Autoras e diretora artística de Segunda Chamada falam sobre o sucesso da série

Publicado há 10 meses
Por Guilherme Rodrigues
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O ano letivo chega ao fim e é dia de se despedir dos alunos e professores da Escola Estadual Carolina Maria de Jesus. Durante onze capítulos, Segunda Chamada emocionou ao apresentar o cotidiano de uma realidade, até então, nunca retratada em obras de ficção: o EJA (Ensino Noturno para Jovens e Adultos).

Jogando luz sobre as histórias pessoais e a carência do sistema de
ensino, a obra convidou o público à reflexão e mostrou um vasto repertório de
questões sociais, sem deixar de passar uma mensagem de esperança e superação.

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Recentemente escolhida pela APCA, Associação Paulista de Críticos de Artes, como uma das melhores obras do ano, Segunda Chamada é fruto de um longo processo de pesquisa, que começou em meados de 2017.

Para as autoras Carla Faour e Júlia Spadaccini, o reconhecimento do público foi a grande recompensa: “O que fica foi o modo como Segunda Chamada foi abraçada pelas pessoas. Recebi muitas mensagens, tanto de professores como de alunos, que se sentiram representados, que se reconheceram nos personagens e nas histórias que foram contadas na série. Ao mesmo tempo, quem não tinha intimidade com a realidade do Ensino para Jovens e Adultos, entendeu a importância de se falar sobre a educação pública no Brasil. Isso é muito gratificante”, afirma Carla Faour.

Julia Spadaccini complementa: “Pra gente o mais importante foi saber que os professores se identificaram com a série e acharam o universo que a gente criou próximo ao da realidade que eles vivem. Saber que geramos debates sobre temas tabus foi o retorno mais precioso que tivemos, pois escrevemos justamente para levantar reflexões não só sobre a educação, mas sobre a sociedade como um todo“.

Para Joana Jabace, diretora artística da série, a preocupação foi ser o mais fiel possível às histórias de quem percorre diariamente os corredores de uma instituição pública: “Fazer Segunda Chamada foi um exercício de aproximação com a realidade. Tentamos trazer o universo de uma escola pública, dos alunos e professores para a tela, retratando isso de maneira humana. A série trata de assuntos espinhosos, mas optamos em fazer isso pelo viés da emoção”.

Lúcia (Debora Bloch), Jaci (Paulo Gorgulho), Eliete (Thalita
Carauta), Marco André (Silvio Guindane) e Sônia (Hermila Guedes) foram os
educadores que resistiram aos desafios do ensino público e acreditaram no poder
transformador da Educação. As gravações da segunda temporada da série estão
previstas para o início de 2020.

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