Na reta final, Jesus não empolga

Publicado há 2 anos
Por André Santana
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Parecia um plano a prova de erros fazer uma novela sobre a vida de Jesus. O líder do cristianismo, por si só, já tem uma força capaz de atrair a atenção da audiência das novelas bíblicas da Record TV. Porém, na prática, a coisa não saiu como planejado. Embora não seja uma decepção, Jesus está longe de repetir o sucesso de tramas como Os Dez Mandamentos e A Terra Prometida.

Transformar a vida de Jesus numa novela tem sido um desafio e tanto bancado pela autora Paula Richard. A trajetória do filho de Deus na Terra é rica e cheia de passagens interessantes. No entanto, não carrega consigo os elementos mais básicos do folhetim. Assim, a autora usa seu personagem principal como uma âncora, desenvolvendo tramas paralelas mais folhetinescas ao seu redor. O Jesus de Dudu Azevedo segue realizando milagres, mobilizando seguidores e despertando a fúria dos “inimigos”. Enquanto isso, as intrigas e os desencontros amorosos ficam restritos às tramas paralelas, criadas pela autora.

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Não que isso seja uma novidade. Vivian de Oliveira, autora de Os Dez Mandamentos, mostrou habilidade na adaptação bíblica para um formato tão específico quanto o de uma novela. Entretanto, ela tinha em mãos como personagem principal Moisés (Guilherme Winter), um herói mais dinâmico, com uma vida rica de possibilidades. E que ela soube explorar muito bem. Já em Jesus, o personagem principal tem uma trajetória mais linear. E tirá-lo desta trajetória seria mexer em um vespeiro. A fidelidade aos livros da Bíblia tem guiado a autora nos rumos do personagem-título de sua obra.

Próximos títulos

Além disso, Jesus estreou num tempo em que se coloca em xeque o futuro das novelas bíblicas. Depois do fracasso de Apocalipse e o desempenho mediano da microssérie Lia, há quem acredite que a fórmula estaria à beira do esgotamento. Mesmo assim, a direção da Record segue apostando no nicho que descobriu, tentando encontrar maneiras de manter o interesse do público nestas produções.

A substituta de Jesus, Jezabel, já parece uma aposta neste sentido. A nova obra vai pegar carona na boa impressão deixada por Lia, que trouxe uma rara personagem feminina no protagonismo. As chamadas que estão no ar mostram que Jezabel terá um olhar feminino mais evidente, tentando estabelecer um paralelo entre os tempos bíblicos e a contemporaneidade.

É um caminho interessante, sem dúvidas. Mas Jezabel terá um desafio e tanto pela frente. Seu desempenho deve ditar os rumos do projeto bíblico da Record, tendo em vista que Gênesis, até então sua sucessora, acaba de encarar uma troca de autores. É possível que outras mudanças aconteçam.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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