Record TV errou feio com as reprises de Apocalipse e Jesus

Reprises da noite derrubam o horário nobre da emissora

Publicado há 4 meses
Por André Santana
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A pandemia do novo coronavírus afetou a teledramaturgia. As emissoras se viram obrigadas a interromper as gravações da trama e recorrerem às reprises para preencher espaços na grade. Sendo assim, nada mais lógico que selecionar um sucesso de audiência para um repeteco, correto? Apesar de parecer óbvio, a direção da Record TV não pensa assim e escolheu Apocalipse, um fracasso retumbante, e Jesus, uma trama de recepção morna, para reprisar no horário nobre. Resultado: as reprises noturnas chegam a ter menos audiência que as reprises vespertinas, A Escrava Isaura e Os Mutantes.

É possível que a emissora tenha avaliado que Apocalipse poderia chamar mais a atenção num momento em que o mundo vive dias terríveis. Pois foi um erro de avaliação em vários níveis. Não somente soou como mau gosto exibir uma novela sobre o fim do mundo num contexto global tão trágico, como ficou parecendo oportunismo. Afinal, Apocalipse se mostrou uma novela muito ruim e sem qualquer apelo quando era inédita. Foi o maior fiasco dentre as produções bíblicas da emissora. Não teria como ser diferente agora. E não está sendo.

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Na faixa das 21h30, a emissora reexibe Jesus. É uma trama mais agradável que Apocalipse, sem dúvidas. No entanto, seu retorno tem problemas. O mais evidente é que se trata de uma reprise precoce, já que a novela de Paula Richard foi exibida há pouquíssimo tempo. Além disso, Jesus, em sua exibição original, se mostrou uma novela apática, sem nuances. A história do líder do cristianismo tem sua força, é verdade, mas ela se diluiu no formato de uma novela. Há um ar contemplativo e pouco movimentado que incomoda. Outro problema é que este repeteco bate de frente com a reprise de Fina Estampa, na Globo, que tem alcançado resultados bastante expressivos.

Rico arquivo

É estranho entender as motivações que levaram a direção da Record TV selecionar Apocalipse e Jesus para reprisar. Afinal, a emissora já produziu boas novelas, que poderiam obter resultados melhores numa reapresentação. Por exemplo, se a ideia é manter a temática bíblica na faixa das 21h30, seria mais lógico reapresentar Os Dez Mandamentos, não? Tudo bem, a novela já foi reprisada, mas A Escrava Isaura está em sua enésima reprise à tarde e segue com excelentes resultados. Se não há pudor em reprisar A Escrava Isaura, por que houve com Os Dez Mandamentos?

Já na faixa das 20h30, a emissora deveria ter escalado uma trama contemporânea não-bíblica, para manter o público de Amor Sem Igual. Afinal, o público que acompanhava a saga de Poderosa (Day Mesquita) não é exatamente o mesmo que consome folhetins bíblicos. Sendo assim, a emissora poderia eleger uma trama anterior à fase bíblica para uma reapresentação. Seria uma boa chance de reapresentar Vitória, que nunca foi reprisada. Ou até mesmo revisitar romances envolventes, como Amor e Intrigas. Ou ainda trazer um folhetim forte e vibrante, como a ótima Vidas Opostas.

Apesar de não ter um acervo tão extenso quanto o da Globo, a Record TV tem suas pérolas engavetadas. No entanto, como ficou claro, a emissora não sabe como utilizá-las da melhor maneira. O que é uma pena. Já que o momento obriga o público a encarar reprises, seria melhor que fossem reprises verdadeiramente interessantes.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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