Programação infantil da Globo: hoje abandonado, segmento já teve muitos investimentos

Publicado há 4 anos
Por André Santana
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Em 2015, a estreia do programa É de Casa decretou, em definitivo, o fim da programação infantil da Globo. O programa de variedades ocupa o horário antes pertencente à TV Globinho, que nada mais era que uma faixa de desenhos. Antes disso, em 2012, a TV Globinho deixava a programação diária com a estreia do Encontro com Fátima Bernardes. Ou seja, o desprestígio da grade infantil já vinha há tempos na emissora, e o fim da TV Globinho foi a pá de cal que faltava para enterrar a já agonizante programação para crianças do canal.

Curioso lembrar que nem sempre foi assim. 15 anos antes, em 2000, a faixa infantil da emissora passava por uma intensa reformulação, e a ideia era estrear diversos programas infantis que substituiriam o Angel Mix, atração apresentada por Angélica, que ia mal de audiência. O saudoso diretor de núcleo Roberto Talma foi convocado para assumir a grade infantil, e ele colocou em prática um projeto audacioso, de nome Globinho. A ideia era reduzir o espaço dos desenhos e ocupar toda a manhã da Globo com uma faixa de programação formada por diversos programas de meia hora.

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A faixa Globinho seria comandada por Angélica, que não teria mais um programa de auditório e seria, apenas, uma âncora a costurar toda a programação. Além disso, ela protagonizaria uma nova novelinha infantil que ocuparia parte do Globinho. A nova trama, que vinha tentar reeditar o sucesso Caça Talentos, se chamaria Angel Road. E, além de Angel Road, haviam vários outros projetos para ocupar a faixa, como a série Pequeno Alquimista, quadros com bonecos, a nova versão do Sítio do Picapau Amarelo, e a série Capitão Sardinha, criada por Cao Hamburger e protagonizada por Stênio Garcia.

Capitão Sardinha chegou a ter episódios gravados. Narraria as aventuras submarinas do personagem-título, vivido pelo veterano ator, e teria ao seu lado a companhia do Marujo Pimenta, papel de Cássio Scapin, o Nino do Castelo Rá-Tim-Bum. Já Angel Road teria Angélica como ela mesma, vivendo uma cantora que, a bordo de um ônibus, correria o Brasil fazendo shows. André Marques, Maurício Branco, Patrícia Lucchesi e a dupla Rosa & Rosinha compunham o elenco, que teria ainda Mônica Carvalho como Vicky, a vilã da história. O Sítio do Picapau Amarelo também se encontrava já em pré-produção, e já havia definido o nome de Nicette Bruno como Dona Benta.

Entretanto, conforme foi ganhando forma, o projeto Globinho foi se transformando. Para a ancoragem, foram escalados repórteres-mirins, que fariam matérias entre um programa e outro, surgindo assim a TV Globinho. TV Globinho acabou se tornando uma emissora de televisão comandada por crianças e, de quebra, ganhou toda uma cidade ao seu redor. A chamada “cidade dos sonhos” seria o local onde toda a programação infantil aconteceria. O local acabou ganhando o nome de Bambuluá e a faixa infantil abandonou o título Globinho para assumir o nome de seu cenário principal. Assim, a novelinha Angel Road foi abortada, e Angélica viu suas novas aventuras serem transferidas para a “cidade dos sonhos”, surgindo assim a história principal do programa Bambuluá, que estreou em outubro de 2000. Angel Road, que teve vários capítulos gravados, acabou sendo exibida em agosto de 2000, como uma “minissérie” em cinco capítulos, com o título Angélica na Estrada.

Deste modo, a ideia de ter vários programas de manhã foi trocada por um único projeto, mas que reuniria diversos segmentos. Bambuluá, assim, tinha a novelinha principal, mas todo o programa era costurado pela TV Globinho, que exibia desenhos animados e quadros diversos, como Garrafinha, Iscavoka-Iscavoka e Irmãos em Ação. Os demais projetos também foram tocados, mas passaram por mudanças. No lançamento de Bambuluá, o diretor Roberto Talma afirmou que Capitão Sardinha estava sendo repensado, pois foi considerado que o piloto não dialogava com o público-alvo. Assim, a atração foi totalmente reformulada, e Stênio Garcia e Cássio Scapin foram substituídos por dois garotos, nascendo assim o quadro As Aventuras de Zeca e Juca, exibido em 2001 no Bambuluá. Já o Sítio estrearia em outubro de 2001, enquanto a ideia do Pequeno Alquimista foi deixada de lado, se tornando um especial de fim de ano tempos depois.

E o resto da história é conhecido: Bambuluá não atingiu os índices de audiência almejados pela Globo e saiu do ar no final de 2001. Angélica, assim, deixaria os programas infantis definitivamente, passando a se dedicar ao Vídeo Show e ao Fama. Já a TV Globinho deixou de ser quadro do Bambuluá e se tornou um programa independente. E a programação infantil da Globo acabou trazendo de volta Xuxa Meneghel, com seus Xuxa no Mundo da Imaginação, de 2002 a 2004, e TV Xuxa, de 2005 a 2007. Já o Sítio do Picapau Amarelo também continuou, terminando no final de 2007. E a TV Globinho sairia do ar apenas em 2015.

Relembre a história de Bambuluá, a cidade dos sonhos

Uma pena observar que a programação infantil já teve tantos projetos e investimentos por parte da direção da Globo e, atualmente, estar completamente extinta. Com isso, a Globo não forma seus novos futuros espectadores. A longo prazo, este desinteresse pelas crianças pode custar caro.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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