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Simone Zucato reestreia peça Sylvia, em que vive um cão, após novela, cura do câncer e perda do pai

À coluna, atriz revela emoção ao interpretar cachorra e diz que espetáculo estimula adoção

Publicado em 03/11/2023

Simone Zucato é uma cachorra… calma, não é um xingamento… na peça Sylvia, de volta a São Paulo após quatro anos. O espetáculo internacional, protagonizado por uma cadela interpretada por uma humana, contou com Sarah Jessica Parker no papel-título e até ocupou a Broadway. Foi lançado no Brasil pela atriz e produtora cultural em 2019, em meio às gravações da novela O Sétimo Guardião, da Globo, e o tratamento de um câncer de mama. Agora, ela volta ao teatro curada e com novas emoções.

Em entrevista exclusiva à coluna, Simone Zucato fala sobre a reestreia de Sylvia no Outubro Rosa e como a cura do câncer ressignificou seu amor pela vida. A atriz dedica a remontagem ao pai, que assistiu à filha no papel de cadela em 2019 e morreu durante a pandemia.

Embora seja uma comédia, Sylvia emociona o público pelo afeto entre homem e animal, principalmente “pais” e “mães” de pets. Segundo a artista, o público se identifica e até quem não cria bichinhos de estimação sente vontade de adotar depois de sair do teatro às lágrimas.

Confira abaixo, na íntegra, a entrevista com Simone Zucato, protagonista da peça Sylvia:

Cassio Scapin e Simone Zucato na peça Sylvia
Cassio Scapin e Simone Zucato na peça Sylvia

PAULO PACHECO: Você lançou Sylvia em 2019, quando tratava o câncer. O que representa retomar a peça curada, no mês do Outubro Rosa e depois da pandemia?

SIMONE ZUCATO: Certamente a versão de Sylvia agora tem um novo significado para mim. O dia em que recebi alta, fui pega de surpresa. Sabe quando você não espera ouvir algo? Na saída da minha consulta periódica, o médico falou: ‘Hoje você está de alta da oncologia. Você não é mais considerada uma paciente oncológica’. E eu, que não choro fácil, chorei muito quando entrei no carro. É uma ficha que demora tanto para cair quanto aquela que demora quando você é diagnosticada com um câncer. Talvez a vida seja tão cheia de coisas que a gente não consegue parar para assimilar a importância de uma notícia assim. Quando a gente assimila é arrebatador demais. Entender a cura, uma nova chance, o propósito de tudo aquilo, é algo que precisa ser pensado e repensado muitas vezes antes de chegarmos a um entendimento. Quando passamos por esses questionamentos, por essas reflexões, chegamos a um entendimento que antes não existia. Um entendimento sobre muita coisa, como o que e quem priorizar na vida, o que levar desse ensinamento, quem a gente quer ter por perto.

Retomar Sylvia, que é uma peça que fala também sobre transformações, em um mês que simboliza uma batalha que venci e que vejo muitas mulheres atravessarem, é muito simbólico para mim. Se juntarmos ao fato de ela estar vindo depois de uma pandemia, é mais simbólico ainda. Foi na pandemia, em julho de 2020, que perdi meu pai, Eurico Zucato, aos 68 anos, por causa de um infarto. Sempre fomos uma família muito amorosa e tenho certeza que quem já perdeu um pai sabe o que estou falando, a vida nunca mais será a mesma. Não há como falar em ser completamente feliz quando a gente perde um pai como o pai que meus irmãos e eu tivemos. Sylvia foi a última peça que fiz e que meu pai viu, em 2019. E ele gostou tanto que foi me assistir quatro vezes na temporada de São Paulo. Então, retomar essa peça me traz um brilho nos olhos que havia sido apagado com sua partida.

PP: Somente Cassio Scapin, além de você, esteve nas duas peças. Como você montou o elenco desta versão?

