Enfim, acabou!

Poço de incoerências e personagens ruins, Travessia acertou apenas ao abordar temas sociais

Pior novela de Gloria Perez chegou ao fim com muitos problemas

Publicado em 05/05/2023

A novela Travessia chegou ao fim após longos meses. A trama de Gloria Perez terminou como um poço de incoerências, permeada por personagens ruins e enredo difícil de engolir. A única salvação foi a abordagem de temas sociais.

Experiente, a autora soube tratar algumas histórias necessárias, tanto que se destacaram em meio aos dramas da mocinha Brisa (Lucy Alves), de longe a pior protagonista da dramaturga.

A trajetória da maranhense foi preguiçosa. Começou com imagem falsa e acusação de sequestro, em uma cena forte, mas que morreu logo no início da novela. Depois, Brisa foi presa, perdeu o filho e ganhou um novo namorado.

Lucy Alves se esforçou, mas não conseguiu fazer milagre. Para dar uma animada na trama, Gloria inventou o mistério do parente de Brisa. Mas, em vez de prezar pelo fácil – com Brisa sendo filha de Guerra (Humberto Martins), a dramaturga preferiu seguir o enredo de “mulher quimera”.

Desde o começo da novela, Gloria já havia adiantado que iria tratar desse tema inédito. A revelação aconteceu apenas no último capítulo, deixando os dramas de Brisa bem cansativos. Fora o tempo em que ela ficou longe de Oto (Rômulo Estrela), seu grande amor, casal que caiu nas graças do público.

Oto (Rômulo Estrela) e Brisa (Lucy Alves) em Travessia
Oto Rômulo Estrela e Brisa Lucy Alves em Travessia

Personagens capengas

De coerente em Travessia podemos destacar somente a rivalidade entre Guerra e Dante (Marcos Caruso), que depois foi comprada por Ari (Chay Suede). Tanto que, ao dar o troco roubando as ações do empresário, mesmo que de forma errada, o personagem fez a trama andar e chamar atenção.

Ari, aliás, foi um dos melhores personagens da novela. Cidália (Cássia Kis) não teve história, mas sua intérprete conseguiu tirar leite de pedra sendo apenas a “orelha” de Guerra. Grata surpresa, Jade Picon começou mal, mas cresceu e se destacou como a mocinha Chiara.

Por outro lado, a novela de Gloria Perez contou com uma série de histórias ruins e personagens piores ainda (oposto de A Força do Querer, último trabalho da autora, que tinha figuras incríveis). Além de Brisa, Moretti (Rodrigo Lombardi) foi um vilão péssimo, mas não de maldade, mas de vergonha alheia.

Guida, Cotinha e Leonor
Guida Alessandra Negrini Cotinha Ana Lucia Torre e Leonor Vanessa Giacomo em Travessia

Talita (Dandara Mariana) era esperada como uma personagem que teria uma virada (podia até se revelar uma vilã), mas foi apenas a assistente de marketing e fofoqueira da empresa. Lídia, por sua vez, foi somente uma secretária, papel pequeno para a ótima Bel Kutner. O mesmo rolou com Leonor (Vanessa Giácomo), que tinha ares de protagonista, mas foi totalmente mal escrita.

Alessandra Negrini se esforçou como Guida, que teve até bons momentos; assim como Drica Moraes (Núbia) e Marcos Caruso (Dante). Méritos também para Giovanna Antonelli, Alexandre Nero e Luci Pereira, que conseguiram trazer maturidade para seus personagens conhecidos em Salve Jorge.

Helô (Giovanna Antonelli) em Travessia
Helô Giovanna Antonelli em Travessia

Abordagem correta

Em meio a um poço de histórias arrastadas e que não serviram nem para rir, Travessia acertou ao abordar alguns temas sociais. O principal foi o drama de Karina (Danielle Olímpia).

O alerta sobre pedofilia na internet foi o maior acerto da produção. Tanto que o público se emocionou, torceu para Karina superar o trauma e pela punição ao criminoso, genialmente interpretado por Claudio Tovar.

Já o drama de Theo (Ricardo Silva), adolescente dependente de tecnologia e jogos on-line, foi arrastado, mas também bem trabalhado pela autora, sobretudo nas atitudes de negação dos pais.

Karina (Danielle Olímpia) e Isa (Duda Santos) de Travessia
Karina Danielle Olímpia e Isa Duda Santos de Travessia

Por fim, a deepfake que afetou Brisa também foi um tema importante trabalhado na obra, embora mostrado de modo raso, já que essa trama (baseada em uma história real), poderia render muito mais.

Gloria Perez é craque em fazer merchandising social e com Travessia não foi diferente. Todavia, foi pouco comparado com o resto, sendo essa sua pior novela. Uma pena, pois com algumas boas mudanças, a história poderia melhorar, conquistar os telespectadores e se transformar em um grande sucesso.

As informações e opiniões expressas nesta crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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