Há 19 anos, estreava a polêmica Torre de Babel

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No dia 25 de maio de 1998, foi ao ar o primeiro capítulo de Torre de Babel, novela das oito da Globo assinada por Silvio de Abreu. A trama vinha com o slogan “forte, verdadeira, emocionante”, já indicando que viria pela frente uma história longe da crônica cotidiana de Por Amor, trama que a antecedeu. E, no primeiro capítulo, a novela já disse a que veio, assustando o público: na primeira cena, o personagem de Tony Ramos mata a mulher a golpes de pá, após flagrá-la com dois homens; e, na cena final, bandidos armados invadem uma mansão e fazem todos de reféns.

Com Torre de Babel, Silvio de Abreu prosseguia com suas tramas policiais e de mistério no horário nobre, após o grande sucesso de A Próxima Vítima (1995). Aqui, um shopping center que concentrava todos os personagens da obra ia pelos ares numa misteriosa explosão, e o público era convidado a investigar quem era o responsável pelo crime e qual a motivação do criminoso.

Para isso, o autor não economizou nos mistérios. Centrou seu enredo em dois homens, César Toledo (Tarcísio Meira), o dono do Tropical Tower Shopping, e José Clementino (Tony Ramos), homem de origem humilde que assassina a própria esposa. César é a testemunha-chave do crime e, Clementino, na cadeia, passa a nutrir um ódio mortal pelo empresário. É ele quem cria os planos da explosão do shopping, numa tentativa de se vingar de César. No entanto, Clementino se apaixona por Clara (Maitê Proença), irmã de criação da esposa de César, e desiste de levar o plano adiante. Mas o shopping explode, e Clementino passa a ser o principal suspeito.

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Mas o público acabou afugentado diante de tantos mistérios, cenas fortes e o tom excessivamente sombrio de Torre de Babel. Com a baixa audiência inicial, Silvio de Abreu aproveitou a explosão do shopping para mudar o tom de sua narrativa, que ganhou contornos mais folhetinescos. Henrique (Edson Celulari) e Celeste (Letícia Sabatella) foram alçados a heróis românticos da obra, enquanto a séria executiva Angela Vidal (Claudia Raia) se tornou a grande vilã da trama. A malvada tinha uma paixão platônica por Henrique, e fez de tudo para separá-lo de Celeste. Enquanto isso, seu passado ia sendo revelado aos poucos, mostrando que ela tinha vários motivos para, também, odiar César e sua família. Aos poucos, Angela vai enlouquecendo, revelando-se uma fria psicopata.

Na explosão do shopping, muitos personagens rejeitados pelo público saíram de cena. Guilherme (Marcello Antony), filho de César que tem problemas com drogas, morre de overdose minutos antes do Tropical Tower vir abaixo. O casal Rafaela (Christianne Torloni) e Leila (Silvia Pfeifer) também é vítima do crime, enquanto o cruel Agenor (Juca de Oliveira), pai de Clementino, desaparece logo depois da explosão. Na época, muitos comentários davam conta de que estes personagens sumiram apenas porque foram rejeitados, o que não é bem verdade. As mortes de Rafaela e Guilherme já estavam previstas, bem como o desaparecimento de Agenor. Apenas a morte de Leila não estava planejada, já que, a princípio, depois da morte de Rafaela, ela se aproximaria de Marta (Glória Menezes), mulher de César, e muitos acreditariam que elas teriam um caso. A imprensa acabou dando atenção a este fato na época, gerando algum burburinho sobre o fato de Glória Menezes viver uma homossexual na TV, e Silvio de Abreu acabou optando por, também, eliminar Leila.

A estratégia deu certo e Torre de Babel engrenou. O tom de mistério continuou, com a revelação de constantes segredos em torno dos personagens centrais, e outras histórias eram contadas com boas doses de emoção. César e Marta viviam um casamento em crise e, com a chegada de Lúcia Prado (Natália do Valle), um amor do passado de César, tudo vem abaixo. Mais adiante, César e Lúcia se separam, e ele retoma seu casamento com Marta que, a esta altura, tem sérias desconfianças a respeito do caráter do marido. Já Lúcia engata um romance com Alexandre (Marcos Palmeira), filho de César, gerando novos conflitos. E Alexandre, também, vive um triângulo envolvendo Sandrinha (Adriana Esteves), filha de Clementino, que faz poucas e boas para separá-lo de Lúcia.

Já a parte cômica de Torre de Babel, uma especialidade de Silvio de Abreu, fica centrada no núcleo Falcão. Bina (Claudia Jimenez) é uma engraçada garçonete, que se descobre herdeira de uma tia rica. Quando a tia morre na explosão do shopping, Bina vai parar na casa da milionária falida Diolinda Falcão (Cleyde Yáconis), que finge querer ajudá-la a se tornar uma dama da sociedade, mas, na verdade, está de olho no dinheiro dela. Diolinda arma para que Bina se case com seu filho, Edmundo Falcão (Victor Fasano), mas ela se vê dividida entre ele e outros dois amores: Gustinho (Oscar Magrini), o cantor Johnny Percebe, e Boneca (Ernani Moraes), seu irmão. Completam o núcleo a ótima Etty Fraser, vivendo Sarita, tia de Bina; e o saudoso Carvalhinho, o mordomo Claudio. E foi em Torre de Babel que surgiu Jamanta (Cacá Carvalho), personagem que fez sucesso com sua ingenuidade, e ressurgiu anos depois, na novela Belíssima (2005).

Uma curiosidade da época é que, no dia da estreia de Torre de Babel, a trama acabou ganhando uma concorrente direta: Fascinação, no SBT. A trama água-com-açúcar assinada por Walcyr Carrasco marcou a retomada da produção de novelas do canal de Silvio Santos, cujo núcleo de dramaturgia estava desativado, e estreou exatamente no mesmo dia 25 de maio de 1998. Fascinação foi gravada às pressas e entrou no ar apenas quatro meses após o início de sua produção, para poder estrear junto com Torre de Babel. Feita a toque de caixa, não tinha cidade cenográfica e era gravada com a utilização de pontos eletrônicos, como as novelas mexicanas. Fascinação saiu da concorrência direta com Torre de Babel em 8 de setembro de 1998, quando passou para a faixa das 20 horas por causa da estreia do Programa do Ratinho.

Já Torre de Babel decolou aos poucos, graças aos ajustes do autor e seus colaboradores Alcides Nogueira e Bosco Brasil, mas fechou com média geral de 44 pontos no Ibope. No último capítulo, a trama alcançou 61 pontos e picos de 66; neste capítulo foram exibidos os principais desfechos dos personagens e a revelação de quem explodiu o shopping. Foi dirigida por José Luiz Villamarim, Carlos Araújo e Paulo Silvestrini, e direção geral e núcleo de Denise Saraceni e Carlos Manga. Está atualmente em reprise no canal Viva, às 14h30, na reta final.

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Uma das mudanças pela qual passou Torre de Babel para aumentar a audiência foi a troca de aberturas. A primeira era extremamente sombria, mostrando a Torre de Babel bíblica sendo construída para, no fim, se transformar na fachada do Tropical Tower Shopping, ao som de uma canção instrumental (na verdade, um arranjo mais “retumbante” de “Pra Você”, realizado pelo arranjador Alberto Rosenblit). Já a segunda versão era mais clara, mostrava apenas a câmera “passeando” pela Torre de Babel, ao som de “Pra Você”, na voz de Gal Costa. Reveja a (ótima) abertura original:

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