“Não esperava que pudesse acontecer”, diz Pedro Carvalho sobre papel em O Outro Lado do Paraíso

Publicado há 3 anos
Por Gabriel Vaquer
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Por André Romano

Nas ruas, ele virou o português dos sonhos para muitas moças. Mas na verdade, o sonho de Pedro Carvalho era outro: atuar no Brasil com a sua arte. O português de 32 anos já começa a ter uma carreira boa no nosso País.

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Primeiro, ele protagonizou a novela Escrava Mãe, da Record, o que foi um passo importante. A elogiada atuação abriu portas e desde o final do ano passado, ele faz Amaro, o português que está apaixonado por Estela (Juliana Caldas), a pequena notável de O Outro Lado do Paraíso, o atual grande sucesso da TV brasileira.

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Nesta entrevista exclusiva ao Observatório da Televisão, Pedro conta quem ele é de fato, sobre os bastidores da trama de Walcyr Carrasco, a relação com a atriz Juliana Caldas, e faz uma revelação mais que surpreendente: ele não esperava que pudesse fazer o trabalho, já que é muito fã de Walcyr Carrasco.

“Eu não esperava nunca que isso pudesse acontecer. Eu sou muito fã do trabalho dele. Algumas novelas dele passam em Portugal e são um sucesso. Eu gosto da forma como ele desenvolve a trama. Para mim, estar fazendo uma novela das 21h com um personagem desses é muito gratificante”, diz ele.

Amaro (Pedro Carvalho) em O Outro Lado do Paraíso (Divulgação/ TV Globo)

Veja a conversa na íntegra: 

Observatório – Quem é o Pedro Carvalho?

Pedro Carvalho – O Pedro Carvalho é um jovem português de 32 anos que é sonhador, canceriano, muito ligado à família e às artes. Eu sempre gostei de desenhar, por isso também sou arquiteto de formação profissional. Tenho mestrado em arquitetura e também me formei em artes de representação na Escola de Atores de Portugal e da Espanha. Eu sempre gostei de design, teatro, literatura, pintura, cinema. Sempre gostei dessas áreas. Sou um lutador. Me considero uma pessoa que luta por objetivos, que não abaixa a cabeça. Sou amigo dos meus amigos, sou emotivo, sei rir de mim mesmo, sou uma pessoa honesta e esquecida: sempre esqueço onde coloquei a carteira e o celular (risos).

Observatório – Como é a sua rotina no Brasil?

Pedro Carvalho – Eu já me sinto completamente em casa. Eu acordo e vou gravar. Tenho a minha rotina de gravação, de treino. Eu gosto de fazer crossfit e correr na praia. Gosto de ir ao cinema, teatro, também gosto de ler para saber o que está acontecendo no mundo. Costumo sempre tirar um dia para estar com amigos para poder me distrair de tudo. A minha rotina é bem tranquila. Gosto muito da natureza, de fazer trilha, de andar de bicicleta, e o Rio (de Janeiro) me oferece essa possibilidade maravilhosa. Vocês têm um país lindo e que eu posso tirar partido de tudo que é natureza no seu estado mais selvagem. É muito legal ir nas cachoeiras, eu sou muito ligado a isso e essa é uma cidade que me convida para esse tipo de coisa.

Observatório – Como surgiu a arte em sua vida?

Pedro Carvalho – Eu acho que desde sempre a arte fez parte de mim, está na minha vida desde que eu me conheço como ser humano, quando eu comecei a desenhar nas paredes ou no sofá da casa dos meus pais, quando fazia teatrinhos lá em casa. O meu pai gravava os filmes e cartuns em VHS e eu ficava vendo para imitar os personagens, usava roupas que eram parecidas com as dos personagens, imitava a forma como eles falavam, como bebiam café, como comiam, às vezes até levava bronca do meu pai (risos). A minha mãe sempre me incentivou. Eu fiz conservatório de guitarra clássica, fiz escola de desenho, e ela sempre me levou para ver exposições em Paris, Londres, Nova York… A gente sempre viajava com o intuito de ver arte, museus, espetáculos musicais. Desde criança eu tenho isso incutido pela minha família, embora eles não tenham nada a ver com isso. Meu pai é economista e gestor e a minha mãe trabalha na contabilidade das empresas do meu pai. Ela é professora, se aposentou do ensino secundário agora, onde era professora de contabilidade. Mas eles sempre incentivaram a minha vertente artística porque sempre perceberam que isso era importante para o meu desenvolvimento pessoal e humano. Tenho pais maravilhosos.

