O Caso Evandro já é o melhor documentário do ano

Série documental do Globoplay, adaptada de podcast, tem investigação jornalística primorosa

Publicado em 20/7/2021
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A série O Caso Evandro, inicialmente com oito episódios e desde maio no catálogo do Globoplay, já seria presença garantida em qualquer lista das mais importantes produções originais brasileiras do ano.

Agora que entrou um nono episódio, feito a partir de novos depoimentos colhidos depois que o material todo já tinha sido exibido, ela definitivamente figura entre as melhores produções documentais de 2021 — se não a melhor até aqui. Não se tem notícia nem expectativa de mais algo tão completo em termos de apuração jornalística, história e importância local para os próximos quatro meses.

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A série se refere aos trágicos acontecimentos de 1992, quando houve o desaparecimento e a investigação policial da morte de um menino de seis anos, Evandro Ramos Caetano, em Guaratuba/PR. Seu corpo foi encontrado com sinais de mutilação, atribuídos na ocasião a rituais de magia negra.

O caso, um crime brutal, chocou o Brasil, à medida que apareciam notícias das investigações e inquéritos policiais que envolviam uma família importante de políticos da cidade.

Do podcast ao vídeo

Para montar este O Caso Evandro, quase 30 anos depois, o esforço de investigação e senso de apuração de Ivan Mizanzuk deram primeiramente origem a 30 episódios em mais de 40 horas do podcast Projeto Humanos, disponível em diversas plataformas de áudio digital.

Daí para a formatação para imagens foi um excelente trabalho de produção, feito junto à produtora Glaz, com um time de diretores e roteiristas que soube aproveitar toda riqueza do material apurado para transformar num produto tão bem desenhado para as telas.

A exemplo do que ocorre nos trabalhos voltados a crimes verídicos, os chamados true crimes, está tudo ali: depoimentos, imagens de acervo e arquivos pessoais, ida aos locais originais das histórias, entrevistas de antes e depois dos fatos, alguma reconstrução e dramatização sutil de acontecimentos por meio de atores.

À época dos acontecimentos, o caso era tratado na mídia como o das “Bruxas de Guaratuba”, sempre muito ligada aos rituais.

O papel do criador da série é um dos fatores de seu resultado bem sucedido. Pesquisador original do documentário, Ivan Mizanzuk dá seus depoimentos sobre todo o ocorrido, conduzindo o fio narrativo ao longo do documentário. Ele apresenta os fatos e versões, explica cada ponto apurado de uma forma que vai envolvendo o espectador. Embora se trate de uma história do passado, julgada e aparentemente resolvida na Justiça, o que se vê aqui é que nem tudo é o que aparenta.

A reviravolta vem nos últimos capítulos, com a revelação de fitas existentes com gravações de depoimentos extraídos sob tortura. Vê-se portanto como uma condução de investigação, inquérito, processo e julgamento pode ser fatal para conclusões erradas, capazes de destruir a vida não somente das vítimas dos crimes, quanto de quem foi erroneamente condenado.

Os sete capítulos iniciais explicam ao espectador todo o desenlace de O Caso Evandro. Um oitavo episódio, muito elucidativo do peso da mídia naqueles acontecimentos de 1992, dedica-se apenas ao desaparecimento de outro menino de Guaratuba, Leandro Bossi. A história do sumiço e de como os pais – principalmente o pai – lidou com a situação é estarrecedora e muito, muito emocionante.

Novo episódio

Por fim, veio um nono e derradeiro episódio. Este sim, denominado Consequências, encerra com chave de ouro um documento audiovisual tão importante. Espera-se agora que haja algum tipo de resposta oficial às pessoas que tiveram suas vidas devastadas pelo rumo dos acontecimentos.  

O último episódio só foi possível porque entrevistados resolveram falar depois que assistiram aos capítulos anteriores. Um deles é um homem que se reconheceu entre as crianças desparecidas da época, e ele conta a história sobre seu rapto, quando foi induzido a acompanhar um estranho.

Outro entrevistado é Osvaldo Marcineiro, personagem central das condenações, que enfim consegue falar sobre como sua vida, trabalho e família foram duramente atingidas por todas as acusações e condenação que sofreu.

A direção geral de O Caso Evandro (que a Globo já exporta no mercado internacional de língua espanhola como El Caso Evandro – Una Trama Diabólica), criado e desenvolvido a partir do podcast de Ivan Mizanzuk, é de Aly Muritiba, direção de Michelle Chevrand, roteiro de Angelo Defanti, Arthur Warren, Ludmila Naves e Tainá Muhringer.

* As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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