Letícia Lima revela semelhança com sua obsessiva personagem em Amor de Mãe

Publicado há um ano
Por João Paulo Reis
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Em Amor de Mãe, nova novela das 21h que estreia no próximo dia 25 de novembro, Letícia Lima dá vida à piloto de avião Estela. A jovem empoderada apesar de jeito racional, e até duro no trabalho, demonstra grande fragilidade quando o assunto é sua vida pessoal, tudo por causa de Raul, personagem vivido por Murilo Benício.

Ela mantém um affair com o empresário mesmo sabendo que ele é casado, o que não a deixa confortável, segundo sua intérprete. Quando o coração de Raul começa a bater mais forte por Érica, de Nanda Costa, Estela passa a mostrar uma nova faceta, completamente obsessiva.

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O Observatório da Televisão conversou com Letícia Lima durante a festa de
lançamento da novela, para saber mais sobre a personagem, sua construção, e
como foi para ela o convite para integrar a trama, já que estava estudando nos
Estados Unidos na ocasião. Confira:

Como veio o convite e o que mais a
seduziu na personagem?

Estava morando em Los Angeles, e tomei
um susto com o convite porque é um produto que eu queria muito fazer, e todo
mundo queria fazer. A novela ia acontecer, e rolou A Dona do Pedaço antes, e Amor
de Mãe veio tomando forma. É um projeto que estava sendo muito esperado, e com
muita expectativa. Eu já queria fazer um teste, qualquer coisa para tentar
estar no projeto e trabalhar com o José Luiz Villamarin (diretor), e com a
Manuela Dias (autora), com quem nunca trabalhei, e estava focando em mim, sem
expectativa nenhuma quando veio o convite.

Você acha que quando não está
preocupada com uma coisa, o universo trabalha a favor?

Sei lá. Eu acho que tem de tudo. Você falou,
e a palavra universo para mim é a mais forte que existe. Eu foquei na minha
carreira, e no momento que eu consegui parar para estudar, foi quando fui
convidada para fazer um projeto que eu queria tanto, então tem tudo a ver.

Você morou quanto tempo fora?

Três meses mais ou menos.

Fala mais sobre sua personagem…

Eu faço a Estela, uma piloto de avião
poderosíssima, chiquérrima, feminista, a frente do seu tempo, independente,
livre, fala milhões de idiomas, já morou em milhões de lugares, voa o mundo
todo e tem uma paixão maluca e obsessiva pelo Raul, personagem do Murilo Benício.
Eles começam juntos na novela, então entende-se que são um casal, mas ela é amante
dele, porque ele é casado, mas eles se amam. Depois o Raul se apaixona pela
Érica, que é personagem da Nanda Costa.

Como Estela vai receber essa notícia
de que vai ser deixada de lado?

Estela perde totalmente o chão, fica
irracional.

Como foi para você encontrar o tom
dessa mulher que extrapola tanto o limite do amor?

A primeira coisa que fiz foi pesquisar
mulheres que precisaram se tratar quando a paixão e o amor se tornavam algo não
saudável para elas, quando anulavam a própria vida em prol disso. Então conversei
com muitas mulheres, e existe um grupo, um fórum de mulheres que conversam
sobre, e botam para fora.

O que te surpreendeu conversando com
essas mulheres?

Todo mundo quer se curar, todo mundo
ali entende que é um vício e é necessário um processo de cura. Mas ao mesmo
tempo é muito confuso porque o amor é uma coisa tão positiva e tão bonita, que
é difícil perceber quando deixou de ser um amor saudável. O amor tem um quê de
não saudável em alguns momentos na relação, mas quando isso se torna o padrão,
é um sinal de alerta.

Você já passou por alguma situação parecida?

Nunca nada parecido. Inclusive acho que essa é uma das coisas que me difere da Stela. Eu tenho igual a ela a coisa da liberdade, tenho vontade de falar milhões de línguas, sou independente, gosto de viajar, tudo isso… Gosto de morar sozinha, preciso ter meu canto, mas essa questão obsessiva passional, que chega no dodói, eu não tenho.

