Alessandro Marson e Thereza Falcão adiantam detalhes de Nos Tempos do Imperador

Os autores falam da produção que marca a retomada de novelas inéditas às seis

Publicado em 3/8/2021
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Nos Tempos do Imperador é a nova novela das seis da Globo. A trama, prevista inicialmente para março de 2020, foi adiada em mais de um ano em razão da pandemia da covid-19. Thereza Falcão e Alessandro Marson, dupla de Novo Mundo, assina a nova produção, primeira novela inédita do horário após três reprises.

Thereza Falcão é natural do Rio de Janeiro, escritora, autora e diretora teatral, além de roteirista de televisão. Iniciou sua formação na Faculdade de Teatro da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO) e em cursos do Teatro Tablado. Escreveu, em parceria com Julio Fischer, o musical Emilinha e Marlene, as Rainhas do Rádio e, com Alessandro Marson, a comédia A Invenção do Amor.

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Adaptou para o teatro os romances A Mulher que escreveu a Bíblia, de Moacyr Scliar e Memórias de Adriano, de Marguerite Youcenar. Desde 1999 é roteirista da Globo, onde já escreveu diversos programas e novelas, como Correndo Atrás, Sítio do Pica-Pau Amarelo, O Pequeno Alquimista, Toma Lá Dá Cá e colaborou nas novelas O Profeta, Cama de Gato, Cordel Encantado, Avenida Brasil, Joia Rara e A Regra do Jogo. Escreveu ainda o livro infantil A História de um Desenho (2004) e teve sua estreia em novelas como autora titular em Novo Mundo, ao lado de Alessandro Marson.

Nascido em Campinas, Alessandro Marson é formado em Jornalismo pela PUC (1992), fez especialização na ECA da USP e cursou roteiro no Instituto de Pesquisa da Telenovela (1998). Fez também a Oficina de Dramaturgia e a Oficina de Humor na Globo (2000).

É roteirista, com passagens por programas infantis como X-Tudo, Cocoricó e Sítio do Pica-Pau Amarelo. Em novelas, colaborou em sucessos como O Profeta, Desejo Proibido, Araguaia, Flor do Caribe, Cordel Encantado, Avenida Brasil, Joia Rara e A Regra do Jogo. Também assinou o musical Garota de Ipanema e o longa Apaixonados (2016) e teve sua estreia em novelas como autor titular em Novo Mundo, ao lado de Thereza Falcão.

Na entrevista abaixo, a dupla de autores adiante detalhes de Nos Tempos do Imperador.

Nos Tempos do Imperador já tinha data de estreia marcada, capítulos gravados e fomos assolados por uma pandemia mundial. O mundo parou. Como vocês receberam a notícia de que as gravações teriam de ser interrompidas e que a estreia seria adiada?

Thereza Falcão – Nossa maior preocupação foi continuar escrevendo. Foi um choque ficar sem saber até quando iríamos escrever sem saber quando lançaríamos. Esse foi o pior momento, mas nunca paramos de escrever.

Alessandro Marson – Fomos informados da interrupção e que Novo Mundo entraria como reprise. Não se sabia quanto tempo ela ficaria no ar, se dois, três meses, ou se passaria a novela inteira. Continuamos escrevendo. Quando foi chegando perto do final de Novo Mundo – e a novela passou inteira – foi anunciada uma nova reprise. Foram três reprises e um ano e meio se passou. Quando a gente se tocou que essa pandemia podia durar um tempo maior, a gente falou “vamos escrever a novela até o final”. Porque uma vez que a gente começa o processo de escrever, é pouco produtivo parar e depois retomar. Seria muito difícil parar, por exemplo, no capítulo 80 e, daí a seis meses, voltar para o 81 como se nada tivesse acontecido. Não dava para fazer isso, continuamos trabalhando sem parar.

Mais de um ano depois, teremos a estreia de Nos Tempos do Imperador. Como vocês receberam a notícia da definição da estreia?

Alessandro – Foi o melhor sentimento possível, foi como ter uma sinopse aprovada! A sensação é mais ou menos essa, quando a gente recebe aquele e-mail de que a novela vai rolar.

Thereza – A novela ir para o ar agora é um fôlego. Dá um pouco a sensação de que as coisas vão voltar ao normal.

Vocês estrearam como autores titulares juntos, em Novo Mundo. A novela foi um sucesso. Como surgiu a ideia de Nos Tempos do Imperador?

Thereza – Quando viemos com a primeira proposta, em Novo Mundo, brincamos dizendo que daria uma trilogia: Dom Pedro I, Dom Pedro II e Princesa Isabel. E, no final de Novo Mundo, recebemos a encomenda da segunda novela. Começamos a trabalhar nela no início de 2018, pesquisando e garimpando a história para entender o contexto e o recorte que a gente usaria. Dom Pedro I é muito diferente de Dom Pedro II. Isso já foi um desafio. Então, fizemos o recorte a partir da chegada da Condessa de Barral (Mariana Ximenes), em 1856, e vamos até a Guerra do Paraguai, que termina em 1870.

