“Busquei fazer algo singular”, diz Guilherme Leicam sobre o Mão Santa de A Dona do Pedaço

Publicado há um ano
Por Felipe Brandão
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Um novo personagem surgiu para causar rebuliço no núcleo paulista da novela A Dona do Pedaço. Com rosto de anjo e mira certeira dos mais hábeis pistoleiros, o enigmático Mão Santa chegou a São Paulo para cumprir com a encomenda que Chiclete (Sérgio Guizé) não foi capaz de realizar: dar cabo da vida de Vivi (Paolla Oliveira).

“Estou ansioso para ver se o Mão Santa ficou do jeitinho que o Walcyr esperava, porque por mim foi feito com todo o carinho. A cena vem escrita de uma forma, e a gente pode fazer de 20 formas diferentes. Busquei fazer algo singular”, afirma o intérprete do personagem, Guilherme Leicam – que, aliás, também torce pela possibilidade de uma relação gay do rapaz com Agno (Malvino Salvador).

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

“Eu, sinceramente, acho que o Mão Santa merece o amor, porque todo mundo nessa novela ama alguém, quer alguém ou sofre por alguém. Ele está sozinho no mundo, e precisa encontrar o lugar dele”, analisou.

Confira a seguir nosso bate papo completo com o novo galã das 21h.

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – Como é chegar assim com a novela bombando?

GUILHERME LEICAM – Eu tive mais tempo para estudar – aqui a correria de gravação é grande -, e eu assisti à novela que vem numa crescente muito bacana. Estou entrando em um momento especial, em que o Chiclete não consegue matar a Vivi. A missão do justiceiro é fazer justiça, então o Mão Santa está aí para fazer e acontecer essa encomenda. Estou muito feliz com a forma como o Walcyr escreveu esse personagem porque ele é um imortal pela Academia Brasileira de Letras. Ele não escreve clichê. Então se a gente pensa que matador tem cara de mau, olha para a minha cara. Também não tenho lá aquela cara de anjo. Esse personagem caiu como um presente, porque as gravações começaram no dia do meu aniversário. Estou ansioso para ver se o Mão Santa ficou do jeitinho que o Walcyr esperava, porque por mim foi feito com todo o carinho. A cena vem escrita de uma forma, e a gente pode fazer de 20 formas diferentes. Busquei fazer algo singular.

Você acompanhava a novela?

Todos os dias, quando eu perdia, eu assistia depois pelo Globoplay, e para entender também a relação dos personagens. Não é como fazer novela do começo. Pegar no meio tem essa responsabilidade de andar junto com a galera que já está afiada.

Armado e perigoso

Como foi o preparo para viver um cara que pega em arma?

Andar armado já é uma discussão bem interessante neste momento do nosso país. A gente sabe a responsabilidade que tem. Eu já atirava, quando praticava air soft, e o personagem se chama Mão Santa porque ele não erra o tiro, é o mais habilidoso da família, mas ele é o mais novo. Mandaram o mais velho primeiro para ele conseguir se dar bem na cidade grande, porque uma coisa é matar alguém no campo, que você chega a cavalo, só está o cara atrás da moita, você atira e acabou – mas na cidade tem a polícia, testemunhas, câmeras, celulares, e fica mais difícil. Mão Santa é um cara que creio que se sente pronto para tudo. Eu falo que eu vinha lendo ele e sentia que ele tinha uma superioridade, narcisista para tudo. Não é um psicopata, mas ele foi criado dessa forma e, quando chega em São Paulo, vê que tudo é diferente do interior do Espírito Santo. Temos que ter todo um cuidado, cuidado com o sotaque para não ficar muito regional, ou carioca demais. Li também alguns livros sobre assassinos, porque queria entender alguma coisa. Todo ator quer quer gostem do seu personagem, mas como fazer alguém gostar de um cara que mata? Quem tem o direito de tirar aquilo o que é mais valioso, que é a vida? Tentei encontrar razão nele, por que ele é aquele cara? Mão Santa vai surpreender porque não tem uma aparência frágil, você não dá nada por ele, e depois a gente vai se surpreendendo. A gente fica ansioso pelo próximo capítulo.

Romance inesperado

Com a morte do Cosme, o Mão Santa vai ficar livre da missão e vai se envolver com o Agno, né?

Eu ouço falar isso aí até porque o Agno já assumiu a relação dele. O Mão Santa não tem nenhum tipo de relacionamento com ninguém até então. Ele chegou nesse ambiente da academia em que Rock e Agno estão, vai arrumar um emprego lá, porque quer mudar de vida. É um cara que perdeu o pai cedo, foi criado por uma família de justiceiros, mas não se sente um cara com aquele destino de continuar sendo um matador. Vão ter cenas com a Marlene e Antero em que ele pede uma oportunidade para mudar de vida. Torço para que o Agno tenha a chance de ser feliz.

Você, como ator, gostaria que esse envolvimento entre Agno e Mão Santa acontecesse?

