Sem chance na TV aberta, Kubanacan ganha boa oportunidade no Globoplay

Streaming da Globo permite revistar uma obra um tanto particular

Publicado há um mês
Por André Santana
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A Globo acertou em cheio ao apostar em novelas de seu acervo para incrementar o Globoplay. A aposta em conteúdo original é válida e interessante, mas a grande vedete da programação da Globo são mesmo suas novelas. Assim, nada mais lógico que a emissora aproveite este apelo para oferecer ainda mais conteúdo aos assinantes de seu streaming.

Desde que passou a lançar uma novela clássica a cada duas semanas, o Globoplay vem disponibilizando aos fãs grandes títulos do segmento. No entanto, como o streaming é uma plataforma que permite experimentar, lançar “apenas” novelas clássicas parecia ser um desperdício. Afinal, há novelas que não são consideradas clássicas, mas ganharam, com os anos, uma aura “cult”.

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Este é o caso de Kubanacan, mais recente estreia da plataforma. A trama de Carlos Lombardi foi um grande sucesso de audiência do horário das sete em 2003. Mas, normalmente, é lembrada por parte do público e da crítica como uma trama confusa e sem sentido. Não entrou na galeria de grandes produções da Globo, e sua temática um tanto ousada não a credenciava para um Vale a Pena Ver de Novo.

Ou seja, a saga de Esteban Maroto (Marcos Pasquim), o “pescador parrudo”, poderia ser esquecida para sempre no acervo da Globo, habitando apenas a lembrança do espectador saudoso. Mas o Globoplay, agora, oferece a chance de revistar a obra. É a oportunidade dos fãs de, finalmente, poderem rever a produção. E, também, a oportunidade de conferir se Kubanacan é tão confusa e sem sentido quanto pintam.

Cara de série (contém spoilers)

Na verdade, Kubanacan não foge muito do estilo consagrado por Carlos Lombardi no horário das sete. O autor mescla seu humor corrosivo e irônico com um melodrama bem pintado. Mas tudo isso com uma embalagem um tanto diferente do folhetim tradicional.

Kubanacan se passa num país fictício, uma ilha caribenha governada pelo ditador Carlos Camacho (Humberto Martins). Sua proposta inicial era fazer uma crítica política bem divertida, na qual os problemas que assolavam toda a Kubanacan eram bem parecidas com os vistos em qualquer país da América do Sul.

No entanto, aos poucos, o enredo passou a focar quase que exclusivamente no protagonista, Esteban, um misterioso homem que cai do céu no litoral de Kubanacan. Sem memória, o herói vai, aos poucos, descobrindo que tem um passado um tanto movimentado. E a cada nova descoberta, a novela vai mobilizando todo o elenco da Globo em participações especiais, com novos personagens que vão trazendo mais e mais peças para montar o complicado quebra-cabeça que é a origem do mocinho.

Com isso, Kubanacan perde um pouco o formato tradicional de novela para se tornar uma espécie de seriado diário. As tramas paralelas vão perdendo força para dar espaço às situações episódicas as quais Esteban e as pessoas diretamente ligadas a ele se envolvem.

Mas o maior “atrevimento” do enredo está na reta final (cuidado com spoilers). Carlos Lombardi, em entrevistas, disse algumas vezes que ousou ao tratar de ficção científica em sua novela. E é verdade. Porém, o autor foi cuidadoso nesta ousadia, já que apenas assumiu esta capa na reta final da história. É apenas na última semana que a novela revela que Esteban é, na verdade, León, o filho do verdadeiro Esteban Maroto que veio do futuro, com a missão de fazer justiça à memória do pai.

A revelação gera algumas distorções, como o fato de León ter como grande amor Lola (Adriana Esteves), que é sua tia, já que ele é filho de Esteban com Rubi (Carolina Ferraz), irmã da mocinha. Mas este desfecho fora da curva tem muito a ver com a própria novela, que é uma obra bem particular.

Por estas e outras, revistar Kubanacan é uma boa oportunidade que o Globoplay dá aos fãs. Fica a torcida para que o streaming da Globo continue dando espaço a novelas que, dificilmente, darão as caras no Viva ou no Vale a Pena Ver de Novo.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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