Claudia Mello conta tudo sobre Zu, sua personagem em A Força do Querer

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Claudia Mello é a empregada Zu, em A Força do Querer. Veterana em comédias como A Diarista e Três Teresas, a atriz contou em entrevista ao Observatório da Televisão como foi fazer a composição de uma personagem sem as tintas do humor, e com a doçura característica de uma protetora da família. Ela ainda falou sobre sua amizade com Claudia Rodrigues. Confira:

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Como você montou essa Zu tão doce?

Eu tenho feito comédias, e esse diapasão desse personagem é diferente. Ela é muito amorosa, foi criada nessa família desde sempre cuidando de todos. Para mim, foi um desafio nesse sentido de economizar gestos, porque tem os gestos funcionais dela, que enquanto governanta de uma família abastada, tem uma função que é ser delicada, elegante, receber as pessoas. Em contrapartida, ela dá pitacos em tudo, porque ela adora esses meninos como se fossem seus filhos, com muito amor. A acho profundamente amorosa, e gravar com esse núcleo é muito legal nesse sentido, porque são atores dedicados. Recebemos o texto, que é muito bem desenvolvido. A Gloria Perez escreve de forma brilhante, então, quando vamos ensaiar não temos personalismos, interagimos, decoramos e buscamos esse todo. É um trabalho vigoroso nesse sentido. O coach foi pautando comigo o ritmo, e me dava um feedback, me esclarecendo num grau que fui ficando contente com esse processo, e veio o resultado que está agradando, ela não faz ruído, aliás, ninguém na novela. Inclusive, muita gente tem me dito isso, o quanto a novela é redonda. É uma equipe incrível, Papinha (Rogério Gomes, diretor geral) extraordinário, não estou babando ovo nem nada, mas acho a fotografia dele fantástica. Não tem muita pirotecnia, mas ele vai lá e conta a história, os outros diretores, os câmeras, todos muito competentes. E o resultado reflete na audiência maravilhosa. Estava falando com o Dan (Stulbach) e ele me disse que a nossa audiência é a maior do mundo. Em outros países, Estados Unidos, México, os programas não dão 45 pontos, e isso nos deixa empolgados. É um prazer enorme, um desafio enquanto trabalho, aprendo a cada dia e ter descoberto essa senhora em mim foi muito importante como atriz.

Sua personagem cresceu muito na trama, né?

Não importa o que é o personagem, mas o ator transforma ele em grande. Esse é um dos fundamentos. Para nós atores, não interessa o tamanho do personagem. Você entende o personagem e leva ele adiante, e a Gloria fez essa gentileza de escrever várias cenas para mim, algumas muito contrastantes. Temos que mergulhar no personagem e sem se importar com papel maior ou papel menor.

Ela é meio conselheira daquela casa, não é?

Ela não tem uma cultura vasta, mas ela tem uma cultura da vida, da observação.

Você gosta de dar conselhos? As pessoas te procuram para isso?

Eu, Claudia, não costumo dar conselhos não. Mas a Zu gosta de falar com os meninos, tenta harmonizar a casa, e acho isso bonito.

Parece que a Zu representa um tipo de avó, ou talvez uma vizinha próxima que está ali querendo o bem daquelas pessoas, não é mesmo?

É a tal sabedora popular. A Zu tem a função de ser identificável por várias pessoas. É um apoio que ela faz a diferentes camadas de telespectadores.

Você fez por um tempo A Diarista, que foi um grande sucesso, e continua fazendo sucesso nas reprises. Você ainda tem contato com a Claudia Rodrigues?

Tenho sim. Ela está muito bem, nos falamos de vez em quando. Ela fez operação com as células tronco nos Estados Unidos e digamos que num grau de 1 a 10, com a operação ela regrediu para o número 5 e agora está fazendo trabalho de recuperação maravilhoso. Ela fala, raciocina, e está muito bem, o que me dá uma alegria enorme, porque a gente torce muito por ela. Uma atriz maravilhosa, divertidíssima, e passou por esse sufoco dessa doença, e até onde nos falamos, sei que ela está ótima. Esperamos que ela volte logo.

Foi um susto esse problema dela, né?

Foi um susto para todos nós e muito traumático também. Teve uma época em que ela ficava muito nervosa, inquieta, pois ela já sabia da doença, mas antes de ser realizada a operação, tudo isso foi muito difícil para ela. As pessoas ficavam apavoradas, pois ela tinha alguns surtos sazonais, dificuldades na fala, mas agora está livre disso.