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Observatório – Como você lida com o assédio?

Pedro Carvalho – Eu trabalho em TV desde os meus 17 anos, já fiz 13 novelas em Portugal, teatro, cinema, dublagens. Esse assédio sempre existiu. Eu sou tímido, mas sou muito grato pelo carinho das pessoas, o carinho dos fãs. A gente trabalha para eles, são eles que fazem o nosso nome, eles são os nossos aplausos. Por isso eu respeito muito e tento dar o máximo de mim nessa receptividade. Muitas vezes eu fico envergonhado com o assédio das fãs, que são um pouco mais efusivas. Já passei por algumas situações caricatas, engraçadas, mas guardo com muito carinho e é bom que isso aconteça. Isso significa que as pessoas têm carinho pelo meu trabalho, tanto em Portugal quanto aqui. Agora estou experimentando esse assédio aqui e eu sou grato por isso.

Observatório – O Amaro é um personagem bem dúbio. Como foi para você criar esse homem cheio de nuances?

Pedro Carvalho – Foi um desafio maravilhoso. Desde o início, eu sabia que ele era misterioso e tinha segredos. Sempre me foi pedido pela direção que eu fosse um personagem ambíguo, que tivesse um mistério no olhar e eu acho que consegui porque o personagem teve uma volta gigante, teve muitas nuances com a Sophia (Marieta Severo) e com o Gael (Sérgio Guizé). O Amaro é muito ambicioso, calculista, e com a Estela (Juliana Caldas) ele conseguiu ser ardiloso, tentava tratá-la como princesa, mas todo mundo já descobriu que ele era um safado, que só queria o dinheiro dela. Agora, com essa mudança, ele perdeu seus alicerces e vai ter que lutar pela sobrevivência. Isso humaniza o personagem e me faz aproveitar outra vertente dele. Para mim, enquanto ator, é maravilhoso porque posso trabalhar várias camadas dele e mostrar mais de mim.  Às vezes, quando a pessoa passa por um problema, questiona toda a vida e, aquilo que parecia supérfluo, passa a ser o principal. Ou seja, aquilo que era secundário, como acordar e conseguir ver a luz do Sol ou receber o carinho de uma pessoa, ganha valor. Quando acontece esse problema sério com o Amaro, ele percebe que é realmente isso que importa, dinheiro não importa para nada! É muito legal ver essa transformação dele. Esse amor que ele sente, agora é sincero. O Amaro viveu tanto tempo falando mentiras, que acabou virando verdades.

Observatório – Você é muito bonito. Como lida com o rótulo de “galã”?

Pedro Carvalho – Muito obrigado pelo elogio (risos). Eu lido com esse rótulo como outro qualquer, não me importo de ter esse rótulo de galã porque me cabe em vários personagens, como também personagens de vilão. Um galã pode ser um vilão, não necessariamente um mocinho. A maior parte dos meus personagens foram mocinhos e o legal é que um galã pode fazer várias coisas. Como ator, gosto de ser camaleônico, ter a oportunidade de fazer isso.

Amaro (Pedro Carvalho) examina a pedra e Xodó (Anderson Tomazini) o orienta dentro da mina. (Divulgação/ TV Globo)

Observatório – Nos últimos capítulos que foram ao ar, seu personagem foi do Céu ao inferno em menos de 24 horas. Como você recebeu essas novidades envolvendo o Amaro?

