Gente Fina: os 30 anos de uma esquecida novela das 18h da Globo

Publicado há 8 meses
Por Fábio Costa
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Em 12 de março de 1990, portanto, há exatos 30 anos, a faixa das 18h da TV Globo começou a exibir uma de suas novelas mais esquecidas com o decorrer do tempo. Gente Fina foi escrita por Luiz Carlos Fusco e Marilu Saldanha, a partir de argumento de José Louzeiro. Fusco vinha de seguidas colaborações com Cassiano Gabus Mendes, entre elas Ti-ti-ti (1985/86) e Brega & Chique (1987), cartaz atual do Canal Viva. Marilu, por sua vez, participou da adaptação de A Barba Azul (1974/75), de Ivani Ribeiro, sob o título A Gata Comeu (1985), além de ter escrito Direito de Amar (1987) na equipe de Walther Negrão. Inicialmente, o projeto daria origem a uma história do Teletema, apresentada em cinco capítulos.

Gente Fina contava a história dos Paiva, uma família carioca de classe média, liderada por Guilherme (Hugo Carvana). Funcionário público fantasma, casado com Joana (Nívea Maria), Guilherme sofre um baque nas finanças que o leva a se mudar da zona sul do Rio de Janeiro para o bairro de São Cristóvão, na zona norte. O apartamento em Copacabana precisa ser desocupado em 24 horas, bem como os aluguéis atrasados devem ser saldados. Todos vão morar num imóvel emprestado pelo português Joaquim (Paulo Goulart), sócio de Guilherme numa oficina mecânica e amigo da família. Além de Guilherme e Joana, vão também os filhos Kika (Lizandra Souto), Beto (Nicolai Nunes) e Tatá (Natália Lage) e o vovô Olavo (José Lewgoy), pai do chefe da casa.

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Uma madame apaixonada pelo “gente fina” principal

Além das dificuldades financeiras, outro problema impacta o
casamento de Guilherme e Joana. Ele é alvo do incisivo interesse romântico de
Janete (Sandra Bréa), mulher rica, esposa de Arthur (Gracindo Júnior), que se
aproxima de Joana justamente para estar também próxima de Guilherme. Arthur é
parceiro de Tufik (Othon Bastos) nos negócios. Tufik é casado com Indhira
(Sandra Barsotti) e o casal é pai de Maurício (Guilherme Fontes), namorado de
Kika, rapaz de caráter “torto”.

Outros personagens de Gente Fina

Personagens coadjuvantes da história de Gente Fina, amigos de Guilherme ou moradores de São Cristóvão, ajudavam nessa narrativa dos problemas da classe média ante o custo de vida cada vez mais alto e o dinheiro cada vez mais curto. Joaquim era interessado na bela morena Dinorah (Angelina Muniz), mas além dele o amigo Agenor (Laerte Morrone), padeiro, também deseja conquistá-la.

Outro triângulo que se desenvolve ao longo de Gente Fina é o formado por Zenaide (Diana Morel), mulher de meia-idade e bonitas pernas, o mecânico Façanha (André Valli) e o advogado Maracujah (Benjamin Cattan). De início, Zenaide também tinha interesse em Guilherme, assim como Arlete (Cláudia Borioni), colega dela na repartição pública.

A saber, Dinorah termina mesmo é com Otto (Dênis Derkian), procurador da hoje condessa Isaura (Veluma). Esta surge no meio da novela para retomar o contato com os filhos Gil Vicente (Marcos Breda) e Pero Vaz (Fábio Villa Verde), de seu relacionamento com Joaquim.

Vários triângulos amorosos, até na terceira idade

Dinorah é empregada de Eulália (Célia Biar), vizinha da família de Guilherme em São Cristóvão. Aos poucos, com efeito, sua amizade com o vovô Olavo vai se transformando num bonito amor outonal. Ainda ligada a Dinorah está Jaci (Ísis Koschdoski), mulher de Biela (Victor Branco), com quem tem dois filhos, Tucho (Alexandre Santini) e Tiquinho (Luã Ubacker).