A Zu já sacou que a Ritinha tem um segredinho que pode ser algo ruim para a família. Como imagina que vai ser a reação dela?

Eu realmente não sei como vai ser, e não tenho a menor ideia porque ainda não temos esses capítulos. A gente discute e negocia quando está próximo da cena. Eu não quero nem ter ideia, porque o bom é o frescor de entrar na cena sem pré-conceber. Eu não acredito nessa coisa de entrar em cena já com a reação preparada, quem nos dá o subsídio é o outro ator em cena. A gente resolve na ação. Vieram emoções incríveis quando a Ivana se demonstra um rapazinho, eu fiquei preocupada, maravilhada, e pensativa em como seriam as reações desses pais, é uma amalgama que vai surgindo. Se você pensar “Vou ficar muito assustada”, na hora não funciona, o bonito é ter esse frescor durante a realização da cena. A Ritinha (Isis Valverde) me preocupa por estar sendo malvadinha. Gravamos cenas em que ela e a Marilda se tornam até um pouco perigosas, fico preocupada porque não quero que Ruy seja enganado, e venha a sofrer. Adoro a Ritinha, ela é encantadora, mas ainda não sei.

Como é a recepção na rua?

Fico muito feliz de as pessoas chegarem para falar comigo coisas como: “Queria você na minha casa, já falei para o meu marido”. As pessoas amam a Zu, é um bom personagem numa novela extraordinária, não só pedem autógrafo, mas se identificam com ela, se encantam por ela ser muito amorosa. É um papel gratificante nesse sentido.

Você tem alguma empregada na sua casa?

Tenho a Dona Maria que trabalha na minha casa há 30 anos e amo. Minha casa é muito mais simples que a dos Garcia, mas ela é uma cozinheira maravilhosa. Cuidou dos meus filhos, cuidou de mim e a quero muito bem. O que eu puder fazer por ela, vou fazer. Tem uma característica dela que acho lindinha, que ela nunca sai da postura de funcionária da casa, nesse sentido ela é parecida com a Zu. Eu falo com ela: “Para com isso Maria, o tempo da escravidão já acabou”, porque conversamos muito, mas ela sempre fica na dela, não avança sinal. Eu fico emocionada, porque ela é tão sábia, e muito mais atenta. Ela não mora na minha casa, tem netos e filhos para cuidar.

Como é trabalhar estando na melhor idade?

É extraordinário, ainda porque depois de certo tempo você tem maior maturidade cênica. É uma coisa de você servir à obra. Se você tem uma obra que atinge as pessoas de um jeito reflexivo e bacana, não tem coisa melhor. Fora que você está ali ganhando seu dinheirinho dignamente. Eu acabei de fazer um filme com o Paulo Betti, chamado Uma Noite Não é Nada, mas não é um filme pornô (risos). Tudo o que eu quero se Deus quiser, é trabalhar até ficar bem velhinha.

A visibilidade na novela das 21h abre muitas portas?

Abre de certa forma, mas é preciso filtrar os trabalhos. Eu acho essa novela estupenda, não deveria nem comentar por ser parte do processo, não sou eu quem tem que achar e sim o público.

A Gloria parece beber um pouco da fonte da Janete Clair, não é?

Ela bebe dos grandes autores, e ela escreve lá sozinha no apartamentinho dela. Imagina? É um trabalho feito com muito amor, porque não deve ser brincadeira enfrentar tudo isso. Ela passou por muitas dificuldades na vida, mas acho que Deus lhe deu esse alento. Acho escrever uma coisa maravilhosa. Eu assisti a um filme sobre transgêneros, um filme absurdamente bom, que o autor coloca a trans como um ser belo e todo o entorno dela como uma sociedade decadente em profunda dificuldade, e é lindo ver aquele ser tão amável. Falei com a Carol (Duarte), e ela vai até assistir, e a Gloria fez isso com a Ivana. Veja como a Ivana encantou o público. Fico comovida com a Carol dando esse show, o Mister Dan que é fantástico. Maria Fernanda é uma atriz dedicada, estudiosa, muito focada, esse amor de pessoa e linda, né? Eu levo um susto com aquela beleza, com aquela pele. Que mulher deslumbrante. Estamos no céu nessa novela.

*Entrevista realizada pela jornalista Núcia Ferreira

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