“Vai ter gente que vai achar antigo, mal-educado, vai ter de tudo”, diz Carlos Lombardi sobre Kubanacan

Novela exibida em 2003 e até hoje não reprisada, apesar do sucesso, entra no Globoplay em dezembro

Publicado há 2 meses
Por Cadu Safner
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Se alguém quiser procurar pelo em ovo, vai achar“: assim sintetizou o renomado autor de novelas Carlos Lombardi sobre o retorno de Kubanacan (2003), que entra no catálogo do Globoplay nas próximas semanas, assim como Felicidade (1991) e Top Model (1989).

Para Lombardi, o folhetim que traz a história do desmemoriado Esteban Maroto (Pescador Parrudo), interpretado por Marcos Pasquim, tem um “saborzinho a mais” em sua carreira de mais de quatro décadas. Ao Observatório da TV, o escritor afirma ter ficado feliz com a informação, principalmente pelos fãs que ganham reforço a cada geração.

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Eu sei que é uma novela que com o tempo acabou virando cult. Achei isso muito interessante [a entrada no streaming]. Acho que tem a ver com o fato de que é uma novela que começa muito discretamente, depois eu soltei um pouco mais. Mas ela tem um lado científico que é muito raro em novelas. Essa tem um saborzinho a mais que explica um pouco essa tensão. Fiquei muito feliz pelos fãs […] eles estavam querendo e pra mim vai ser bom para matar a saudade. A Globoplay acertou muito colocando novelas“, contou Carlos Lombardi.

Em setembro, o Observatório da TV adiantou em primeira mão que Kubanacan estava entre as cotadas para figurar a lista de lançamentos da plataforma. Por telefone, o autor negou. Hoje, com a repercussão imediata do assunto, Lombardi se mostra surpreso com o engajamento do público jovem.

Acho que porque é eles [Globo] entendem que é uma novela para eles [jovens]. Como espectador, outro dia eu fiz uma maratona das primeiras três semanas de uma novela do Cassiano [Gabus Mendes] que eu tinha uma série de lembranças, que foi Meu Bem, Meu Mal. Eu fiquei espantado como a novela envelheceu bem“.

Responsável por memoráveis histórias como Bebê a Bordo (1888-89), Perigosas Peruas (1992), Uga Uga (2000-2001), Pé na Jaca (2006-2007) e Pecado Mortal (2013-2014), o popular autor reflete se Kubanacan chega a em 2020 em boa forma ou não.

Eu vou saber vendo. Deus queira que sim! Não tenho condição de antecipar o que vai ser. É evidente que essas coisas foram escritas para o público daquele momento. Se alguém quiser procurar pelo em ovo, vai achar. Mas isso é coisa de gente mal-humorada, que é chata em qualquer lugar. Se a novela vai continuar interessante como foi, eu não sei, espero que sim. O público que ela for pegar e também quem eventualmente não assistiu é que vai poder dizer isso. Ela não é uma história escrita em 2020. É uma novela escrita em 2003. Ela vai representar aquela época, da mesma forma que Meu Bem, Meu Mal, do Cassiano, era uma novela pré-celular“, explicou.

Confira a entrevista completa com Carlos Lombardi:

CS – Qual a sensação do retorno de Kubanacan após um incessante movimento na internet?

CL – Me sinto parte da história. Acho que estava na hora mesmo. Fiquei sabendo que vai ter uma do Antonio Calmon. Acho que estava na hora de eu e o Calmon, ambos a dupla das 19h durante mais de dez anos. Acho isso bom, gosto, me sinto feliz de ter o meu trabalho reconhecido.

É um novo tempo, vai ter gente que vai achar antigo, mal-educado, vai ter de tudo. Não estou preocupado com isso. Estou torcendo pra que muita gente se divirta e goste. Relembre bons momentos.

Visualmente vai estar um pouco envelhecido. Não tenha a mínima dúvida. Por exemplo: a cenografia do Meu Bem, Meu Mal vista hoje, é ruim. Na época não era. Então, temos que entender que as linguagens envelhecem, e que obras, principalmente de televisão, representam o momento.

CS – Existe algo de Kubanacan que você traz na lembrança?

CL – O que era de bastidor já ficou no passado. Eu lembro que foi muito trabalhoso. Eu me matei de trabalhar, mas gostei muito de fazer. O ideal era que eu escrevesse um capítulo por dia, mas na verdade eu escrevia seis durante sete dias.

CS – Se fosse reescrevê-la, mudaria algo?

CL – Claro, toda vez que você vai passar a limpo algum projeto, você muda. Se eu tivesse a chance de passar a limpo, tinha algumas coisas que eu mudaria, sim. Eu nunca digo: ‘Ah, não, fica tudo como está’. Na verdade sempre dá para melhorar, imagina! É uma novela a qual você escreve correndo. Mas não é o caso. Agora nós vamos ver o original.

CS – Kubanacan chegará em boa qualidade de imagem e sem cortes?

CL Não tenho a mínima ideia. Não estou envolvido nesse refazer. Então, vou descobrir isso junto com o público.

CS – O que de novelas você tem assistido?

CL – Dramaturgicamente eu achei Meu Bem, Meu Mal melhor agora que naquela época, em 1990. Estupidamente bem escrita. Como a crítica minimizava um pouco o trabalho do Cassiano, o que era um erro, eu sempre digo que Anjo Mau (1976) é uma das novelas mais modernas da televisão brasileira. Foi a primeira vez que a protagonista era uma vilã.

É equivalente o que ele fez no Beto Rockfeller (1969-68). Uma revolução formal. O Meu Bem, Meu Mal não é uma revolução formal, parece um melodrama, mas é um melodrama muito interessante e inteligente. Acho bom a Globo ter essa novela, afinal, é um acervo que é dela.

Mais de Kubanacan

Kubanacan figura entre os clássicos mais relembrados de Carlos Lombardi. Produzida em 2003 e com assinatura de Wolf Maya e Roberto Talma na direção, a novela se passa nos anos 1950 e se passa na fictícia Kubanacan, uma pequena ilha tropical localizada na América Central, no mar do Caribe.

Lá, a língua oficial é o espanhol e as bananas são o principal produto de exportação. Além do já citado Marcos Pasquim, o elenco reúne os nomes de Danielle Winits, Humberto Martins, Betty Lago, Vladimir Brichta, Adriana Esteves, Ângela Vieira, Mário Gomes, Nair Bello, Carolina Ferraz e outros.

Em que pese seu sucesso de audiência, Kubanacan não foi reprisada até hoje, tanto no Vale a Pena Ver de Novo quanto no Canal Viva. Repleta de participações especiais, na tentativa de Esteban de reconstruir suas memórias, a novela foi bem movimentada, como costumam ser as do autor.

Relembre a abertura de Kubanacan:

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