Êta Mundo Bom!: trajetória de Maria mostra que mocinha pode ser inteligente

A personagem de Bianca Bin é uma das poucas heroínas inteligentes criadas por Walcyr Carrasco

Publicado há 2 meses
Por André Santana
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Maria (Bianca Bin) não é a heroína romântica de Êta Mundo Bom!, papel que cabe à Filomena (Débora Nascimento). Mas ela é a grande mocinha da trama de Walcyr Carrasco, tendo em vista que é ela quem age diretamente contra a vilã da história, Sandra (Flávia Alessandra), e faz a novela andar. Astuta, Maria percebe todos as armações do enredo e age para desfazê-las.

A mocinha se tornou empregada de Anastácia (Eliane Giardini) e, desde então, se dedica a ajudar a patroa. Neste contexto, foi peça fundamental para desmascarar Ernesto (Eriberto Leão), o “falso Candinho”; ajudou a encontrar o verdadeiro Candinho (Sergio Guizé), o filho perdido dela; e, ainda, alertou a ricaça quanto as más intenções de Sandra e Araújo (Flavio Tolezani).

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E a empregada conseguiu tudo isso apenas na base da observação e dedução. Ou seja, Maria é uma menina esperta, capaz de farejar más intenções e perceber quando está sendo enganada. Sua personalidade atenta, então, a coloca no seleto rol das mocinhas de novelas minimamente inteligentes. E mostra que é possível, sim, criar um folhetim no qual a heroína não é apenas um ser passivo, esperando ser enganada.

As mocinhas de Walcyr Carrasco

O próprio Walcyr Carrasco, autor de Êta Mundo Bom!, criou uma galeria de mocinhas pouco espertas em suas novelas. Em A Dona do Pedaço (2019), por exemplo, Maria da Paz (Juliana Paes) foi muito criticada por não enxergar um palmo à frente do nariz. Como uma mulher tão ingênua ascendeu como grande empresária?

Em Amor à Vida (2013), Paloma (Paolla Oliveira) também era constantemente passada para trás por todo mundo. Outras mocinhas tolinhas: Dafne (Flávia Alessandra), de Caras & Bocas (2009); Serena (Priscila Fantin), de Alma Gêmea (2005); Clarice (Giovanna Antonelli), de Sete Pecados (2007); e Cecília (Deborah Secco), de A Padroeira (2001).

Já em O Outro Lado do Paraíso (2017) houve um caso “híbrido”: Clara (Bianca Bin) não era tão ingênua, mas seu lado vingativo era bem menos inteligente do que parecia. Afinal, ela não se esforçou para criar planos de vingança elaborados. Ela apenas se aproveitava de informações que caíam em seu colo por pura sorte.

Mas, justiça seja feita, Carrasco tem outras boas mocinhas em seu currículo, como Catarina (Adriana Esteves), de O Cravo e a Rosa (2000); Aninha (Mariana Ximenes), de Chocolate com Pimenta (2003); e Júlia (Adriana Esteves), de Morde & Assopra (2011).

“Muleta” de roteiro

Na verdade, o artifício de criar mocinhas ingênuas demais funciona como “muleta” para os autores de novelas. Afinal, é bem mais fácil fazer a história andar quando a heroína está sempre caindo como uma patinha nos planos dos vilões. Entretanto, este estereótipo de mocinha passiva caía bem nos folhetins clássicos e românticos do início da televisão.

Hoje, isso não cola mais. O público é exigente e não perdoa quando uma mocinha não diz a que veio. O sucesso da personagem Maria, que se torna uma das grandes protagonistas de Êta Mundo Bom!, é a prova de que o público admira mocinhas que pensam. E que elas podem ser tão (ou mais) úteis ao desenvolvimento dos enredos quanto as mocinhas ingênuas.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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