Então podemos dizer que é uma continuação de Novo Mundo?

Thereza – É uma continuação porque temos o Dom Pedro II (Selton Mello), mas é uma novela de estilo muito diferente, por mais que seja escrita por nós. Novo Mundo era mais fabulosa e essa tem o pé mais no chão. O caso da Condessa de Barral (Mariana Ximenes) com Dom Pedro II é muito complexo. Barral não é uma vilã. Ela pode ser uma antagonista na vida da Teresa Cristina (Leticia Sabatella). Toda a parte política da novela é complexa. São momentos difíceis do Brasil.

Alessandro – Dom Pedro I tinha 22 anos em Novo Mundo. Falávamos de um Imperador juvenil. Agora vamos falar de um homem de 40 anos. Só nesse fato vemos que as histórias são diferentes.

O que o público pode esperar de Nos Tempos do Imperador?

Thereza – O público pode esperar uma novela de muita emoção e bastante afetiva. Falamos de diversas formas de amor. Do amor romântico, do amor não-realizado, do amor pela família, pelo país, pelos seus ideais, pelos seus semelhantes. Traz dramas intensos e fortes, com personagens carismáticos, queridos e lutadores, de uma forma geral.

Alessandro – O público vai se emocionar, vai se divertir, vai sofrer e dar risada, vai sentir raiva… Escrevemos para todo mundo e a emoção é um jeito de falar com todos. Acreditamos muito nisso.

O roteiro inicial dos textos teve que ser modificado? Houve necessidade de encurtamento ou de muitas mudanças de cenas / núcleos após a retomada das gravações?

Thereza – Em 155 capítulos é impossível encurtar história. Tem algumas mudanças, claro. Por exemplo, o Cassino (um dos núcleos da novela) não poderá “bombar” em momento nenhum. São adaptações que fomos fazendo.

Alessandro – A principal mudança foi estrutural. Por exemplo, quando planejamos a sinopse, a gente achava que a Guerra do Paraguai duraria uns dois meses, mas fomos colocando essas cenas para as últimas três, quatro semanas da obra. A Guerra estará acontecendo desde o capítulo 100, mais ou menos, mas a gente vê as cenas de guerra mesmo a partir do cento e trinta e poucos. Avaliamos que seria mais prudente deixar mais para frente. É inevitável: numa cena de Guerra, a gente precisa de pessoas. Enxugamos esse período, mas conseguimos fazer a Guerra e isso é um ganho. Ficamos bem satisfeitos com a forma como conseguimos mantê-la, pois ela tem grande importância na história, não é algo pontual.

Qual a principal mensagem de Nos Tempos do Imperador?

Thereza – É uma história de ideais, superação, reconhecimento, da procura pelo seu lugar no mundo. Existe toda uma sociedade que é contra aquelas pessoas e elas estão lutando para se afirmarem, lutando pelos seus ideais. Acho que todos esses sentimentos, o amor e o idealismo, são inerentes ao ser humano. E falam com todas as línguas. Trazemos muito a reflexão sobre o quanto a escolha de uma pessoa atinge a todos.

Alessandro – A novela fala de conquistas, batalhas, vitórias, derrotas, escolhas e sacrifícios. A figura de Dom Pedro II (Selton Mello) é emblemática da política construtiva e mostra que é possível fazer um governo que pense no coletivo, que use essa posição de poder para fazer coisas positivas.

Sobre a Pequena África: sabemos que o resgate do local se deu após a obra recente de reestruturação do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, e, na novela, usaremos esse nome. Por que decidiram dar destaque à região?

Thereza – Resolvemos usar exatamente porque é como se conhece hoje. Foi um reduto muito grande desses negros libertos e fugitivos que conseguiam se misturar aos outros, havia quilombos ali, interceptação de negros fugidos para outros quilombos, próximos ao Rio de Janeiro. A grande importância é a convivência de todos, porque havia negros de vários locais da África. E esse encontro era algo muito poderoso para se tentar manter uma identidade, no momento em que tudo o que não se queria era uma identidade negra. As discussões são grandes nesse sentido, extremamente válidas e necessárias na atualidade. O papel da Pequena África dentro dessa novela é mostrar esse reduto, de pessoas livres e cúmplices entre si. Sempre se falou dos escravizados em novelas, mas nunca se falou desse núcleo que começa a acontecer, que é liberto, conquistou sua liberdade, ganhou sua alforria, são pessoas livres.

Alessandro – A Pequena África é um bairro muito grande que abrange grande parte do centro do Rio de Janeiro, próximo ao Cais, onde moravam vários negros que não eram escravizados. Eram pessoas que tinham conquistado sua liberdade. Queremos mostrar um resgate da cultura africana.

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