Por que não se deve eliminar Regina Duarte das novelas do Globoplay

Com mais de 50 anos de carreira na televisão, atriz esteve em parte do que já se fez de melhor no veículo

Publicado há 2 meses
Por Fábio Costa
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Desde 1965, quando fez sua primeira novela, A Deusa Vencida, na TV Excelsior, Regina Duarte faz parte do cotidiano do brasileiro. Seja por seus muitos personagens de destaque em projetos dos mais marcantes da teledramaturgia brasileira, seja por suas manifestações de cunho político, especialmente nos últimos 20 anos.

Na juventude, a baixa estatura, os olhos muito expressivos e o rosto delicado renderam a Regina Duarte diversos papéis de mocinha, o que acabou por desembocar na alcunha que mesmo hoje a acompanha, do alto de seus 73 anos: “Namoradinha do Brasil”.

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São dessa fase trabalhos como As Minas de Prata (1966/67), Véu de Noiva (1969/70), Irmãos Coragem (1970/71), Minha Doce Namorada (1971/72), Selva de Pedra (1972/73) e Carinhoso (1973/74).

Na virada para os anos 1980, mais amadurecida, Regina Duarte passou aos papéis de mãe, mulher casada, ou até descasada, a exemplo da protagonista da série Malu Mulher (1979/80).

Regina Duarte protagonizou Malu Mulher (Cedoc/TV Globo)

Em 1985 aquela que talvez seja sua consagração maior, num papel diferente de todos os anteriores: a esfuziante, histérica e fogosa Viúva Porcina de Roque Santeiro. “Apenas” um dos maiores sucessos da história da TV brasileira, senão o maior mesmo.

Depois, a Raquel de Vale Tudo (1988); Maria do Carmo, a própria Rainha da Sucata (1990); as Helenas de História de Amor, Por Amor e Páginas da Vida, entre os anos 1990 e 2000. Entre outros papéis menos marcantes numa época, seguidos de um tour de force como Clô Hayalla de O Astro (2011).

Regina foi um dos destaques de “O Astro” (Divulgação/TV Globo)

Evidente que você, leitor, pode não gostar do trabalho de Regina Duarte, e mesmo desde antes “disso tudo” que ocorre por agora ter ocorrido. Assim como há aqueles que se viram tomados de verdadeiro horror à atriz nos últimos tempos, quando antes a respeitavam e admiravam.

Desde as primeiras peças da campanha publicitária do projeto de resgate de novelas clássicas pelo Globoplay, plataforma de streaming da Globo, causou estranheza em alguns e satisfação em outros o fato de que Regina Duarte não dá as caras nos anúncios.

Só há alguns dias, com a chamada dos lançamentos da plataforma em julho, a atriz surgiu como a Raquel de Vale Tudo, rapidamente, assim como Beatriz Segall e Renata Sorrah. A novela entrará para o catálogo do serviço no próximo dia 20.

A saber, em postagens nas redes sociais já falando da chegada próxima de Vale Tudo Regina tem sido “esquecida”, com sua imagem dando lugar à de atrizes que foram codjuvantes na novela, como Lília Cabral e Cássia Kiss, por exemplo. Bom, fato é que sem Raquel, e sem a Raquel de Regina, parte considerável da força da história se perde.

Se por um lado é compreensível a postura da Globo ao “esconder” Regina Duarte na promoção das novelas, por outro, já com ela dizendo o que tem dito e fazendo o que tem feito a emissora apostou numa novela que tem a atriz em 11 de cada 10 cenas, Por Amor, e com grande sucesso de audiência, tanto no canal aberto quanto no Viva.

Helena (Regina Duarte) com o bebê na maternidade em Por Amor (Divulgação/ TV Globo)

Das dezenas de novelas a serem lançadas no Globoplay nos próximos meses, uma a cada duas semanas, Regina Duarte tem personagens fundamentais em pelo menos quatro. Protagonista mesmo. Fora participações muito especiais em Guerra dos Sexos (1983) e Top Model (1989/90).

Boicotar os projetos devido à presença da atriz, hoje para muitos indesejada e indigesta, no sentido de defender que a emissora não deveria trazer de novo essas novelas à luz, na plataforma que for, por exemplo, não contribui para prejudicar Regina Duarte, mas sim à teledramaturgia e sua memória, bem como à saudável apreciação crítica.

Dezenas de profissionais, atores os mais visíveis deles, acompanhados de outros tantos que fazem o trabalho por trás das câmeras, têm nessas novelas grandes momentos de suas carreiras – como a própria Regina.

Imagine se eu, admirador do gênero telenovela que sou, passarei a selecionar o que ver ou deixar de ver em razão da presença desta ou daquela pessoa, e com isso perder a oportunidade de apreciar o talento de uma imensa maioria não envolvida nessas minhas eventuais reservas?

Ou pior ainda: imagine se eu quererei privar as pessoas de conhecer ou rever esses trabalhos em razão de eventuais reservas particulares, minhas?

Já pensou, não poder ver nunca mais, em determinadas produções, o trabalho de Paulo Gracindo, Cleyde Yaconis, Eloísa Mafalda, Armando Bogus, Cláudio Corrêa e Castro, Yara Cortes, Yoná Magalhães, José Wilker… Para citar apenas alguns dos muitos nomes possíveis e já falecidos. Fora os ainda vivos, como Lima Duarte, Glória Menezes, Tony Ramos…

A grande decepção que muitas pessoas vivenciam hoje em relação a Regina Duarte tem obviamente ligação com suas atitudes, apesar da grande representatividade da atriz.

No entanto, essa decepção seguramente também tem a ver, talvez mais ainda, com o fato de que a Viúva Porcina, a Helena, a Raquel, a Maria do Carmo etc. não é uma pessoa legal. Não penalizemos a teledramaturgia brasileira por isso.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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