Qualidades da narrativa superam as falhas de Laços de Família

Trama baseada em relações humanas torna a novela de Manoel Carlos atemporal

Publicadohá pouco tempo
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Laços de Família tem inúmeras abordagens que, vistas aos olhos de 2021, são completamente equivocadas. Mas isso não diminui o brilho da narrativa em tom de crônica da obra de Manoel Carlos, que segue magnética mesmo depois de 21 anos e muitas mudanças de paradigmas.

Sim, o machismo e os constantes abusos de Pedro (José Mayer) são inaceitáveis. Assim como o destino de Rita (Juliana Paes), empregada que foi iludida pelo patrão cafajeste e que acabou morrendo, enquanto Danilo (Alexandre Borges) foi praticamente recompensado pelo seu erro. Aliás, o trato com as empregadas domésticas é um capítulo à parte, vide a maneira como a “multiuso” Zilda (Thalma de Freitas) foi tratada a novela toda.

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No entanto, o espectador que se deixa envolver pelo desenvolvimento das relações humanas vista na trama principal, encontrará em Laços de Família um melodrama muito bem armado. Manoel Carlos tem a mão firme para narrar o cotidiano de personagens de classe média alta que circulam pela Zona Sul carioca, com tudo de bom e de ruim que isso possa significar hoje em dia.

Assim, a reapresentação de Laços de Família chega ao fim no Vale a Pena Ver de Novo reafirmando tais características. Mais do que isso. Mostrando que, dentre suas principais novelas de meados dos anos 1990 até meados dos anos 2000, Laços se encontra numa posição privilegiada, seja pelo delineamento dos personagens, seja pelo arco principal original.

Aqui, mais uma vez, Maneco personaliza sua heroína Helena como uma mãe capaz de tudo por seus filhos. No entanto, a Helena de Vera Fischer ganha pontos por ser menos egoísta e mais altruísta, carregando as consequências disso. Além disso, é uma mulher independente, com sex appeal, humana, vivendo o auge de sua maturidade sexual, sem culpas. É uma mulher arrojada e contemporânea.

Nestes meses de Laços de Família, Helena nunca perdeu o protagonismo. A novela era sobre ela e sua relação com Camila (Carolina Dieckmann). Mas as demais tramas paralelas orbitavam em torno dela. Este protagonismo evidente, que se encontra cada vez mais raro em novelas, foi fundamental para o bom desenvolvimento de Laços de Família.

A abordagem da leucemia, os conflitos de Capitu (Giovanna Antonelli) e todos os dilemas de Helena foram muito bem desenvolvidos ao longo de toda a novela. Mesmo a barriga, criada depois do casamento de Camila, desaparece quando Helena decide engravidar para salvar a vida dela, que é quando entra em cena o conflito ético mais interessante de toda a obra.

Ou seja, Laços de Família tem os problemas típicos de uma obra feita muito ao olhar de seu tempo. Por outro lado, é uma história que consegue se manter atual por ser, antes de mais nada, sobre relações humanas. Esta é a beleza da novela e, sem dúvidas, o motivo de seu sucesso, mesmo depois de tanto tempo e de tantas reprises. É uma pequena obra-prima.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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