“Novela não dá mais”, afirma Otaviano Costa sobre voltar a atuar

Publicado há 3 anos
Por Henrique Carlos
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Sucesso nas tardes de domingo na Globo e no Canal Viva, o programa Escolinha do Professor Raimundo está de volta em nova temporada. A atração que estreará na tela do canal pago somente em setembro já teve seus personagens e novos atores apresentados, entre eles Seu Ptolomeu, que voltará a ser interpretado por Otaviano Costa, que abdicou do personagem em 2017, devido a sua rotina intensa no Vídeo Show. Carismático, Otaviano conversou com o Observatório da Televisão no evento de lançamento da temporada, e contou entre outros assuntos como consegue lidar com todos os compromissos de sua agenda. Confira:

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Você parece fazer várias coisas ao mesmo tempo. Como é a sua rotina?

Faço, mas para poder estar aqui, tem a questão também da minha casa ser próxima daqui, então eu almoço todos os dias em casa, eu termino a rádio [Otaviano tem um programa diariamente na Rádio Globo], vou almoçar em casa, venho para cá. Tudo o que eu fiz, eu fiz pensando no bem-estar, no da minha família e no meu também, então eu não sou um enlouquecido, não sou um workaholic.

Você está dominando no vídeo show, como é que foi isso? Você chegou em algum momento a pensar que não era aquilo?

Não, foi tudo natural, tudo tão tranquilo, são cinco anos já no vídeo show, em julho completa cinco anos. As coisas aconteceram de forma gradativa, madura. Eu cheguei na Globo em 97 como repórter do Faustão, eu trabalhei com ele durante dois, três anos e aí depois a minha vida tomou um outro rumo, fui para a Bandeirantes, aí por diante eu retornei para a Globo em 2008 como ator em Caras e Bocas, depois de ter feito Amor e Intrigas na Record. Conspirando paralelamente eu fui fazendo uns eventos, fiz eventos corporativos, fiz o Amor e Sexo e aí veio o Vídeo Show.

Ainda tem um ator aí? Você ainda fará novelas?

Não, novela não dá mais. Eu tive que tomar uma decisão na minha vida, estou com 45 anos, já estou com muitos anos de janela, já entendi o que eu tenho que fazer na minha vida, eu sou um ator de formação, mas sou um comunicador de nascença. Eu retomei a minha carreira plenamente há pouco tempo atrás, o Vídeo Show foi fundamental para isso e eu não volto mais fazer novela, mas não deixarei de fazer uma escolinha como participação ou uma participação numa série, até uma dublagem como eu vou fazer agora dos Incríveis 2, que está voltando agora aos cinemas. Pontualmente eu nunca deixarei de fazer as minhas brincadeiras como ator.

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Qual foi a sua maior dificuldade? Ou não existiu?

O maior desafio do Vídeo Show não está na frente das câmeras, está por trás das câmeras, as pessoas que produzem o programa e é um programa muito difícil de ser produzido, porque há uma série de vertentes que dependem de uma série de fatores como, atores em cena, externas e assim por diante, eu estou resumindo, mas existe uma série de fatores que para a produção se torna um desafio muito grande para cumprir. Apresentar o programa para mim é mamão com açúcar, eu me divirto, porque lá eu estou como telespectador, há um tempo atrás eu sentava ali até com a Mônica Iozzi, como telespectador, assistindo o programa junto com as pessoas de casa, a gente se emociona de verdade, a gente ri de verdade, eu sou uma pessoa apaixonada por televisão, assistindo televisão, nada mais.

E a Sophia Abrahão?

Ótima! A Sophia é uma garota muito bacana, muito esforçada, talentosíssima, já ganhou aquele jogo ali. Não é fácil você despertar daquele jogo sem atrapalhar um ao outro, sem atropelar um ao outro e ela comprou, ela veio, brincou, se jogou, eu achei muito bom, estou muito feliz com ela. Profissional e pessoalmente, ela é uma pessoa que eu gosto muito.

Lá no Vídeo Show os seus looks são uma atração à parte, tem vez que a galera gosta, tem vez que não, você dá pitado ou não dá?

Isso. Dou, eu participo muito e intensamente nisso, eu não sou um fashionista, eu não sou desse tipo, eu gosto de me vestir bem, até por uma máxima da própria Hebe que falava: ‘A gente se veste para o público, eu me visto para eles, eu gosto de inspirá-los’, a moda é também uma forma de expressão e eu gosto de me expressar para eles, seja na tela, na TV, na rua fazendo um ensaio, num encontro com o público, acho bom isso, me faz bem, não é uma carapaça, não é uma dura, é uma extensão de mim.

Por vocês entrevistarem famosos, falarem da vida dos famosos, às vezes existe um pouco de rixa entre o jornalista e o famoso, é uma linha tênue de até onde você pode ir para falar da vida pessoal, então você está dos dois lados. Como é isso para você?

