Na HBO Max

Documentário ressalta importância de Mary Tyler Moore para a mudança da representação da mulher na TV

Filme narra trajetória da artista, que influenciou gerações de espectadoras

Publicado em 09/06/2023

Disponível desde 26 de maio no catálogo da HBO Max, o documentário Mary Tyler Moore – A Dama da TV (título original: Being Mary Tyler Moore) resgata a importante figura da atriz, cuja carreira de seis décadas ficou marcada pela modificação da forma de representar a mulher na televisão, no sentido de mostrá-la como uma figura que podia viver sem que tivesse um homem como centro de suas atenções.

É justamente dessa ideia que parte o programa de TV que levou seu nome e atravessou os anos 1970. The Mary Tyler Moore Show alcançou grande sucesso – inclusive no Brasil, nas TVs Globo, como atração do vespertino Globo Cor Especial, e Bandeirantes – com uma protagonista que deixa sua cidade natal e se muda para Minneapolis, a fim de trabalhar como jornalista numa emissora de TV. Sem marido, sem filhos, sem família, apenas ela por si, o que lhe rendia muito mais preocupações do que arrumar namorados e pretendentes.

Na década de 1960, Mary Tyler Moore já havia ficado muito famosa no papel de Laura, esposa de Dick Van Dyke no show que levava o nome do comediante. Bonita, expressiva, talentosa, depois da série Mary não teve o mesmo sucesso no teatro e no cinema, devido a diversas circunstâncias.

Ao voltar à TV e produzir o próprio show, a artista pôde fazer um papel diferente de Laura, mas também engraçado. E bastante crítico, ao colocar em pauta os anseios e possibilidades da mulher de seu tempo como nunca antes. Saudada até hoje, premiada, reprisada, Mary Tyler Moore originou séries a partir de seus personagens coadjuvantes: Rhoda, Phyllis e Lou Grant – este o chefe da protagonista na emissora.

De mãe alcoólatra e pai que considerava inteligente demais, quase amedrontando-a com seu brilhantismo, Mary começou a interessar-se por artes, inicialmente pela dança, como forma de chamar a atenção deles. O documentário narra os fatos de sua vida particular que contextualizam sua trajetória artística, até certa altura, e depois o inverso: as escolhas profissionais ditadas por sua vida particular, que ela tencionava diferenciar para o público, ao demonstrar que a Mary Richards da série de TV não existia na realidade, embora dela tivesse muito.

Ao contar com depoimentos de artistas que cresceram vendo Mary Tyler Moore e foram diretamente influenciadas por ela, como Reese Whiterspoon e Julia Louis-Dreyfus, o filme ilustra a atuação da artista pela nova forma de encarar a mulher na TV. Ao trazer amigos e familiares falando dela, inclusive o terceiro marido e seu viúvo, o trabalho mostra uma Mary para além da comédia que a consagrou.

O conjunto oferece, especialmente aos espectadores que não são “do tempo” da atriz, a dimensão do que Mary Tyler Moore significa para a telinha, e não somente nos Estados Unidos. Recomendado para quem curtiu a série – também reprisada pelo Multishow nos anos 1990 -, acompanhou as transformações sociais do último meio século e também para quem deseja saber mais sobre um grande nome da televisão cujo trabalho deixou uma grande marca positiva.

A direção de Mary Tyler Moore – A Dama da TV é de James Adolphus, vencedor do Emmy por Soul of a Nation. Lena Waithe (A Thousand and One), Debra Martin Chase (Harriet) e Ben Selkow (Q: No Olho da Tempestade) respondem pela produção do filme, cuja estreia mundial ocorreu no SXSW Festival 2023.

As informações e opiniões expressas nesta crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

© 2024 Observatório da TV | Powered by Grupo Observatório
Site parceiro UOL
Publicidade