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Crítica

Ao reduzir Christian a mera vítima de chantagem, Um Lugar ao Sol empobrece e anda em círculos

A trama da troca de gêmeas apenas repete as mesmas situações de sempre

Publicado em 17/02/2022
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Uma das principais qualidades de Um Lugar ao Sol é a crítica social contundente que a autora Lícia Manzo injetou em todos os núcleos da novela da Globo. A trama sempre destaca personagens que têm problemas semelhantes, mas com resoluções diferentes, causadas pelo abismo social que os separam. E tudo isso é representado em Christian (Cauã Reymond), que sente na pele os dois lados da moeda.

Christian vivia uma vida miserável e de inúmeras negações. Por não ter oportunidades, se tornou um homem desesperançoso e desesperado. Mas viu sua vida mudar quando se encontrou com Renato (Cauã Reymond), um irmão gêmeo que tinha tudo o que ele desejava. Assim, não titubeia ao trocar de lugar com o irmão quando Renato é assassinado por traficantes.

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Neste contexto, os gêmeos representam realidades sociais distintas que se chocam, expondo a grande diferença que existe entre um e outro. Ao se tornar Renato, Christian teve a oportunidade de estar num lugar que sempre sonhou, mas que sempre lhe foi negado. Enquanto isso, também vive o ônus da polêmica decisão, como abrir mão de um grande amor e de valores, como a amizade sincera.

Ou seja, a história de Christian é um dramalhão dos bons. Mas é possível perceber que, apesar da excelente proposta, esta trama não se sustentou ao longo dos capítulos de Um Lugar ao Sol. Neste momento da trama, a troca de identidade envolvendo os gêmeos não traz grandes acontecimentos ou discussões à trama principal da novela.

Contra-atacar

Na verdade, a trama de Christian acabou caindo numa repetição. Seu maior conflito é lidar com a chantagem de Túlio (Daniel Dantas), que descobriu a farsa e usa esta informação para que “Renato” o ajude a desviar dinheiro da Redentor. Como se não bastasse, Christian também se tornou vítima da chantagem de Joy (Lara Tremouroux). E, nos próximos capítulos, ele será chantageado por Stephany (Renata Gaspar).

Assim, todo o conflito ético e moral envolvendo a troca de identidade se perde, abrindo espaço apenas para um Christian acuado e constantemente chantageado. Desviar das armadilhas de seus algozes tem sido o maior passatempo do protagonista da novela, numa repetição de situações que não o leva a lugar algum. A trama perdeu a graça e a profundidade.

Sabe-se que, na sinopse original de Um Lugar ao Sol, Renato não morreria. O gêmeo rico ficaria em coma, e Christian seria forçado a ocupar seu lugar. Com isso, a farsa se construiria sob uma corda bamba, afinal, Christian viveria com o temor do iminente despertar do irmão. Talvez esta situação rendesse mais.

Mas, do jeito que foi construída a trajetória de Christian, nota-se que a troca não tem fôlego nem mesmo para uma novela curta quanto Um Lugar ao Sol. Apesar de a proposta ser, sim, muito interessante, na prática a coisa não rendeu como o esperado.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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