Pedro Carvalho – Achei maravilhoso, adorei. Eu gosto de desafios assim, que coloquem o personagem nesse lugar de hoje ser uma coisa e amanhã ser outra. Isso faz a gente também ter essa ginástica e construir mais o personagem. Adorei o fato dele ficar cego, acho que é a redenção do personagem que o Walcyr (Carrasco) está fazendo. Ele vai ter que pagar pelo mal que fez, por ter sido aproveitador. Na novela, vocês vão perceber, ele vai falar um pouquinho do passado dele, que sempre foi assim e tal. É uma fase, tanto é que até no figurino ele está mais desarrumado, com a camisa mais solta. Ele não está tão preocupado com a aparência e isso tudo tem a ver com ele tentar se conectar com a sua essência e descobrir o que é amar. Ele vai se apaixonar de verdade pela Estela e eu acho isso muito bonito, ele vai mudar muito, vai se tornar mais humilde, mais atento aos pormenores da vida. Ele tenta sobreviver e, quando a pessoa tenta sobreviver, se torna mais humana.

Observatório – Qual foi a dificuldade de gravar as cenas do Amaro ficando cego?

Pedro Carvalho – Eu nunca tinha feito um cego e é muito legal fazer esse trabalho porque eu fiz toda uma preparação e muito laboratório. Estou contando com a ajuda da Andrea Cavalcanti, que é coach da novela, e recebido a ajuda do Instituto Benjamin Constant, que é uma escola para cegos. Aprendi a andar vendado com a bengala, a reconhecer objetos, e é muito difícil porque é uma realidade nova. Eu aprendi que não é que as pessoas cegas começam a ouvir melhor, é que há menos distração e o ouvido passa a ser a visão e a audição. Tem sido um trabalho muito gratificante nesse sentido porque tem me ajudado a desenvolver muito essa outra parte de mim como ator e a passar uma mensagem muito forte, que é que a pessoa que fica cega já adulta, acaba se descobrindo como pessoa e ser humano.

Observatório – O Amaro merece uma redenção?

Pedro Carvalho – Eu acho que todo mundo merece. O Amaro está tendo a dele e é legítima, uma redenção e tanto! Ele vai do Céu ao inferno, luta para sobreviver e merece uma redenção. Eu acho que todo mundo merece uma segunda oportunidade.

Observatório – Como foi gravar as cenas em que ele ficou preso na mina?

Pedro Carvalho – Teve uma sequência que a gente demorou seis dias para gravar e foi muito legal. Todo mundo foi muito parceiro, então a gente acabou se divertindo. Sempre rolava uma alegria no set para contrapor todo o drama da gravação. Acho que foi muito forte e essa energia passou para o lado de cá. Foi uma sequência difícil, mas muito prazerosa. Eu, pessoalmente, adorei fazer.

Observatório – Você está preparado para essa entrega do Amaro com a Estela? Já sabemos que eles vão casar e terão a primeira noite de amor…

Pedro Carvalho – Sim. Eu acho que esse é o culminar de uma história de amor, é muito bonito. Eu acho legal o Walcyr (Carrasco) ter escrito essa cena com o casamento, uma noite de amor. São duas pessoas, independentemente de a Estela ser interpretada por uma atriz com nanismo. O amor não escolhe nada, não escolhe cor, não escolhe sexo, não há preconceito. Preconceito e racismo, inclusive, são palavras que não entram no meu vocabulário e eu acho que não deveriam entrar no vocabulário de ninguém. Estou muito feliz com essas cenas.

Estela (Juliana Caldas) e Amaro (Pedro Carvalho) em O Outro Lado do Paraíso (Divulgação/ TV Globo)

Observatório – Como está sendo a troca com a Juliana Caldas?

Pedro Carvalho – Está sendo muito legal. É a primeira novela que ela está fazendo, então ela está se apoiando muito na gente, que já tem mais experiência. Eu acho muito legal essa troca que a gente está fazendo. Eu tenho aprendido muito com ela também. Desde a preparação, a gente troca muitas ideias, ensaia as cenas e tem essa parceria. Nós somos amigos dentro e fora de cena e isso facilita muito as coisas, é muito bom.

Observatório – Como está sendo a repercussão dos personagens nas ruas?