Como ator é uma experiência fantástica porque sou um ator de composição, gosto de desafios, e me sinto pronto para qualquer desafio que vier. E quero história, quero bagunça, que as coisas aconteçam para ele. Hoje a gente fez cenas que o Leandro começa no emprego já fazendo burrada, que começa querendo dar o seu máximo e acaba se atrapalhando. Eu sinceramente, acho que o Mão Santa merece o amor, porque todo mundo nessa novela ama alguém, quer alguém ou sofre por alguém. Ele está sozinho no mundo, e precisa encontrar o lugar dele. Eu sou bem parecido com ele, embora eu não tenha sido tocado de casa. Eu saí do interior, vim para a cidade grande, corri atrás da minha carreira longe de todo mundo que eu amava. É muito difícil se encontrar no mundo, e ele tem umas falas assim ‘às vezes eu sinto que não tenho lugar no mundo’, e as pessoas são assim. As pessoas estão cada vez mais projetando sua felicidade nos outros. Eu torço para que o Mão Santa seja feliz, que possa fazer alguém feliz.

O que ele vai ver no Agno?

Hoje a relação entre eles é de gratidão. Porque ele não tem dinheiro para nada, nem para comer – porque o dinheiro que o pai dele deu acabou -, e o Agno o ajuda. Fiz essa cena com o olhar de gratidão, como quem diz ‘você fez por mim o que ninguém tem feito’. Mas eu não senti nenhum tipo de mole, até porque o Agno está dando em cima do Rock até dar certo e o Rock não está dando mole.

Não seria uma relação de interesse?

Não é não. Engraçado como tudo muda. Mão Santa veio com aquela banca de ser um matador, mas a gente não sabe como ele vai desenvolver isso. Não sei se no interior ele teve algum tipo de relação. Fico pensando em como o Mão Santa vai reagir. Não acho que é um cara que dá mole, mas talvez conquiste pelo bom coração. Até porque se isso fosse uma possibilidade, como ele veria o Agno fazer o que está fazendo com a família dele? O Agno tem sido um vilão digamos assim, e se os dois são malvados, um vai matar o outro. É preciso ter amor aí no meio.

Fontes de inspiração

Qual foi sua inspiração para compor esse personagem?

Eu bebi de muitas fontes, porque cada cena eu procurei ter uma cara. Tem cenas que ele é Jack Nicholson em O Iluminado, extremamente psicopata; assim como tem cenas que fala com o coração. Quando o colocaram na academia, que ele disse: ‘Eu queria lutar também’, eu pensei, ‘será que ele seria um lutador?’ Ele não tem porte físico de lutador, e fui ver um filme chamado Rocco e Seus Irmãos, que é um cara magrelo que é o mais pugilista da família porque não usa a força física, usa a inteligência. Acho que o Mão Santa vai por esse caminho. Ele tem inteligência emocional alta.

O Chiclete tem o nome Ricardo, e o Mão Santa tem o nome?

Leandro. Dizem que esse era o nome do pai dele que ele não chegou a conhecer. Ele foi criado pelo Adão.

Você acha que em algum momento para ele seria uma questão se relacionar com um cara?

Amor é amor, a gente não escolhe quem a gente ama. A paixão acontece. Se aconteceu, como escolher a pessoa certa? Mas acho que a vida dele já foi tão triste que se tiver um pouquinho de amor ele vai por esse caminho, que é o que ele está buscando, ser feliz, e não jogado para fora de casa, ser expulso pelo próprio pai, depois expulso pela Marlene. Se ele tiver lugar no coração de quem quer que seja, ele vai ser muito feliz.

Desafios

Você, Guilherme, daria uma segunda chance para um matador?

Sim. Eu acho que todo mundo merece perdão.Eu acho que ele é um cara do bem apesar da maldade que ele faz. E eu já vivi isso num personagem chamado Laerte (Em Família). Ele amava tanto que odiava, por ter ciúme demais. Às vezes o texto vinha escrito ‘com raiva’, e eu não fazia com raiva, fazia com muito amor.Com esse encontro, espero que a gente leve ele para um caminho. Não estou fragilizando o Leandro, mas quero fazer dele uma pessoa forte para mostrar ao público que não importam as dificuldades, de onde você veio, você pode construir o seu eu e ser uma pessoa forte. Essa coisa de ‘de onde eu vim meu destino é esse’ nao existe desde Hamlet. Ele mudou o destino da própria vida, e o Mão Santa merece.

Você acredita que esse personagem vai colocar você em outro patamar por ser uma novela das nove? Porque o Laerte era só a primeira fase, depois era o Gabriel Braga Nunes…

A novela das nove tem um valor simbólico, que atinge um público muito grande. A família brasileira se reúne para assistir, e já está dando resultado positivo. Só de não estar fazendo um personagem definido, ter essas portas, posso ser isso ou aquilo… adoraria discutir essa questão homossexual, homofobia, nós atores queremos temas, desafios. Não me sinto à vontade em só decorar o texto, gravar e ir embora. Eu estou lá na rede social respondendo pergunta. Eu não acho que o ator tem que ter só a opinião, acho que nosso trabalho é expor o problema para o público pensar. Nós vivemos o personagem, quem interpreta ele é o público. Se ele é bom, se ele é mau, cabe à nós atores confundir, não explicar.

Você estaria preparado para beijar um ator?

Eu já fiz isso no teatro (na peça Herdeiros). Já fiz um homossexual mas era um cara afetado, cheio de trejeitos, e estou achando interessantíssimo o jeito que o Malvino está fazendo.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Carregar mais