Personagem da atriz Olívia Araújo viverá grande história em O Tempo Não Para: “Vamos debater questões históricas”

Publicado há 2 anos
Por Cadu Safner
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Se preparando para entrar em cena como a Cesária de O tempo Não Para, a atriz Olívia Araújo demonstra grande prazer em fazer parte da trama. Em entrevista ao Observatório da Televisão a atriz adiantou um pouco da história que dará o pontapé inicial na história da escrava que junta muito dinheiro para comprar sua alforria. Não bastasse, esse dinheiro também é congelado e vem para o ano de 2018 valendo muito.

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Conte um pouco sobre a Cesária, sua personagem em O Tempo Não Para?

Ela é escrava do Dom Sabino, é ama de leite das meninas. É uma escrava de ganho. Ela também trabalha fora da casa confeccionando joias e junta essas joias para poder comprar a alforria dela. Ela embarca com essas joias e no acidente, uma parte se perde e outra parte é congelada com ela. A parte de maior valor está num baú que se perde no congelamento.

Ela sabe que tem um dinheiro de grande valor, mas, ela não sabe quanto aquilo vale nos dias de hoje.

“Ela quer resgatar as joias pois ela acha que ainda precisa da alforria”, revelou a atriz

Eles (família e os escravos) ficam sem entender como fica essa relação de escravos. Eles vão conhecer um novo mundo e vão tentando se juntar. De todos a Cesária é uma das que mais demora para acordar.

Sobre essa parte futurista. Você também acabou viajando com a história da novela?

Viajar com a história é muito legal. Pois, fazer parte de uma novela que tem um estudo histórico tão grande, e estamos falando de 1886, é muito legal. Estamos falando do futuro também, criogenia é uma coisa muito do futuro ainda, é algo que está sendo alcançado.

É muito interessante. Na preparação a gente começou a ter ideia do que é criogenia e de  que realmente existem esses cientistas que estudam isso. É muito interessante que também existem essas pessoas que querem ser congeladas pra acordar de algum tempo ou se recuperar de alguma doença, ou para ter a sensação da imortalidade, essa ideia do viver para sempre ou de ser jovem para a vida toda e viver eternamente. E parece que tem pessoas que já estão congeladas.

A atriz conta se Cesária viverá algum amor na trama de Mário Teixeira

Você entra em que parte da novela?

Eu entro no primeiro bloco onde conta toda a história deles em 1886 quando eles são congelados.

A Cesária vai viver algum romance na novela?

Não sei se ela vai ter par romântico. Por enquanto ela só quer saber das joias dela.

Ela tem uma grande história a ser desenvolvida, né?

Vai ter muita gente atrás do dinheiro dela e a vontade dela querer comprar a alforria, que eu acho lindo, e ela quer comprar essa liberdade. Ela não aceita a liberdade dada porque ela também não tem para onde ir.

Acho que existe margem para um pensamento feminista, em 1886, ela era escrava mas trabalhava por fora já imaginando sua própria liberdade. Ela era escrava de ganho, que pode vender suas coisas com seu esforço, uma parte era do dono dela, e a outra parte ficava pra ela. Foram anos juntando esse dinheiro.

O que você pensa sobre essa abordagem da escravidão em tempos onde o racismo está sendo bem discutido?

Acho super importante. A gente tem que lembrar sempre disso. São questões históricas. A escravidão existiu, precisamos falar sobre a escravidão, assim como existiu as grandes fazendas onde tinham pessoas como o Dom Sabino, dono da metade de São Paulo e dessa relações que a gente hoje se questiona muito politicamente e não entende que começou lá no império, tem essa coisa da mais valia, do poder público e dos cargos públicos e que a gente vê se repetindo hoje.

O autor questiona isso. Então toda vez que temos dados históricos para passar ao público, eu acho importante. A história foi muito mal contada nas escolas. É importante trazer esse olhar, e também os novos dados.

“Foram vários abolicionistas negros que lutaram e fizeram história”, relembra a atriz sobre nomes importantes da história que são negros e não são lembrados pelo público

Temos o André Rebouças. A gente passa pelo túnel Rebouças e ninguém sabe da história do arquiteto abolicionista.

Você acha que a indústria tem melhorado e as oportunidades estão se abrindo mais para todas as etnias?

Olha, eu fiz Chiquititas, Ciranda de Pedra, Cheias de Charme, I Love Paraisópolis, Liberdade Liberdade, Tempo de Amar e agora O Tempo Não Para. De 2012 pra cá eu não parei. Hoje tudo está melhorando muito em todos os aspectos e acho natural que seja assim, é tudo uma tendência. É uma evolução, é algo que a gente deseja e trabalha para isso. Como eu vi Sr Milton Gonçalves, Ruth de Souza, Léa Garcia, Grande Otelo, Zezé Motta e Benjamin de Oliveira, todos eles me inspiraram a ser atriz e quero que a nova geração represente bem também.

**Entrevista feita pelo jornalista André Romano

 

 

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