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BELA SAÍDA

Análise: The Dropout dá desfecho satisfatório para história ainda sem final

Saiba como a minissérie sobre a golpista Elizabeth Holmes amarrou a trama

Publicado em 09/04/2022
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A minissérie The Dropout tinha uma missão delicada. Não era necessariamente encenar fatos reais recentes, acerca de fraude colossal praticada por startup médica. Mas sim colocar um ponto final em história que ainda não está concluída. Como visto no último episódio, disponível no Star+ desde quinta-feira (7), o desfecho foi muito satisfatório.

Seguindo o modelo de muitas atrações baseadas em acontecimentos verídicos, The Dropout exibiu, antes dos créditos finais, aquelas informações na tela situando o público sobre o que aconteceu com os personagens retratados, expondo o status atual.

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Percebe-se, então, que na vida real muita coisa está em aberto. Mesmo assim, a minissérie cruzou a linha de chegada bem e encontrou uma solução sagaz.

Sorriso de Elizabeth Holmes (Amanda Seyfried) encantou investidores

O golpe de Elizabeth

The Dropout narrou a trajetória de Elizabeth Holmes, interpretada por Amanda Seyfried, falsária de primeira grandeza que deixa a Anna Sorokin/Delvey de Inventando Anna (Netflix) no chinelo.

O encanto de Elizabeth Holmes não foi apenas em prol de proveito próprio, atrás de luxo ou de benesses da vida na alta sociedade. Ela armou um esquema, aliando medicina e tecnologia, que enganou pacientes e investidores interessados em um procedimento inédito e (supostamente) revolucionário.

Elizabeth largou os estudos universitários (Stanford) em 2003. Com 19 anos, fundou a empresa Theranos, situada no coração do Vale do Silício e procurou financiadores interessados em um projeto ousado: realizar exames de sangue precisos, para detectar qualquer tipo de doença, usando apenas uma simples gota de sangue.

Sem nenhum resultado prático concreto, Elizabeth conseguiu atrair dezenas de investidores. Foi tratada pela imprensa como mulher revolucionária. Dez anos depois da fundação, a Theranos chegou ao valor de mercado de US$ 9 bilhões. Detalhe: não havia comprovação de que a tecnologia apresentada por ela eficientemente funcionava de verdade.

Assim como em Inventando Anna, a imprensa teve papel importante para desmascarar a golpista. Em 2015, o Wall Street Journal deu o pontapé nisso ao expor, com provas, inúmeras acusações contra Theranos e Elizabeth Holmes, variando desde o quase nulo investimento no tal teste de sangue revolucionário até irregularidades graves nos laboratórios da empresa. E ela sabia de todas as falhas, mas não contava para ninguém.

A Justiça americana entrou na parada e a coisa ficou mais séria. Isso porque a Theranos declarou falência em 2018 sem pagar dívida de US$ 60 milhões. A projeção de perda dos investidores girava em torno do US$ 1 bilhão. E 800 pessoas ficaram desempregadas.

Amanda Seyfried com Naveen Andrews em The Dropout

A sagacidade de The Dropout

No mundo real, a história está aberta. Em janeiro deste ano, Elizabeth Holmes recebeu quatro condenações (enfrentou 11 acusações), incluindo fraude e conspiração. Ela aguarda a sentença, prevista para sair em setembro, podendo pegar 20 anos atrás das grades; mais o peso de uma multa milionária.

Em relação a Sunny Baldwin (Naveen Andrews), o julgamento ainda está em andamento. Os advogados do milionário alegam que ele não era líder na Theranos, que não cometeu fraude e nem ganhou dinheiro da empresa.

Assim, dois personagens cruciais estão com o destino longe de um desfecho. A minissérie encontrou uma solução sagaz, principalmente em se tratando de Elizabeth.

Ela continuou lunática, sem assumir qualquer responsabilidade e crendo piamente que estava em uma jornada revolucionária na medicina. Na visão dela, a burocracia, as pessoas ao redor e o sistema atrapalharam. 

A falsária não percebeu, ou escolheu não perceber, que prejudicou milhares de pessoas, tanto da empresa quanto pacientes que receberam diagnósticos errados da Theranos. 

Inconsciente ou não, Elizabeth mudou de personalidade após a destruição da startup. O traje preto horrendo foi dispensado. E ela abandonou a voz rouca (captada com perfeição por Amanda Seyfried). Para completar a repaginada, a desbravadora de araque começou a atender pelo nome de Lizzy.

Independentemente da sentença dada a Elizabeth, vivendo duas décadas na cadeia ou não, The Dropout encerrou a história. Ela não assumiu a culpa e ligou o “tô nem aí”, seguindo a vida como se nada tivesse acontecido. 

Ao feitio dela, dona de visão egoísta e antipática, mudar de nome e personalidade são posturas suficientes para seguir em frente, não importa o estrago deixado no meio do caminho. ⬩

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