Eu me dou muito bem. Eu e a Flávia temos uma cultura de relacionamento, até por eu já estar há muito tempo nisso, nessa janela do entretenimento, da fama, da coisa pública há muitos anos, então a nossa cultura é de ter um bom relacionamento sempre e também nos impondo, mostrando até onde a gente gosta de ir, mostrando a nossa vida intima até um x, até um ponto, mostrando as nossas viagens, momentos íntimos nossos, mas também com certa restrição para algumas coisas. Eu acho que por eu já saber do outro lado da fronteira, como funciona as coisas como artista, eu também entendo o código de cada um deles de forma muito rápida, até porque eu conheço, são meus amigos, são colegas que eu trabalho, que eu convivo, então eu conheço mais ou menos um ou outro e sei como conduzir, tutelar as entrevistas e esse limite entre amigos e entrevistador.

Mas em algum momento você já se pegou numa saia justa de por exemplo: “Pô, estão pedindo uma reportagem x para mim, mas talvez seja meio tenso”?

Não, a gente sabe como trafegar, a dona Laura Cardoso esteve no Vídeo Show há um tempo atrás e falou uma coisa que resume o lead das nossas matérias, é a ética, a gente conduz pelo bom senso, pelo bom gosto e pela ética, porque a gente trata isso com muita ética.

Vocês têm um feeling também, porque quando você conhece a pessoa você sabe até onde pode ir com ela.

E mesmo não conhecendo, eu acho que essa tutela da ética e do bom senso me dá esse limite, porque eu não quero que faça com ela, o que eu não quero que faça comigo.

As vezes um sorriso ou não é um vá ou pare, né?

E às vezes com tanta experiência, você já se permite a entender alguns códigos numa resposta, ou num comportamento, você já sabe como recuar ou já sabe avançar. Entrevista pode começar com A e terminar em Z ou começar no Z e calar, eu sempre falo que cada artista que vai especialmente no meu Vídeo Show, cada um tem um DNA diferenciado para perceber e também para gerar aquela química entre nós três ali, então tem gente que morre de rir como a Fernanda Torres, tem gente que se emociona demais, tem gente que fica extasiado, parado, tem gente que fica sem conseguir falar, tem uma série de pessoas que vão e cada um tem o seu DNA que é despertado ali na hora.

E no programa em si, você dá “pitaco”?

Sim, a gente participa no cotidiano, mas temos uma equipe muito profissional, gente de muitos anos, tem gente que tem 34 anos de TV que sabe fazer isso de cor e salteado, então nós temos gente de muito talento por trás das câmeras, que eu não preciso nem dizer o que eu sinto porque eles já sabem, a mesma coisa é que eles sabem o que eu quero fazer, eles sabem o que eu gosto de fazer, eles sabem o que eu gosto de tutelar. É uma união muito grande, então não precisa eu ficar dando pitaco e o programa Vídeo Show todo dia tem ciclos novos, a todo tempo renovação, ele precisa ser assim, são mais de 34 anos no ar, então se a gente não renovar, a gente fica desatualizado, a atualização é diária no programa.

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Tem uma frase da Fernanda Montenegro que é: “A sua glória e seu cortejo de horrores” e a gente vê que você lida bem com isso. Como você lida com as críticas e tudo mais?

Eu sou macaco velho nisso já, eu estou há 28 anos nisso, eu já lidei com tudo, jovens repórteres agressivos, como os mais experientes mais calmos ou vice e versa, enfim, tem de todo o tipo. Tem a maldade gratuita, você tem que maneirar a vida, tem que levar de forma gostosa. Você sabe quando a crítica tem raiz errada, você sabe quando a crítica é construtiva, você sabe quando tem um olhar maldoso, você sabe quando tem uma percepção gostosa. A janela já me deu esse olhar e a maturidade não levar a sério tudo nessa vida, eu gosto de fazer isso aqui, eu gosto de estar aqui, me expor e sem perder a coragem. Hoje nos tempos atuais, com tanto julgamento na web, a gente não pode se acovardar a fazer, especialmente os comunicadores, eu não vou deixar de falar o que eu penso, a rádio ouve muito isso, eu falo o que eu penso, eu desenvolvo o que eu penso. Não podemos perder a coragem diante desses tribunais que existem por aí, mais do que nunca.

Como é que você divide rádio, televisão e suas relações?

De forma organizada. Eu estava já no Vídeo Show, já tinha uma vida atribulada, com eventos e tal, quando pintou o convite da rádio, a primeira questão é a logística, foi uma conversa da casa, do grupo, para que isso se viabilizasse. Eu tinha dado a sugestão de fazer dentro do estúdio do Vídeo Show e aí não dava, mas a ideia serviu como semente para hoje ter o que temos hoje, nós temos um estúdio dentro do complexo de estúdios da Globo, a rádio está fincada aqui dentro, como eu nunca vi antes uma empresa do grupo estar aqui dentro nessa sinergia, que mostra a nossa essência na sua prática, minha casa é muito próxima, eu faço o vídeo show, faço a rádio, almoço em casa, faço a escolinha, eu consegui me unir de um jeito que a minha vida não virou uma confusão, mas a família em primeiro lugar.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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