A Estela é ciumenta?

Ela é.

Como você é nessa questão?

Sou bem tranquila, acho que até mais
que o padrão, digamos. Eu ter problemas na relação por causa de ciúme nunca
aconteceu. Tive ciúmes pontuais, mas o contrário já aconteceu, de a pessoa ser
muito ciumenta.

Você fez o quê? Deu um basta?

Não. Eu faço análise há muitos anos e
nada para mim é tão simples. Eu estudo a profundidade daquilo ali. Quando eu percebo
algo desse tipo eu uso como gatilho para a minha profissão. Estar em contato
com esse tipo de emoção é importante para a profissão porque como eu não tenho
algo assim, eu vejo aquilo como forma de enxergar para onde é aquele buraco que
a pessoa vai.

Você já disse ‘não’ a muitos personagens?

Eu sou muito sortuda. Essa é a minha
segunda novela. A primeira (A Regra do Jogo) foi um convite do João Emanuel
Carneiro (autor), a segunda foi um convite do Zé (José Luiz Villamarin) com a
Manu (Manuela Dias), e dou sorte de ganhar esses personagens. Aliás, não é só
sorte, mas é tudo junto, muito universo.

Segunda novela, e segunda no horário
nobre. Cinema e teatro são campos que você também caminha com facilidade?

Sim. Cinema eu tenho filmes que já
lancei, alguns que vou lançar ainda entre esse ano e ano que vem. Um com o
Marcelo Adnet (O Pulo do Gato), tenho o filme do Fábio Porchat, cujo nome não
foi definido ainda, tem o filme Quem Vai Ficar com Mário.

Voltando à novela, qual a importância
de trazer para a tela uma mulher tão empoderada como a sua personagem?

Toda, inclusive esse contraponto de ela ter o lado emocional tão frágil e fazer coisas não tão aceitáveis hoje em dia, como fazer mal a outra mulher por exemplo, não ter sororidade, zero sororidade, são legais para o público acompanhar essa virada, e apontar exatamente onde aquilo deixou de ser saudável.

Se ela fosse sua amiga, o que você falaria
para ela?

Tenho pouco material da Stela, mas na
real, eu diria para ela fazer terapia. A vida não tem resposta e solução para
muita coisa, mas a terapia, e a conversa são o início.

Para ela é tranquilo se envolver com um
homem casado?

Não é. Ela ama e o amor é a coisa mais importante na qual ela se agarra. Isso tudo é por conta do amor, e por isso está na situação. Ela engole aquilo, mas não acha confortável.

Você está namorando?

Quem falou? Gente, eu não vou falar
disso porque não vou dizer se estou ou não. Estou feliz, e isso diz respeito só
a mim…

Você aceitaria uma condição de
relacionamento assim?

Eu acho muito difícil conseguir lidar
bem com isso. Como tenho a inteligência emocional num outro lugar que o da Estela,
eu acho que naturalmente eu percebendo que uma coisa está ficando tóxica, eu já
iria dar uma tratadinha. Não posso dizer que ‘sim’ ou ‘não’, mas tentaria
tratar. Eu trato qualquer coisa gente, não trataria isso? (risos).

Como foi fazer as cenas profissionais
da Estela?

Eu rodo muito num jatinho, e sei básico
para simular o pouso, e a decolagem, então o público vai ver cenas que eu sento
na nave com headphone, mas nada além disso. Eu teria que estudar sete anos se
quisesse realmente pilotar um avião. É uma formação longuíssima!

Você chegou a tentar mexer de verdade
na aeronave?

Não. Quando gravamos, o jatinho está
lá paradinho no hangar, não gravamos com ele no ar, somente parado. Teve um
piloto que me ensinou o básico que eu precisava aprender para a personagem. Não
aprofundei muito na relação como piloto, mas no emocional da personagem sim.
Tive preparação com a Tatiana Lena, que é incrível, e fomos muito nessa questão
da Estela.

*Entrevista
feita pelo jornalista André Romano

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