Olimpíadas: saldo positivo também na transmissão da TV

Emissoras mostraram qualidade na cobertura, mas maioria dos comentaristas preferiu não se comprometer

Publicado em 8/8/2021
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Com o final da Olimpíada de Tóquio – e o melhor resultado do Brasil no quadro de medalhas de sua história –, o balanço da cobertura de TV das emissoras com direitos esportivos é bastante positivo sob o ponto de vista da qualidade e quantidade das transmissões da TV Globo, SporTV e BandSports.

As narrações, feitas nos estúdios no Brasil, em geral não ficaram comprometidas pelo distanciamento das arenas e estádios, nem as reportagens de campo, já que as redes trataram de enviar boas equipes ao Japão. A geração de imagens das competições foi do próprio Comitê Olímpico Internacional, com algumas boas inovações de posicionamento de câmeras – nas redes do vôlei, no mar com o surfe, nas pistas do skate.

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No entanto, com o grande espaço reservado aos comentaristas esportivos nas redes de TV, houve um excesso de ex-atletas que, ao serem chamados a opinar, pareciam muito mais comprometidos em não se indispor com colegas, federações e confederações. Além disso, alguns tinham parentesco com atletas na competição.

Vale ressaltar que essa prática de comentário no melhor estilo “isentão” não é nova e vem há tempos contaminando a cobertura esportiva de televisão, que cada vez menos se utiliza de jornalistas especializados nos esportes. A grande exceção, por enquanto, é o futebol, que ainda conta com jornalistas especializados para os comentários nos principais canais com programação esportiva.

É uma falha gigantesca da programação esportiva deixar a cargo apenas do narrador todo o trabalho nem sempre possível de aliar informações e dados históricos de cada modalidade ao mesmo tempo em que tem de fazer a locução em tempo real sobre o que está acontecendo no momento.

Obviamente, a experiência pessoal de um ex-atleta é importante e sempre esclarece muitas dúvidas do esporte. A presença de Daiane dos Santos contando sua jornada pessoal e as curiosidades da modalidade foi muito relevante nas transmissões dos feitos de Rebeca Andrade na ginástica artística. E o que dizer da skatista Karen Jonz e de suas tiradas absolutamente fantásticas para explicar os meandros da categoria para o grande público?

Acontece que fica sempre faltando ao lado alguém com informações mais precisas sobre cada esporte e com dados informativos sobre os atletas em competição – o repórter em campo está de olho no factual, sem espaço para estas considerações.

A equipe de comentaristas das modalidades da Bandsports foi formada pelos judocas Henrique Guimarães e Douglas Vieira, os ex-jogadores de vôlei Marcelo Negrão e Fofão, a ex-jogadora de vôlei de praia Jackie Silva, o ex-velocista André Domingos, o ex-nadador Ricardo Prado, o ex-tenista Flávio Saretta e as gêmeas Bia e Bianca Feres, do nado sincronizado.

As equipes de Globo e SporTV também contaram nos seus times de comentaristas com muitos ex-atletas. Alguns deles foram: Nalbert, Carlão, Tande e Marco Freitas, Serginho, Fabiana e Thaísa (vôlei); o técnico Bernardinho como apresentador do Ohayo Tóquio, além de Talita (vôlei de praia); Janeth Arcain e Hortência (basquete feminino), Gustavo de Conti e Marcelinho Machado (basquete masculino); Diego Hypolito, Danielle Hypolito, Jade Barbosa e Daiane dos Santos (ginástica artística); Tiago Camilo, Flávio Canto e Leandro Guilheiro (judô); Robson Conceição, Acelino “Popó” Freitas e Daniel Fucs (judô); César Cielo, Gustavo Borges, Thiago Pereira e Joanna Maranhão (natação); Fabiana Murer, Claudinei Quirino e Edson Luciano (atletismo); Miguel Pupo e Alejo Muniz (surfe), Bob Burnquist, Geninho, Rony Gomes e Karen Jonz (skate).

Adversidades

Lembremos que tudo conspirava para prejudicar esse fechamento de ciclo olímpico. Foi mais de um ano de adiamento da Olimpíada no Japão, e o país acabou promovendo um evento fechado ao púbico, tornando o espetáculo menos bonito e atraente para a televisão; o mundo ainda enfrenta a pandemia; a vacinação está lenta na maioria dos cerca de 200 países participantes e os atletas de forma geral tiveram problemas para treinamento e deslocamento desde março de 2020.

Para a televisão brasileira, havia ainda como agravante a questão do fuso horário, com a maior parte das competições realizando-se na madrugada ou muito cedo pela manhã.

Mesmo assim, ao final das duas semanas de provas, os registros foram de excelentes índices de audiência em televisão, em especial em partidas de futebol, vôlei e algumas provas de esportes individuais.

 A TV Globo conseguiu realizar a proeza de não alterar muito sua grade do horário nobre, dando pouco espaço na programação noturna para transmissões. Não dá muito pra entender como a emissora preferiu manter em dia e intocada no período uma reprise de novela como Império. Por outro lado, não deixou de honrar os compromissos do futebol nas noites de quarta-feira. Enquanto o público esperava por uma final olímpica do skate com três brasileiros na modalidade park, a emissora cumpria o calendário da Copa do Brasil com um modorrento São Paulo x Vasco para São Paulo.

Mas pelo menos a emissora abriu brechas importantes para transmissões nas madrugadas, com partidas do vôlei, finais do surfe, entre outras, escalando para o horário seu maior astro nas transmissões esportivas, Galvão Bueno, que se reencontrou com o público via redes sociais. Everaldo Marques e Luiz Roberto e Everaldo Marques também tiveram bons momentos.

TV paga

Na TV por assinatura, as opções foram maiores. Nos primeiros dias da Olimpíada, com competições em tantas modalidades, até quatro canais SporTV tiveram programação continuada, além de mais 40 sinais com transmissões ao vivo.  Diariamente, no começo da noite no Brasil e do dia em Tóquio, o programa Ohayo Tóquio, com um cenário incrível montado a partir de um estúdio em Tóquio, apresentava e analisava as competições mais importantes.  

O BandSports, em um único canal, acabou por dar prioridade sempre que possível às modalidades de maior popularidade ou com presença de atletas brasileiros, alternando transmissões de acordo com o avanço nas competições. Por esse prisma, cumpriu muito bem o seu papel, com dedicação 24 horas ao evento, já que ao longo do dia proliferaram boletins e programas com resumos dos acontecimentos da noite anterior, como Boa Noite Tóquio, Maratona BandSports, Tarde Olímpica, Sons de Tóquio, Bom Dia Tóquio, De Olho em Tóquio. Álvaro José, Elia Junior e Glenda Kozlowski formaram o trio principal das transmissões.

Agora, é esperar que a televisão possa se aprimorar ainda mais na cobertura da próxima edição dos Jogos Olímpicos, em 2024, na França. Como disse o personagem do ator Humphrey Bogart no célebre filme Casablanca: “Nós sempre teremos Paris”!

* As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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