Débora Olivieri fala sobre a redenção de Graziela e cenas nas quais maltrata a filha: “Dói fazer”

Publicado há 9 meses
Por Guilherme Rodrigues
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No ar em Salve-se Quem Puder, trama das 19h de Daniel Ortiz, Débora Olivieri falou em entrevista ao Observatório da TV sobre a sua personagem no folhetim, a Graziela Máximo, mãe de Alexia (Deborah Secco) e Petra (Bruna Guerin).

Fale sobre a sua personagem na novela?

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Graziela é uma mãe completamente diferente de mim. Rica, com joias, usa animal print, coisa que eu detesto, mas que para a personagem quando eu ponho me baixa aquela mulher chique, elegante, cheia de sedas. Eu sou uma hippie, eu diria, e eu componho os meus personagens de fora pra dentro. Eu preciso por um sapato, uma roupa, aí ela já fica. Mesmo em casa, que a gente fica mais descontraído, ela tem um porte.

Faço uma ex-modelo que teve que abandonar a carreira porque engravidou da Alexia. Então ela trata uma filha mal em detrimento da outra, que é uma vilãzinha. Contracenar com as duas, Deborah e Bruna, me dá um prazer tão grande. São duas atrizes diferentes, cada uma com um humor diferente. Deborah com muita experiência de televisão e Bruna de teatro.

Essa personagem, que é difícil, que é uma mãe que trata mal uma filha, isso me dói fazer, mas é legal você por uma verdade numa coisa que é incompatível para uma mãe que sou eu. Me dá muita aflição. Eu sou uma mãe péssima na novela, mas que vai se redimir mais pra frente, não posso falar muito.

É uma novela leve, divertida. Eu olho e acredito naquela história, um pastelão, uma coisa leve. E nunca vi tanto gancho. Daniel Ortiz escreve de uma maneira impressionante. Você termina uma cena e já quer ver a outra. Você realmente não quer sair da televisão, quer ver o que vai acontecer. Quando me chamaram para fazer a novela, já aprovei pelo nome antes de conhecer o texto.

Ela reconhece que a filha Petra é uma vilã. Você acha que ela vai sofrer com essa herdeira?

A gente está um pouco mais adiantado do que está no ar. A Graziela já reconhece. Você tem que fazer o que está escrito, independente se você aceita ou não aquela realidade. Como que pode uma mulher ser tão boba? Pode, né? Existem seres humanos assim. Otávio Augusto, que faz o meu pai, que ator magnetizante. Ele olha com um olhar… Por sorte, eu tenho um núcleo que me magnetiza, e o público compra.

A questão da Petra querendo o dinheiro do avô, isso vai pegar também?

Teve uma cena que ela pediu para o pai assinar um cheque e a mãe não deixou. A mãe está ligada, ela tem breves momentos de lucidez de ver que a filha está armando. Não sei também até que ponto, se é pra não gastar todo o dinheiro e ela não poder comprar as joias. Eu tenho que dar um pouco de duplo sentido. Se ela está aceitando ou não, até onde, né? E como a novela é aberta, a gente não tem também o futuro dela. Então eu tenho que dar muito suavemente o texto para dar outra dimensão também.

Dá para perceber que você faz o seu trabalho com amor. Como você recebe isso do público?

Quando eu saí de Chiquititas, vim para fazer um teste [na Globo]. Eu quis sair, pedi, porque eram três anos fazendo a mesma coisa. E quando eu estava ‘desovando’ após quatro anos em Buenos Aires, eu recebi um convite para fazer um teste em Terra Nostra, para fazer a mãe da Maria Fernanda Cândido. Aí vim, fiz o teste no Rio de Janeiro e fui para São Paulo montar o meu apartamento. Três meses depois eu recebi a resposta do teste e me mudei pro Rio para fazer a novela.

Desde 1999 eu nunca tive contrato, sempre faço por obra. E faço uma novela por ano, a princípio era sempre um personagem de época. Nunca fiz um papel contemporâneo. E eu gosto de fazer trabalho de composição. É muito mais difícil fazer esse papel que estou fazendo. Por isso aparento estar mais bonita. Eu só faço mãe de protagonista das mais lindas. Maria Fernanda, Marina Ruy Barbosa. Eu amo trabalhar, amo dar a vida aos personagens que me dão e faço o que me pedirem.

Você acha que a morte da Alexia vai ter um poder transformador na Graziela dela repensar a vida e as atitudes como mãe?

Vai. Se ela pudesse voltar atrás… Ela tem uma humanidade, não é uma carrasca e nem uma vilã, mas errou como mãe. E eu acho isso muito legal, ela ver que não foi legal com a filha. Isso vai me ajudar muito, vai dar muita verdade.

Ela é vítima do capitalismo?

Pode ser que seja. O luxo… Quem não é? Quem tem, sempre quer ter mais.

Você tá com o rosto muito bonito. Você fez algo?

Pois é, tá todo mundo perguntando se eu fiz plástica. Eu queria fazer, mas não fiz! Eu fui na dermatologista, eu fiz 62 anos e me deu vontade [de fazer plástica]. Eu disse que começava a gravar a novela em novembro e ela falou ‘esquece, não vai ficar bom’. Eu não fiz nada ainda, mas quero fazer. Tô fotografando bem, até eu me olho e penso que tô muito linda [risos]. Não sei, acho que é o espírito, a felicidade, o amor, o trabalho. Não fiz nada, pode ver que não tem nenhuma cicatriz.

E como está o casamento?

Pois é, o meu holandês, que está lá [na Holanda] agora, foi embora faz uma semana. Estamos ótimos, felizes. Acho que esse é o segredo, ele ir e vir. A gente fica no máximo cinco semanas separados, não mais que isso, a gente não aguenta. Mas ele veio com uma conversa que quer ficar, mas com o país do jeito que está. Talvez a gente faça uma experiência depois que acabar a novela.

Vou ficar dois meses, também não consigo ficar mais que dois, mesmo sendo uma delícia estar na Europa. Falar inglês o tempo todo é ótimo, eu aprendo, mas eu não sou eu. Falta meu senso de humor. Chega um momento que eu quero voltar, trabalhar, sou muito workaholic, já fico recebendo uns convites e isso vai me dando ansiedade pra voltar. Mas nós estamos muito bem. Agora ele ficou nove semanas e foi muito melhor do que o menor tempo que a gente já ficou juntos. Ele está mais independente. Tá tudo perfeito no trabalho, amor, filhos, netos, tudo lindo.

*entrevista feita pelo jornalista André Romano

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