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Sem más notícias

Dança de cadeiras na Globo é derrota do jornalismo frente ao entretenimento

Tadeu Schmidt no BBB é mais uma prova de que programas de variedades são irresistíveis para jornalistas com talento para linha de shows

Publicado em 16/10/2021
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Em televisão é assim: alguém com carisma junto à audiência e vocação para a linha de shows sai do jornalismo para comandar uma atração de entretenimento e já multiplica seus rendimentos.

Além do salário ser maior, não é preciso fazer coberturas de tragédias, entrevistar pessoas tristes, ser alvo de xingamentos nas ruas nem dar notícias ruins à população.

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Ainda há os ganhos extras em se fazer propaganda em comerciais e os merchandising nas atrações.

Agora, com essa nova troca de cadeiras entre jornalismo e entretenimento na TV Globo, fica a questão: quem será o próximo a mudar de lado?

Tadeu Schmidt deixa o posto no Fantástico para se aventurar no BBB  –consta que o novo apresentador ganhará muito mais na nova função.

Tadeu Schmidt, Poliana Abritta e Maju Coutinho no Fantástico (Reprodução/Globo)

Sua vaga no programa dominical será preenchida por Maju Coutinho, que apresentará a atração ao lado de Poliana Abritta. 

César Tralli, que é a cara de São Paulo e conduz com muito conforto o SP1, assumirá o lugar de Maju no complicado Jornal Hoje.

E no lugar de Tralli assume o dedicado Alan Severiano, que vem se saindo muito bem no noticiário da pandemia.

Felizmente, para a Globo e demais emissoras, sempre brotam novos talentos no telejornalismo e há muita gente boa para preencher as vagas dos que migram de área, num ciclo virtuoso.

Despedida

O âncora do SP1 fez nesta sexta-feira (15) uma despedida emocionada do noticiário dedicado ao público paulista. 

Apesar de a mudança ser tratada como uma promoção para César Tralli – afinal, o JH tem abrangência nacional –, esse jornalístico é complicado.

César Tralli na sua despedida do SP1, na sexta-feira (15) (Reprodução/TV Globo).

Começa muito depois das 13h, se estende demais até o meio da tarde e suas notícias enfrentam concorrência até injusta com programas mais leves de variedades e fofocas das demais emissoras.

Além disso, por sua natureza de cobertura nacional e internacional, o Jornal Hoje é um noticiário engessado, sem leveza e possibilidade de prestação de serviços como é o mais localizado SP1.

Bom para Maju Coutinho.  

Nem tão bom para César Tralli, que já comanda um noticiário de final de tarde no canal GloboNews com forte componente de cobertura política.

Tralli se credencia desde já, certamente, para ser o sucessor de William Bonner no comando do Jornal Nacional.

Mas até quando César Tralli resistirá no telejornalismo num mundo onde  quem agrada o público ganha muito mais nos programas de variedades?

Rendimentos

Fato é que o entretenimento rende mais que o jornalismo.

Para muitos repórteres queridos do público, o telejornalismo é apenas porta de entrada para ser apresentador de um programa de variedades.

Nem é preciso dizer que as funções mudam bastante. E o salário também. Em primeiro lugar, porque a área de diversão é muito mais rentável e atraente do que o jornalismo para anúncios e merchandisings.

Segundo, porque em algumas emissoras (como a TV Globo) quem é jornalista não pode fazer trabalhos extras em campanhas de publicidade.

A parte difícil é que a concorrência no novo ramo também é grande.

Imagine só ter de disputar a fidelidade da audiência com apresentadores-raiz, como os que cresceram fazendo entretenimento ou migraram da área artística — Angélica, Marcos Mion, Luciano Huck, Adriane Galisteu, Eliana, Celso Portiolli, Otaviano Costa, Rodrigo Faro, Ana Hickmann, Ana Maria Braga, Ana Furtado e Ticiane Pinheiro …

Histórico

Lembremos que a TV brasileira se alimentou desde o início da tradição de programas nascidos no rádio.

Já os pioneiros nos programas de entretenimento tinham sido repórteres e jornalistas de rádio, que migraram para a TV.

Flávio Cavalcanti, Edson Cabariti (o Bolinha), Fausto Silva (Faustão), Serginho Groisman são alguns dos grandes nomes de programas de auditório do século XX que começaram como repórteres, de rádio e televisão.

São poucos os repórteres de TV que conseguiram programas importantes próprios dedicados ao jornalismo mesmo. Houve o clássico Amaral Netto – o Repórter e o programa nas madrugadas de Goulart de Andrade.  Mais recentemente, vieram o Profissão Repórter, com Caco Barcellos, e Roberto Cabrini que tinha um SBT Repórter só seu.

Se formos falar apenas de nomes dos anos 2000, basta nos lembrarmos de alguns que migraram do jornalismo para o entretenimento e nunca mais voltaram para as reportagens em tantas emissoras.

Só para citar alguns que mudaram de lado: Pedro Bial, Britto Júnior, Ana Paula Padrão, Fátima Bernardes, Tiago Leifert, Patricia Poeta, Zeca Camargo e Fernanda Gentil, entre tantos outros. Alguma boa vantagem deve haver em deixar os noticiários para trás, não é mesmo?

** Informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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