“O respeito é o ponto de partida pra mudar uma sociedade”, diz André Luiz Miranda

Publicado há 2 anos
Por Leandro Lel Lima
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Em Malhação – Vidas Brasileiras o personagem de André Luiz Miranda convive diretamente com questões sociais que há séculos assolam a sociedade brasileira. A vulnerabilidade que muitos jovens estão expostos compromete suas vidas para sempre.

Na trama teen da Globo, André interpreta Vinicius, um garoto que foi adotado por Rafael (Carmo Dalla Vecchia), dono da ONG Percurso. Com educação e exemplos de respeito o rapaz ajuda a transformar a realidade de seus pares através do voluntariado.

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Malhação

Outro ponto alto da história é a relação de tolerância que se estabelece entre Vinicius e Talíssia (Lueelen de Castro). Ele é evangélico, ela é adepta de uma religião de matriz africana, mãe adolescente, bolsista e mora em uma região dominada pela violência.

No folhetim vamos percebendo que com respeito, tolerância, oportunidades e com força de vontade podemos sim lutar por melhores condições de vida. Vinicius e Talíssia são a prova de que o convívio entre eles tem como base o diálogo.

Questões sociais

Em entrevista ao Observatório da Televisão, André Luiz Miranda fala sobre as questões sociais que o personagem está inserido, e afirma: “Ele é o retrato de que o respeito ao outro pode ser o ponto de partida pra mudar uma sociedade”.

André também esteve em cartaz com a peça O Jornal, dirigida por Kiko Mascarenhas e Lázaro Ramos que aborda a intolerância religiosa, preconceito e a perseguição aos homossexuais.

O ator ficou conhecido como o Tiziu, Terra Nostra, e por participações em Aquarela do Brasil, 2000, e em Bambuluá, infantil comandado por Angélica em 2001. Além de trabalhos na Record.

Confira!

Como o trabalho do Vinicius vem mexendo com você?

O Vinicius é um cara super do bem, não faz distinção de nada, está sempre pronto a ajudar. Ele é o retrato de que o respeito ao outro pode ser o ponto de partida pra mudar uma sociedade. Fico feliz de fazer um personagem deste tipo e sempre aprendendo um pouco com ele.

ONGs possuem uma importância gigantesca na história do Brasil. Em uma das cenas, Vinicius fica preocupado com a falta de patrocínio, e agora em tempos de crise…Como o público pode absorver tudo isso? E como tem sido esse retorno?

Nem tudo é dinheiro. Existe algo muito mais forte que consegue superar tudo isso que é o amor. Ele transforma muita coisa e dá força pra poder seguir em frente. A vontade, a garra pra ajudar todas as crianças a terem uma educação de qualidade é maior e faz com que ele tenha que se reinventar a todo momento.

Parceria

Outro assunto delicado envolve a relação com Rafael, ele tem problemas com álcool. Em uma das cenas o professor fala da importância do seu personagem na vida dele. E ele também tem um papel decisivo na sua vida… 

Existe uma ligação muito forte entre esses dois personagens. Uma relação de respeito, amizade, companheirismo, parceria e muito amor. Eles são amigos, pai e filho, sócios… Estão em busca do mesmo objetivo que é ajudar pessoas a terem direito a uma boa educação.  Na vida um ajudou o outro. Rafael adotou Vinicius quando era pequeno e o amor desse menino que tirou esse cara do fundo do poço.

Como é a sua troca com o Carmo?

Eu fiz uma novela com o Carmo (Cama de Gato), mas não tive tanto contato. Dessa vez, eu vejo no dia a dia como ele é generoso, cuidadoso… Ele não pensa só nele, se preocupa o tempo inteiro na troca. Posso dizer que ganhei um parceiro e amigo incrível nesse projeto.

Debate sobre religião

Ele é cristão e se relaciona muito bem, ao longo do tempo, com pessoas de outras crenças, ajuda a reconstruir o terreiro etc. Em tempos de tanta intolerância como essa mensagem pode ser absorvida pelos telespectadores? 

É primordial que as pessoas entendam que nada faz deles melhor que ninguém. E que para ser respeitado, elas precisam aprender a respeitar os demais. Que algumas atitudes podem ferir uma pessoa irremediavelmente, e que o simples ato de se colocar no lugar do outro pode mudar um pensamento e se tornar um cidadão melhor.

Como tem sido o retorno do público e das pessoas que seguem essas crenças em específico? 

Essa temporada tem alcançado níveis de audiência significativos. Estamos atingindo público de todas as gerações. São temas delicados que estamos fazendo com muita sensibilidade. A resposta é muito positiva. O público fica feliz porque estamos mostrando que todos podem conviver em harmonia.

Par romântico

O seu personagem é tão rico em histórias…A relação com a Talíssia, em uma das cenas eles falam de valores familiares e como cada um tem o seu, se relaciona, cria seus filhos, busca o amor e o respeito…Como é tudo isso? 

Isso é respeito ao ser humano acima de tudo. Podemos ter pensamentos diferentes e mesmo assim se relacionar tranquilamente. E a historia desses dois retrata isso. Vinicius se juntou com os fiéis da sua igreja e fez uma vaquinha pra ajudar a reconstruir o terreiro de candomblé da Talíssia. É desse tipo de atitudes que precisamos.

Lázaro Ramos

Quais atores te inspiram? 

Sou muito fã do Will, Denzel , Viola…Eu tive a honra e o privilégio de trabalhar e conviver com o Lázaro Ramos no projeto da peça O Jornal, que ele dirigia e eu atuava. É um exemplo pra qualquer artista.

O que passa na sua TV?

Eu gosto muito de filmes, séries e de documentários,  mas hoje só passa programação infantil por conta da minha filha. (risos)

Teatro

Como surgiu o convite para O Jornal?

Eu participei de uma oficina comandada pelos diretores Kiko Mascarenhas e Lázaro Ramos chamada Afrobrasilidade e o Palco. Foram 5.000 atores inscritos e desse total apenas 75, através de testes, participaram da oficina. Foram semanas de trabalho até que os diretores chegassem ao elenco final.

Como a peça dialoga com o atual momento do Brasil e do mundo em relação, mais um vez, com a intolerância.  

Embora passado em Uganda, essa poderia ser uma história nossa. Infelizmente. Casos de intolerância religiosa, racismo e crimes cometidos contra homossexuais são quase lugar comum no Brasil. Somos o país que mais mata homossexuais no mundo, mais do que em 13 países do Oriente e da África, onde há pena de morte aos LGBT. A Uganda de O Jornal também é aqui.

 

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