Com Gênesis, Record TV disfarça velhos vícios com imagens deslumbrantes

Record TV aposta numa nova embalagem para contar a mesma história de sempre

Publicado há uma hora
Por André Santana
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A Record TV não exagerou ao anunciar sua Gênesis como “superprodução”. A nova atração bíblica da emissora, realmente, tem uma embalagem bem-feita e que chama a atenção. Mas as imagens deslumbrantes, neste primeiro capítulos, serviram mais para disfarçar velhos vícios do que trazer algo realmente novo.

Claro, não há muito o que inventar quando se conta a história de Adão (Carlo Porto) e Eva (Juliana Boller). O primeiro casal, segundo a Bíblia, já teve sua história contada e recontada diversas vezes. Por isso, para disfarçar a falta de novidade, Gênesis apostou numa releitura, digamos, “pop”, para dizer a que veio.

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Com isso, as “liberdades” tomadas pelos roteiristas acabaram por deixar a trama incoerente. Gênesis explicou a extinção dos dinossauros com a queda de Lúcifer (Igor Rickli) e seus seguidores do Reino dos Céus. Porém, foi depois da extinção dos lagartos gigantes que Deus criou o mundo. Onde é que os dinossauros viviam, então?

Conjecturas à parte, o Jardim do Éden construído pela novela foi de encher os olhos, mesmo com a clara inspiração naqueles folhetos religiosos. O colorido saltou às vistas, bem como a beleza dos atores que vivem Adão e Eva.

No entanto, a solução vista para não expor demais a nudez dos personagens não se mostrou uma boa ideia. Ao “esconder” partes do corpo de Adão e Eva com luzes, arbustos e até animais, a novela ganhou uma cara de comédia involuntária. Algo como Os Simpsons escondendo a nudez de Bart no longa-metragem baseado na série.

Claro, a Record TV não ia apostar num casal com nudez explícita em seu horário nobre. Mas a solução mais óbvia para não explicitar demais seria, justamente, não focalizá-los muito de corpo inteiro. Seria menos esquisito.

Machismo

A história de Adão e Eva também soa fora do tom em tempos em que se discute tanto o machismo. É à Eva que recaí toda a culpa pelo fim do Jardim do Éden, e é ela quem sofre as piores consequências por conta disso.

Mas não se espera grandes inovações quando se trata de uma história baseada na Bíblia. No geral, Gênesis é realmente uma produção caprichada, e de estrutura bastante ousada, já que se divide em sete fases. Num momento em que a emissora pena ao buscar um fenômeno semelhante a Os Dez Mandamentos, Gênesis se mostra como forte candidata.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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