Dramática, Amor de Mãe tem primeiro capítulo forte e bem amarrado

Publicado há um ano
Por André Santana
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Causou a melhor das impressões a estreia de Amor de Mãe, nova novela das nove da Globo. A primeira novela de Manuela Dias não economizou na emoção, ao narrar o drama individual de suas três protagonistas Lurdes (Regina Casé), Thelma (Adriana Esteves) e Vitória (Taís Araújo). Além de contar histórias forte e emocionantes, Amor de Mãe tem uma arquitetura requintada, com suas tramas amarradas de maneira inteligente.

Um dos pontos positivos da estreia é a ausência de “primeira fase”. Desta vez, o passado das heroínas foi contado por meio de flashbacks ágeis e dinâmicos. Assim, Amor de Mãe mostrou logo a que veio, sem ser excessivamente apressada, mas também se fazendo entender. Além disso, evitou o troca-troca de atores, que sempre causa confusão. Apenas Lurdes (e as crianças) mereceu uma intérprete mais jovem, numa participação grandiosa de Lucy Alves.

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Entretanto, o que mais chamou a atenção no episódio de estreia foi a maneira com que autora amarrou suas três protagonistas. Lurdes foi apresentada numa entrevista de emprego, na qual Vitória busca uma babá. Em seguida, foi Lurdes quem salvou a vida de Thelma, que passou mal nas ruas e quase foi atropelada. Por meio desta sequência, o capítulos mostrou a busca de Lurdes pelo filho perdido, o drama de Vitória, que perdeu o bebê aos seis meses de gestação, e aflição de Thelma, que descobriu uma grave doença. Ou seja, são histórias dramáticas, mas muito bem construídas, e que garantiram a emoção da estreia.

Sangue novo no horário

A julgar pela estreia, pode-se afirmar que Manuela Dias veio ocupar uma importante lacuna no horário nobre da Globo. Com um texto sofisticado e absurdamente realista, com dramas palatáveis e ausência de vilões, a autora destoa dos atuais titulares da faixa. Os novelistas que integram o time de autores das 21 horas são adeptos do folhetim rasgado, com heróis idealizados e vilões marcantes. Já Manuela vai na contramão, apostando num drama mais próximo da vida real.

Se é possível compará-la com alguém, Manuela Dias remete a Manoel Carlos, no sentido de imprimir veracidade em cenas, situações e diálogos. Porém, Manuela foge da crônica carioca tão característica de Maneco, apostando numa narrativa urbana e contemporânea, que remete à narrativa das séries. A direção arrojada de José Luiz Villamarim casa perfeitamente com a proposta, dando a Amor de Mãe um tom documental que impressiona.

Grande elenco

Além do texto acima da média, Amor de Mãe conta com um elenco de primeira, que imprime ainda mais emoção às cenas. Adriana Esteves e Taís Araújo estão irretocáveis como heroínas imperfeitas. Mas o grande destaque é Regina Casé, que volta às novelas em grande estilo. Sua Lurdes é de carne e osso, bastante reconhecível.

Assim, o grande desafio de Amor de Mãe será fisgar o público órfão de A Dona do Pedaço. O texto de Manuela Dias é diametralmente oposto ao de Walcyr Carrasco, bem mais sutil e elaborado. Uma grata surpresa.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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