Silvio Santos mandou cunhado até o México para comprar Chaves: “Achava ruim, mas errei”

Em entrevista à coluna, Rubens Passaro detalha o processo de compra da série mexicana

Publicado em 20/8/2021
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Nos 40 anos do SBT, comemorados nesta quinta-feira (19), é impossível não mencionar duas atrações que só estão fora da emissora por imposição contratual: Chapolin e Chaves. As séries mexicanas estrearam em agosto de 1984 (o herói no dia 20; o garoto no dia 24) e saíram do ar em julho de 2020, após um impasse entre a rede Televisa e os filhos de Roberto Gómez Bolaños (1929-2014). Um personagem foi fundamental para a chegada dos enlatados: Rubens Passaro, cunhado de Silvio Santos.

Irmão de Iris Abravanel, Rubens ajudou a implantar o SBT em 1981. Dois meses após a inauguração, Silvio lhe deu uma missão: visitar a Televisa e descobrir como o canal conseguia produzir até oito novelas simultaneamente. Para isso, aproveitou uma viagem já marcada ao país latino-americano como representante do Miss Brasil.

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Alguns dias depois, Silvio telefonou ao cunhado pela manhã (madrugada no México) com outra tarefa: encontrar um tal de Roberto Bolaños. “Na época, eu nem sabia o que era El Chavo”, conta Rubens Passaro em entrevista exclusiva à coluna. O apresentador certamente foi o primeiro brasileiro a ver Chaves, que já fazia sucesso em praticamente toda a América Latina. Em 1981, o elenco havia realizado turnês históricas na América Central e em países como Chile e Colômbia. Faltava o Brasil, e o dono do SBT sabia disso.

“Ele me ligou e mandou procurar o Bolaños, porque tinha visto cinco minutos do programa dele e gostou. Fui à casa do Bolaños, tomamos café, batemos papo, expliquei a ele o que era o SBT. Ele foi muito legal, mas disse que provavelmente eu teria que conversar com a área internacional da Televisa”, relembra o cunhado do “patrão”.

Quando teve contato com as primeiras cenas de Chaves, entretanto, Rubens Passaro sentenciou: aquele produto gravado na década de 1970 não servia para uma emissora recém-lançada: “Um profissional em sã consciência jamais compraria. Realmente, não tinha qualidade, as fitas eram antigas. Depois de pouco tempo, se não armazenasse direito, começaria a se deteriorar. A imagem estava toda desbotada, quase em preto e branco”.

Silvio Santos, porém, estava irredutível e queria aquele humorístico desbotado no ar o quanto antes. Inclusive, partiu do dono do SBT o nome brasileiro de El Chavo: Chaves. Seu cunhado, então, desembarcou no Brasil com quatro fitas para serem avaliadas pela direção. Os episódios foram entregues a José Salathiel Lage, diretor do núcleo de dublagem do SBT, que escalou Marcelo Gastaldi (1944-1995) para comandar os trabalhos. Além de ter escolhido as vozes dos personagens, emprestou sua voz a Chaves e Chapolin.

“Trouxe apenas quatro fitas, que foram as primeiras que ele mandou dublar e mostrar na reunião com a diretoria. Enquanto o Salathiel dublava, eu já estava correndo com a importação porque demorava muito, cerca de seis, sete meses”, explica Passaro, que importou 400 episódios antes mesmo da avaliação da alta cúpula do SBT.

Na reunião com Silvio, a direção concordou com Rubens. Aquilo não era conteúdo para ir ao ar. Apenas um executivo, Salathiel Lage, afirmou que gostaria de mostrar aquele humor simples para sua filha. Foi o suficiente para o dono do SBT lançar as duas séries dentro do game TV Powww, apresentado por Paulo Barboza (1944-2018).

Quatro décadas depois, Rubens Passaro admite ter se arrependido da avaliação negativa de Chaves, embora ainda considere a péssima qualidade técnica do material, e elogia o faro de Silvio Santos para montar a programação do SBT.

“Tem que aceitar as coisas, né? Errei, mas não só eu. Todos nós erramos, mas vimos como profissionais empregados, sempre buscando o melhor em termos de qualidade. Para uma segunda rede do país, colocar uma coisa sem qualidade não dá. Mas o Silvio é dono, coloca e ponto. Na época, eu não compraria. Só ele mesmo. Ele enxerga as coisas de outra maneira”, conclui.

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