu ao que tem de mais prazeroso nesse trabalho: encontrar pessoas que sempre nos receberam com muita felicidade, muito aconchego e simpatia. Independentemente da classe social, porque o programa cobre de pequenas propriedades a grandes fazendas.

Essa é uma diferença que percebia: as equipes de jornalismo andam sendo muito mal tratadas pelas ruas das grandes cidades. São xingadas, e até agredidas fisicamente.

Quem trabalha no Globo Rural só recebe abraço. E acho que tem a ver com o produto mesmo, um dos poucos programas que mostram o lado positivo do nosso país.

Quando você chegava ao local onde iria gravar, o que mais ouvia por parte dos entrevistados? Os colegas que cobrem assuntos do cotidiano sentiam “inveja” de você por conta dos assuntos que aborda? Afinal, a vida na cidade é pesada, estressante… (risos)

Essa é uma pergunta que você precisa fazer para os colegas (risos). O esquema do Globo Rural é muito diferente do jornalismo do dia a dia. No Globo Rural, o repórter também edita a matéria, escreve a cabeça do estúdio, é mais “dono” do seu material, vamos dizer assim. Para alguns isso é positivo. Eu, por exemplo, adoro. Mas para outros, é muito difícil ficar envolvido num mesmo assunto – e com profundidade – durante meses. Existem profissionais para os dois tipos de trabalho. Os que gostam de fazer a matéria do dia, entregar o material, ir pra casa e pronto. E existem outros que lambem mais a cria. E isso não necessariamente tem a ver com adrenalina. Infelizmente, desde que o Globo Rural diário acabou não se faz mais entradas ao vivo no programa. O de domingo é gravado. Mas o diário era ao vivo, seis da manhã, e todo o esquema de hard news acontecia diariamente ali. E a equipe adorava.

Agora você está no Canal Rural apresentando o Marcas e Máquinas, sábados às 10h. O que o público pode esperar da atração? Por que mostrar o processo de produção realizado nas fazendas é importante para o público como um todo?

O Brasil é essa potência na agropecuária por vários motivos. Um deles é a mecanização e a tecnologia no campo. Aquela velha imagem do tiozinho com enxada na mão, aquelas pessoas colhendo cana no facão, isso é passado. E tem que ser mesmo. O nosso programa Marcas e Máquinas mostra como somos avançados nisso, e traz informações desde o manejo de um trator pequeno até o funcionamento de grandes máquinas que hoje já começam a ser pilotadas por GPS, sem ninguém na cabine, no “volante”.

A mecanização no campo não veio para tirar empregos. Ela veio para dar condições de trabalho melhores para quem trabalha no campo. Seja o dono da pequena terra, seja ele o filho daquele retirante que saía todo ano do Nordeste ou do Norte de Minas e vinha para o estado de São Paulo, tentar ganhar a vida nas colheitas de café, cana ou qualquer outra safra. Na maioria das vezes, em condições parecidas à escravidão. O filho deste mesmo retirante hoje pensa em estudar, se preparar para enfrentar um trabalho melhor. Muitas vezes, ele quer vir para a cidade. Mas muitos já pensam em se aprimorar e voltar para a terra dos pais, afinal agora ele já pode ter internet, TV a cabo e até um tratorzinho que o pai nunca conseguiu ter.

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