Nova Malhação estreia prometendo uma abordagem mais realista da adolescência

Publicado há 4 anos
Por André Santana
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Quem costuma acompanhar as notícias dos bastidores da televisão já deve saber que a nova Malhação: Viva a Diferença vinha sendo esperada com bastante ansiedade. Isso porque ela é assinada por Cao Hamburger, um nome veterano da telinha, mas fazendo sua estreia num folhetim. Mesmo sem experiência em novelas, Cao tem no currículo grandes produções infantis e infanto-juvenis, como Castelo Rá-Tim-Bum, Que Monstro te Mordeu?, Família Imperial e Pedro e Bianca, atrações de reconhecida qualidade e de grande eficácia no diálogo ao público jovem.

Sendo assim, a expectativa era de que a nova Malhação vinha com alguma novidade, comparada às temporadas anteriores. E, considerando o primeiro capítulo que estreou hoje (08), a nova fase da novelinha dos fins de tarde da Globo tem tudo para ser bem-sucedida na missão. Com uma linguagem bastante antenada, personagens interessantes e um visual bastante diferente das “Malhações” anteriores, a fase Viva a Diferença promete uma abordagem mais realista da adolescência.

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Claro, é meio difícil falar em “realidade” quando as cinco protagonistas do novo enredo se conhecem justamente durante um parto improvisado num vagão de metrô em pleno dia de chuva em São Paulo. Porém, o fato um tanto inusitado mostrou-se um excelente ponto de partida para uma história que pretende falar sobre diferenças, como o título já sugere. São cinco meninas de realidades distintas, que provavelmente jamais seriam amigas se não houvesse um fato muito forte que as unisse. Sendo assim, o parto surreal se justifica como um bom ponto de partida.

Se a fala de Benê (Daphne Bozaski), que sabia como ninguém definir o que é uma “bolsa amniótica”, não soou lá muito realista, o mesmo não se pode dizer da abordagem da gravidez na adolescência, o primeiro assunto que surgiu já nos primeiros minutos da estreia. Em muitas temporadas de Malhação, a gravidez na adolescência foi tratada quase como num conto de fadas, com direito a casamento de jovens e um final feliz. Em Viva a Diferença, Keyla (Gabriela Medvedovski) já entrou em cena ouvindo os conselhos de seu jovem pai, Roney (Lucio Mauro Filho), que alertava a filha sobre as mudanças que sua vida teria quando o bebê nascesse. Um ponto positivo.

O primeiro capítulo também mostrou, em cenas curtas, a realidade de todas as protagonistas. Vimos que Tina (Ana Hikari) tem problemas com a mãe controladora. Ellen (Heslaine Vieira) é uma jovem atenta à tecnologia, enquanto Lica (Manoela Aliperti) faz o gênero “pobre menina rica”, de família, digamos, “abastada”, mas tem jeito de rebelde. E há ainda Benê, do tipo “esquisita”, e que não tem amigos.

Outra novidade de Malhação: Viva a Diferença é que a história, pela primeira vez, se passa em São Paulo. Vai ser interessante ver os típicos conflitos adolescentes se desenrolando neste clima metropolitano, que oferece muitas possibilidades. Além disso, as atuações convencem (Daphne Bozaski, a “monstrinha” Lali de Que Monstro te Mordeu?, chama a atenção) e a direção de Paulo Silvestrini é criativa. O texto da novelinha tem grife e, salvo um ou outro exagero, foi feliz nos diálogos e situações, evitando piadinhas infames e buscando uma abordagem mais honesta. Por isso mesmo, a Globo foi bastante feliz ao entregar Malhação a Cao Hamburger, um veterano, mas que traz “sangue novo” ao programa, fazendo uma importante e necessária renovação na atração.

Ainda é cedo para uma avaliação mais justa, mas Malhação: Viva a Diferença começou muito bem, e as expectativas continuam altas.

Fátima Bernardes, Pedro Bial e cia: Globo dá espaço a “pratas da casa”

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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