Biela era de família rica, e no decorrer da novela surge sua mãe, a refinada Eudóxia Paranhos Bragança do Amaral (Ida Gomes). Seus preconceitos a fizeram condenar a união do filho com uma moça pobre, mas a reconciliação era seu objetivo. Além disso, também Eudóxia se viu num triângulo amoroso da terceira idade, uma vez que foi alvo do interesse do vovô Olavo.

Tufik escondia de Indhira um segredo: ele era pai de Alex (Jayme Periard), seu jovem sócio numa produtora de vídeos. Sem saber que era irmão de Maurício, Alex disputou com ele o amor de Kika. Só para ilustrar, Maurício era a paixão de Suzy (Andréa Veiga), que desejava conquistá-lo de qualquer jeito.

Gente Fina caiu no esquema do “quem matou?”

Cerca de um mês depois da estreia da novela, Gracindo Júnior pediu para deixar o elenco. De comum acordo com Fusco e Marilu, o ator solicitou que a morte de Arthur, já prevista em sinopse, fosse antecipada. Segundo Gracindo na época, suas funções no enredo não correspondiam ao declarado quando de sua escalação para o papel.

De maneira que criou-se um clima de suspense e surgiu a pergunta: quem matou Arthur? Janete, para se livrar do marido que não amava e se ver livre para cair nos braços de Guilherme? Tufik ou Indhira, em nome de negócios lucrativos e ganância, ou para se verem livres de um empecilho representado pelo morto? O próprio Guilherme, quem sabe pensando em abandonar Joana e se unir a Janete? Maurício, o rapaz mau-caráter que era cúmplice de Arthur em algumas trapaças?

No final, a revelação de que o assassinato de Arthur fora
cometido por Frederico (Carlos Zara) não convenceu, já que ele sequer fazia
parte da trama quando Arthur morrera. Os motivos envolviam negociatas nas quais
os dois estavam envolvidos. Frederico era pai de Alessandra (Narjara Turetta),
jovem que em sua carência de uma figura paterna procurava “pais” em anúncios de
jornal, sendo que um deles fora Guilherme, e de Alex, até descobrir-se que na
verdade Tufik era pai do rapaz.

Um veterano para ajudar os iniciantes

Por mais que tivessem participado de projetos de sucesso, Luiz Carlos Fusco e Marilu Saldanha não haviam ainda assumido até ali sozinhos a responsabilidade por uma novela. A TV Globo então designou um dos autores veteranos, Walter George Durst, pioneiro da televisão brasileira, para auxiliar na condução das tramas de Gente Fina. E quem sabe ajudar a levantar a audiência, baixa para os padrões da emissora. Só para ilustrar, Durst assinou trabalhos como Gabriela (1975), Rabo-de-saia (1984) e Memórias de Um Gigolô (1986). No entanto, a presença de Durst não surtiu grande efeito.

Logo no começo dos trabalhos da novela, que substituiu O Sexo dos Anjos (1989/90), de Ivani Ribeiro, Gente Fina deixou de ser dirigida por Herval Rossano, inicialmente escolhido para a tarefa, e passou a ter seus trabalhos liderados por Gonzaga Blota. Na equipe, Luiz Fernando Carvalho e Lucas Bueno. Ao longo da novela, Milton Gonçalves, que atuava no papel do mecânico Michael Jackson, passou também a dirigi-la. Ademais, José Louzeiro participaria de mais do que apenas a criação do argumento, e se ausentou dos roteiros da novela devido a divergências com Herval. Posteriormente, ele se reintegrou à equipe.

Gente Fina merece uma reprise?

Gente Fina terminou em 17 de agosto de 1990, após 140 capítulos exibidos. A novela nunca foi reprisada nesses 30 anos, mas uma nova oportunidade não seria de todo má ideia. Apesar dos grandes sucessos terem muito apelo de audiência quando reprisados, um novo olhar sobre algo que não deu certo da primeira vez, ou uma oportunidade de matar a curiosidade a respeito de novelas menos exaltadas não deveria estar fora dos objetivos de um canal como o Viva, por exemplo, sem compromissos comerciais na mesma medida dos abertos. Relembre a abertura da novela, com uma ideia semelhante à utilizada 16 anos depois em Cobras & Lagartos, embalada por Beth Carvalho cantando “Sonhando Eu Sou Feliz”:

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