Pedro Carvalho – As pessoas me abordam muito, muito mesmo. As mulheres me chamam de portuga, de lindo, querem ser minha Estela, perguntam se eu estou mesmo apaixonado por ela, se eu tenho diamante para elas verem (risos). É muito legal, o pessoal tem muita criatividade e eu fico muito feliz com essa receptividade do público.

Observatório – Em outro encontro nosso, você falou que estava muito ansioso para gravar com a Fernanda Montenegro. Como foi?

Pedro Carvalho – Eu estava muito nervoso, não vou negar. Já gravei várias cenas com ela e agora é tranquilo, mas no início eu estava muito nervoso. Lá em Portugal a gente também tem uma grande atriz, à Eunice Muñoz, que já trabalhou com a Fernanda. Elas são amigas e eu me dou muito bem com a Eunice, então houve logo essa ligação. Basta olhar nos olhos da Fernanda que toda cena flui. É impressionante como ela é o símbolo da arte de representar. Ela é uma das melhores atrizes com quem eu já tive o privilégio de trabalhar e sou muito grato por isso.

Observatório – O público brasileiro respeita muito você, assim como respeita o Ricardo Pereira. Você imaginava que seria tão bem recebido?

Pedro Carvalho – Olha, eu tenho um carinho muito grande pelo público daqui, me sinto completamente em casa, muito amado e respeitado. Eu não esperava esse carinho, essa repercussão, mas ainda bem que existe porque eu espero que essa seja a primeira de muitas novelas aqui na Globo. Estou morando no Rio (de Janeiro), inclusive. O objetivo é firmar minha carreira aqui. Estou fazendo aula de fono para ver se eu consigo falar o português do Brasil e tentar mais oportunidades de trabalho por aqui.

Observatório – Estamos vivendo um período de grandes mudanças. Mesmo assim, o brasileiro não perde a esperança. Esse amor ao próximo te encanta de uma certa forma?

Pedro Carvalho – Eu acho que a gente vive numa era de luta, de guerra, mas por outros motivos. É pela política, pela ganância do ser humano, pela corrupção. Eu acho que é o momento de o ser humano estar mais unido. Para mim, as diferenças são qualidades e eu espero que isso, num futuro próximo, seja uma certeza absoluta para todos. Espero que todas as diferenças possam unir todos os povos, raças, etnias. Essa é a nossa missão enquanto ser humano e eu, todos os dias, tento ser um ser humano melhor do que fui ontem.

Observatório – Para você, que sempre foi fã do Walcyr Carrasco, é um sonho participar de uma trama dele?

Pedro Carvalho – Muito! Eu não esperava nunca que isso pudesse acontecer. Eu sou muito fã do trabalho dele. Algumas novelas dele passam em Portugal e são um sucesso. Eu gosto da forma como ele desenvolve a trama. Para mim, estar fazendo uma novela das 21h com um personagem desses é muito gratificante. E o Mauro (Mendonça Filho), que é um diretor que eu gosto muito, curiosamente, em 2012, estava disputando o Grammy com uma novela que eu participei lá em Portugal. A gente perdeu para a novela dele e eu nunca imaginei que trabalharia com esse diretor agora! É muito louca essa coincidência do universo e eu só tenho a agradecer. Espero que o Walcyr (Carrasco) me chame para outros trabalho dele, seja seriado, novela, o que for. Se eu já era fã, agora fiquei mais ainda.

Estela (Juliana Caldas) e Amaro (Pedro Carvalho) em O Outro Lado do Paraíso (Divulgação/ TV Globo)

Observatório – Após a trama, quais serão os seus projetos?

Pedro Carvalho – Não tenho projetos ainda, espero que surjam. Vou continuar morando aqui (no Rio de Janeiro), tentando firmar minha carreira aqui. Espero que surjam novas oportunidades nessa emissora que me acolheu tão bem.

Observatório – O que tira você do sério?

Pedro Carvalho – Injustiça, desonestidade, falsidade e mentira. Essas são coisas me tiram do sério.

Observatório – Qual final você deseja para o Amaro?

Pedro Carvalho – Acho que a redenção dele e o casamento que já vai acontecer. Um final feliz, com filhos, e ele aprendendo muito com essa mudança que aconteceu na vida dele.

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