SZ: Vera Zimmermann é uma atriz que sempre admirei e fiquei encantada e supresa com seu trabalho em As Cangaceiras. E sempre achei que ela tinha o biotipo da Kate [interpretada em 2019 por Françoise Forton, que morreu em janeiro de 2022]. Ela inclusive esteve conosco na estreia de Sylvia, em 2019. Quando o diretor Gustavo Wabner sugeriu seu nome, achei perfeito para o papel. Já o Thiago Adorno eu não conhecia, mas queríamos alguém que tivesse a mesma sintonia do Rodrigo Fagundes. Cassio o conhecia e um dia, conversando comigo, falou dele. Na sequência, o Gustavo sugeriu seu nome e achei muita coincidência. Falamos por telefone, adorei a conversa e fechamos de fazer a peça sem ele sequer conhecer o texto, porque ele queria muito trabalhar com o Cassio. Quem não quer, não é? Estou apaixonada por esse elenco! Sinto-me privilegiada por poder dividir o palco com pessoas tão talentosas e queridas. Estamos formando uma família daquelas que a gente sente saudade de você quando fica longe durante a semana. Nossa coxia é mais que especial. A gente se entende com um olhar, se cuida, se diverte, se ajuda… Cassio, Vera e Thiago são verdadeiros presentes para mim. Aliás, o elenco, a direção e a equipe técnica toda!

Vera Zimmermann, Simone Zucato e Cassio Scapin na peça Sylvia
Vera Zimmermann, Simone Zucato e Cassio Scapin na peça Sylvia

PP: Sou tutor de gato, e a peça faz mais sentido para quem tem um pet em casa. Você é ou foi “mãe” de pet? Como é interpretar as emoções de um pet com seu tutor?

SZ: Olha, faz mais sentido sim, mas também faz para quem não tem. E digo mais, faz sentido até para quem não gosta de pet. Fui ‘mãe’ de pet minha vida inteira. Meus irmãos e eu crescemos com cachorros desde que nascemos. Sempre fui muito observadora do comportamento deles. Quando li a peça me identifiquei muito com a Sylvia. É como se já na primeira leitura do texto eu soubesse o que ela sentia, como ela olhava, como ela era. É uma personagem desafiadora, porque tem uma linha muito tênue para virar uma caricatura, então tento me policiar pensando no que um cachorro estaria pensando, em como ele agiria, como se movimentaria. Fora isso, também é desafiadora fisicamente porque exige muito corporalmente. Quando você coloca esse desafio ao lado de parceiros incríveis como os que tenho, e em especial o Cassio – porque, além de ser com quem mais tenho cenas, a história começa com Sylvia e Greg – se torna ainda melhor. É um desafio delicioso!

PP: Sylvia é uma comédia, mas o final é emocionante. Você já ouviu relatos de espectadores que se interessaram em adotar animais em função da peça?

SZ: Muitos! O final é algo que acontece com a maioria de quem tem pet, e eu acho impossível não se emocionar porque as pessoas se identificam com aquela situação. Eu chorei todos os dias de ensaio quando assistia a essa cena. Quando falo sobre esse desfecho, eu ainda choro. E isso só mostra o tamanho do amor que esses seres nos fazem sentir. Quando a peça acaba, vejo muitas pessoas chorando, emocionadas, e muitas delas falam que querem sair do teatro para ficar com seus cachorros, que estão em casa, ou que querem sair dali e adotar um. Muitos falam até que vão chamar de Sylvia se adotarem uma fêmea. Acho isso muito tocante. Chegamos ao coração das pessoas com uma história linda, que tem muitas camadas, que fala sobre assuntos importantes e necessários. E fico muito feliz com isso porque esse é o papel do teatro.

SERVIÇO:

Sylvia
De 20 de outubro a 10 de dezembro.
Sextas e sábados, às 20h e domingos, às 17h.

Ingressos:
Sexta-feira: R$ 70,00 / R$ 35,00 (plateia) e R$ 50,00 / R$ 25,00 (frisa e balcão);
Sábados e domingos: R$ 80,00 / R$ 40,00 (plateia) e R$ 60,00 / R$ 30,00 (frisa e balcão).

Bilheteria: Aberta somente nos dias de espetáculo, duas horas antes da atração.

Duração: 90 minutos.
Classificação: 12 anos.
Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/86902

TEATRO PORTO
Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo.
Telefone: (11) 3366-8700

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