Com personagem na série Filhos da Pátria, Johnny Massaro adianta detalhe sobre sua próxima novela

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Ator de O Filme da Minha Vida, de Selton Mello, Johnny Massaro viverá Geraldinho na série Filhos da Pátria, escrita por Bruno Mazzeo e que tem estreia agendada para setembro na TV Globo. Seu personagem, um jovem em busca de um objetivo na vida em plena era da independência do Brasil é um dos muitos reflexos da política atual que a série propõe. Johnny conversou com nossa reportagem durante o evento de lançamento da série. Confira o bate papo:

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Como surgiu o convite para a série?

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Eu estava em São Paulo rodando um filme que deve estrear esse ano ainda, e a produtora de elenco me ligou. Falou da Nanda (Fernanda Torres), do Matheus Nachtergaele, que fiquei muito nervoso ao encontrar porque sou extremamente fã, e eu falei “Ta ok, me manda e eu vou ler”. Quando li, falei “Vamo fazer”.

Como foi a sua composição?

A gente bateu uma bola com o diretor, e ele me deu a dica de ficar atento ao texto, de estar com ele estudado para conseguir saltar. Como o texto é bom, foi fácil.

Você acredita que o Geraldinho é o começo do malandro carioca?

O malandro mais que carioca. Meu personagem tem uma identificação profunda com o brasileiro e estou apaixonado pela série porque nada vem de hoje. E existe esse ponto de partida que é a independência e o Brasil, acho lindo, e ao mesmo tempo muito triste a gente se reconhecer nessas figuras.

Ele é um jovem sem causa, ele vai encontrar alguma?

Esse é o grande barato do Geraldinho, ele não tem causa, aliás, ele tem, mas é tudo tão superficial… No episódio 5 por exemplo, ele encontra um índio, e ele praticamente adota o índio e diz “abracem a causa indiana” (risos). Ele é um cara que só responde às necessidades básicas: fome, sono, sexo. Outras coisas mais sutis e profundas não passam por ele. Um reflexo disso é que ele não quer estudar, mas onde a gente chega sem educação, sem cultura e sem senso crítico? Durante esses 12 episódios, ele não só vai ficar gritando como vai se tornar o primeiro deputado constituinte do Brasil. Eu acho que o Bruno Mazzeo acerta muito nos paralelos que ele faz com o cotidiano, no contexto histórico, e no percurso do personagem que começa de uma maneira e termina lá em cima se achando dono de tudo, como esses caras acham que são, quando na verdade eles deveriam estar servindo à população.

As gravações foram em dezembro passado, não é? Como foi para você lidar com esse figurino?

Cara, foi sofrido. Com o figurino da época você pensa “Não é possível que fizesse menos calor naquela época para as pessoas se vestirem dessa forma”, mas é aquela loucura de Jacarepaguá, calor, e aquela roupa pesada e você tentando se hidratar.

Mas em Meu Pedacinho de Chão também você passou um aperto com aquele figurino no calor não é?

O Facebook me lembrou esses dias que fez 3 anos que fiz a novela, mas em Meu Pedacinho de Chão acho que era mais tranquilo, talvez por ter mais mato, e eu também não usava roupas de plástico. A galera que usava plástico tinha que usar um sistema de refrigeração interno.

Você tem feito papéis muito diferentes e fora do lugar comum. Como você vê isso?

Eu acho que é um misto muito feliz de sorte, porque ficamos muito a mercê de alguém olhar para gente e falar “Acho que você pode fazer isso”, e felizmente eles têm achado que eu posso fazer certas coisas.

Como você escolhe seus trabalhos?

É uma cagada (risos). Felizmente hoje em dia já consigo escolher, então acaba que são mais convites, e eu não tenho tanto tempo para aceitar tudo, então escolho pela emoção que o texto me causa ao ler. Aquela coisa de pegar o texto e perceber “Opa, tem coisa aqui”, e geralmente prefiro me envolver com personagens que adicionem positivamente na ordem das coisas. Por mais coisas ruins que vemos no jornal, acho que tem coisas maravilhosas acontecendo e se essas coisas maravilhosas também passassem no Jornal Nacional, a gente inconscientemente teria mais poder para agir no positivo.

Johnny Massaro, Fernanda Torres, Alexandre Nero e Lana Tremoroux em cena de Filhos da Pátria (Divulgação/ TV Globo)

E você é um rebelde sem causa como seu personagem?

Eu não sou rebelde, mas tenho me envolvido muito com a causa do outro. Não tenho conseguido acompanhar muito as informações que saem, apesar de sermos frequentemente invadidos com algumas coisas, e sinceramente não acredito na ordem das coisas como estão acontecendo, e fico pensando no próximo passo da humanidade, em relação ao amor. É impossível chegar no outro sem percorrer o caminho dentro de você mesmo.

Como você consegue conciliar todos esses projetos?

Tem muita terra no meu mapa astral (risos). Sou do signo de capricórnio e tenho 6 terras no meu mapa. Coincidentemente agora tudo que fiz está sendo lançado então parece que fiz tudo ao mesmo tempo, mas não foi assim.

Como foi trabalhar com o Alexandre Nero?

Eu já tinha trabalhado com ele em A Regra do Jogo, mas nossos personagens não se relacionavam. Eu adoro a maneira como ele existe no mundo. Ele fala mesmo e isso é muito precioso hoje em dia. Ficamos tão preocupados em agradar os outros que acabamos deixando de dizer coisas. Fora que ele é um grande ator, então foi uma delícia porque na série conseguimos estar mais próximos.

A série fala de uma coisa muito grave no Brasil, mas nos chocamos ao dar de cara com isso. Como foi para você ler isso?

Eu acho maravilhoso a gente tentar ter uma visão distanciada das coisas, nada que estamos vivendo no Brasil começou ontem nem anteontem, começou no primeiro homem. Está dentro da gente. Se a corrupção existe é porque ela é um desejo subversivo de sobrevivência, de querer ter mais que o outro. A gente tem que pontuar certos começos, e a colonização é uma espécie de começo, que destruiu a América Latina, e continua destruindo. É ótimo poder fazer paralelos que o Bruno faz muito bem e ao mesmo tempo é absurdamente deprimente.

Já passou por uma situação que tentaram te corromper?

Tem as clássicas de policiais, mas é muito chato você ter medo e às vezes raiva da pessoa que supostamente deveria te proteger. Acho que o tempo inteiro estamos lidando com a corrupção do outro e a nossa própria.

A Fernanda falou que a série é de época, mas fala de uma realidade tão próxima que parece que só mudam as roupas. Você sentiu isso?

Totalmente. Acho que é por isso que a série vale a pena, porque faz esses paralelos com agora e você consegue se reconhecer nas situações

Tem algum projeto em breve?

Partiu Paraguai, filme que fiz com a Bruna Linzmeyer, Todas as Razões para Esquecer, filme do Pedro Coutinho que rodei recentemente e novela, estarei em Deus Salve o Rei, que é uma novela medieval que vai falar sobre a questão da água, Tatá Werneck será meu par romântico. Meu personagem acaba virando rei, porque o irmão mais velho dele que é o Renato Góes acaba abandonando o título de nobreza para casar com uma plebeia, e ele tem que assumir o reino. O texto é hilário.

*Entrevista realizada pela jornalista Núcia Ferreira

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