Há 42 anos estreava Pecado Capital, clássico de Janete Clair

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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No dia 24 de novembro de 1975, entrava no ar no horário nobre da Globo a novela Pecado Capital. Escrita por Janete Clair, a trama foi mais um grande sucesso da novelista que, pela primeira vez, adotava um tom realista ao narrar um folhetim. Betty Faria, Francisco Cuoco e Lima Duarte protagonizaram este verdadeiro clássico, que ganhou um remake em 1998.

Pecado Capital conta a história de Carlão (Francisco Cuoco), um motorista de táxi que vive um dilema moral quando encontra uma mala contendo 800 mil cruzeiros em seu carro. A mala foi esquecida no táxi por bandidos em fuga, após assaltarem um banco. Carlão, com a mala de dinheiro em mãos, não sabe se deve entregar o “tesouro” à polícia, correndo o risco de ser acusado de cúmplice, ou se usa o dinheiro para resolver seus problemas, que são muitos.

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Carlão é noivo de Lucinha (Betty Faria), uma jovem batalhadora que trabalha como tecelã na fábrica do milionário Salviano Lisboa (Lima Duarte). Bonita, ela é escolhida para estrelar uma campanha publicitária, e acaba engatando uma bela carreira como modelo, para horror de Carlão, que é machista e ciumento. Lucinha passa a frequentar ambientes mais sofisticados e, aos poucos, vai se afastando do subúrbio onde vivia, e também de Carlão. A jovem, então, acaba se envolvendo com Salviano, o que traz problemas a ela, já que os filhos do milionário acreditam que Lucinha está com ele apenas por interesse.

Enquanto isso, Carlão conclui que Lucinha o deixou por ser pobre, e decide então usar o dinheiro da mala para investir numa frota de táxi. Assim, o taxista ascende socialmente, tornando-se um bem-sucedido empresário do subúrbio. Ao mesmo tempo, com peso na consciência em razão de usufruir de um produto de roubo, Carlão se aproxima de Eunice (Rosamaria Murtinho), que foi envolvida involuntariamente no assalto e entregou os assaltantes à polícia, mas, agora, passa a ser perseguida por eles. Carlão se aproxima para oferecer ajuda como amigo, sem revelar que é o taxista procurado pela polícia. Eunice, porém, descobre a verdade, e os dois se casam.

Pecado Capital foi um dos maiores sucessos do horário das oito da Globo. Curiosamente, sua sinopse foi escrita às pressas por Janete Clair para resolver um grande problema que a emissora enfrentava. Isso porque a novela das oito produzida para a época, Roque Santeiro, de Dias Gomes, foi impedida pela censura de ir ao ar no dia da estreia. Assim, o canal teve que recorrer a um compacto de Selva de Pedra, enquanto produzia, às pressas, uma substituta. Após ter outros projetos vetados pela censura, a direção da emissora recorreu à Janete, que escrevia Bravo! para o horário das sete. A novelista deixou Bravo! nas mãos de Gilberto Braga e passou a se dedicar à sinopse de Pecado Capital. Roque Santeiro foi novamente produzida 10 anos depois, com muito sucesso.

Janete Clair, para criar sua história, tinha em mente o elenco que trabalhava na censurada Roque Santeiro. Nesta versão impedida de ir ao ar, Francisco Cuoco vivia o personagem-título, enquanto Betty Faria era a Viúva Porcina e Lima Duarte vivia Sinhozinho Malta. O trio, então, foi deslocado para Pecado Capital, vivendo os protagonistas Carlão, Lucinha e Salviano.

A ideia original de Janete Clair previa que Lucinha terminaria a novela com Carlão, que devolveria o dinheiro no fim da trama. Mas isso não aconteceu. O diretor Daniel Filho conta que as várias modificações que sugeriu para o roteiro levaram a novela para outro rumo. Uma vez que o romance de Lucinha com Salviano havia indiscutivelmente ganhado força na história e conquistado o público, o diretor ponderou com a autora que seria um erro desfazer o casal. Considerou, ainda, que um amor como o da tecelã e do taxista só deixaria de existir graças a uma tragédia. Para Daniel Filho, a condição para que Lucinha ficasse com Salviano era que Carlão morresse. Janete Clair acabou concordando que era preciso provar ao telespectador que a televisão era capaz de surpreendê-lo.

Normalmente adepta das tramas rocambolescas, Janete Clair entregava aqui uma história com tom realista, que mostrava um subúrbio bastante próximo da vida real e dramas humanos um tanto mais verossímeis. Por isso mesmo, Pecado Capital é considerada pela crítica uma das melhores novelas da autora. Pecado Capital não tinha o clichê da mocinha ingênua e sofredora, nem um galã romântico. Enquanto Lucinha era uma batalhadora e de personalidade forte, Carlão era quase um anti-herói.

Um remake de Pecado Capital foi produzido e apresentado pela Rede Globo, em 1998, no horário das 18 horas. A novela, assinada por Gloria Perez, teve direção de núcleo de Wolf Maya, e tinha no elenco Carolina Ferraz, como Lucinha, e Eduardo Moscovis, como Carlão. Os dois atores fizeram um grande sucesso como o casal Nando e Milena, em Por Amor, e a direção da trama decidiu apostar neles novamente. Aqui, porém, o casal ficou longe de repetir a química mostrada na trama de Manoel Carlos. Francisco Cuoco, o Carlão original, retornava agora como Salviano, formando um casal com Lucinha que também não convenceu. Gloria Perez, então, fez várias modificações, transformando a segunda versão de Pecado Capital numa trama bem diferente da primeira. A autora manteve a morte de Carlão no último capítulo, mas criou uma nova personagem para se envolver com Salviano, vivida por Vera Fischer. Lucinha, então, terminou sozinha.

Fracasso de público e crítica, o remake de Pecado Capital foi programado para ser reprisado no Viva em duas ocasiões. No entanto, o canal voltou atrás na decisão as duas vezes, em razão da reação negativa dos espectadores, que se manifestaram afirmando que preferiam ver a versão original, e não o remake.

Pecado Capital foi dirigida por Daniel Filho e Jardel Mello e teve 167 capítulos.

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