Canal Viva promete novelas um pouco mais antigas para futuro próximo

Comunidade noveleira ficou em polvorosa com a notícia, mas é bom conter maiores expectativas

Publicado há 5 dias
Por Fábio Costa
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Algumas informações divulgadas pela jornalista Patrícia Kogut em O Globo deixaram os membros da ‘comunidade do novelismo’, como eu costumo nomeá-la, em polvorosa. Primeiro, ela noticiou a volta de Locomotivas e Cara & Coroa no ano que vem, na tela do Canal Viva.

Posteriormente, ao comentar a informação, Patrícia Kogut revelou que Locomotivas, de Cassiano Gabus Mendes, com estreia prevista para novembro de 2021 no canal pago, é um passo a mais na direção das produções mais antigas, de 1977 (ano da novela) para trás, quem sabe.

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Além disso, no Instagram a jornalista falou primeiro em O Beijo do Vampiro, de Antonio Calmon, também para o Canal Viva, e nesta quarta-feira (18) revelou que também novelas como Sonho Meu e Era Uma Vez… já estão na lista de próximas atrações.

Só para ilustrar, entre as próximas novelas previstas para a grade do Viva estão produções de horários, temas e épocas bastante distintos entre si: além de A Viagem (1994), vêm aí O Salvador da Pátria (1989) e Da Cor do Pecado (2004).

Das mais de 40 novelas que exibiu em seus 10 primeiros anos de atividade, o Canal Viva apresentou quatro títulos produzidos entre 1978 e 1981, a saber: Dancin’ Days, Pai Herói, Água Viva e Baila Comigo. Daí, já ocorre um salto para a segunda metade dos anos 1980, com A Gata Comeu, Roque Santeiro e títulos posteriores ao ano das duas, 1985.

Reprisada duas vezes e fora do ar desde 1987, Locomotivas figura há anos nas listas de novelas mais pedidas pelo público para reprise no Viva e foi a primeira produzida totalmente em cores para a faixa das 19h da TV Globo. Seus papéis centrais foram interpretados por Aracy Balabanian, Walmor Chagas, Lucélia Santos (que vivem um triângulo amoroso) e Eva Todor.

Direitos autorais, de imagem e sobre a trilha sonora, além de questões técnicas de conservação e readequação do material, competem para que eventuais problemas de liberação dos conteúdos acabem ocorrendo. Além de decisões de natureza estratégica.

Isso leva, por exemplo, a adiamentos como o ocorrido com Ti-ti-ti, versão de 1985. Em seu lugar entrou Brega & Chique, do mesmo autor e de 1987. E que já havia sido prometida em 2018, vocês devem se recordar.

No entanto, talvez seja um pouco cedo para muita comemoração. É certo que nos últimos tempos novelas anunciadas com bastante antecedência acabem se confirmando na grade do Viva. Casos de Mulheres Apaixonadas, O Clone e da segunda reprise de A Viagem, por exemplo.

Assim como também se deve lembrar que o canal há um bom tempo está nas cabeças do ranking de audiência, chegando mesmo em alguns horários a ultrapassar emissoras abertas, ou igualar-se a elas. De maneira que cancelamentos abruptos, se não são impossíveis, passam a menos prováveis, ante uma boa estratégia de planejamento de grade.

Um fator que não deve ser desprezado é o eventual estranhamento de uma parcela do público quanto à qualidade técnica das novelas dos anos 1970 e começo dos 1980. A grande maioria dos cartazes do Viva tem sido composta de histórias transmitidas nas décadas de 1990 e 2000, com os anos 1980 em presença constante.

Filmes e séries antigos são relativamente fáceis de encontrar e foram vendidos com êxito por anos em DVD, mesmo em VHS, embora em menor escala. O estranhamento com novelas antigas acaba não se justificando, uma vez que toda produção audiovisual espelha seu tempo em temáticas, visual, figurino, intenções, texto etc. Mas ele existe, apesar disso.

Vai daí que compreensivelmente haja alguma reserva, apesar dos apelos de espectadores nas redes sociais, para que se exibam títulos como Irmãos Coragem (1970), Selva de Pedra (1972), O Bem-amado (1973), Gabriela (1975), O Astro (1978), Marron Glacé (1979), Sétimo Sentido (1982), entre outros.

Na era do 4K e do Full HD, imagine o bug que pode representar para certos jovens – e mesmo para alguns não tão jovens… – uma novela em preto e branco, com metade do elenco já falecida. Não que isso deva impedir que essa novela volte a ser apreciada pelo público interessado, logicamente.

O bom desempenho do Viva em números nos últimos tempos deixa a direção mais propensa a “ousadias” como essa. Ganhamos todos: os mais velhos por poderem rever clássicos da TV, além dos que já pudemos rever ou conhecer no canal, e os mais jovens pela oportunidade de mergulhar nessa história de sucesso que explica por que a novela é o que é até hoje.

Não custa lembrar (ou fazer saber) uma circunstância lamentável e triste: novelas feitas antes de 1975 praticamente não existem mais. Em boa medida elas se perderam, porque as fitas com os capítulos foram reutilizadas, ou incêndios as consumiram. Vai daí que algumas produções não possam voltar mais.

Caso Locomotivas e afins comprometam a posição do Viva no ibope – o que não creio que ocorra -, seguramente esse passo em direção a um passado passado da nossa teledramaturgia pode voltar atrás sem maiores problemas. Logo, o noveleiro deve fazer a sua parte e assistir àquilo que tanto pede, para que a entrada do conteúdo no ar se justifique para o canal.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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