“A morte já está presente na novela desde o primeiro capítulo”, diz Maria Gal sobre o polêmico fim de Ciro em As Aventuras de Poliana

Publicado há um ano
Por Leandro Lel Lima
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Interpretando uma mulher batalhadora em As Aventuras de Poliana, a atriz Maria Gal analisou os rumos que sua personagem, Gleyce, passou ao longo dos últimos capítulos. A trama do SBT acabou de completar um ano no ar. Recentemente foi exibida a trágica e polêmica morte de Ciro (Nando Cunha), marido de Gleyce. Para Maria, o fato que tanto chamou a atenção do público já foi apresentado aos telespectadores desde o primeiro capítulo.

De fato, a morte dos pais da protagonista, Poliana, foi representada no enredo como uma forma de explicar a ida da menina para São Paulo. Em entrevista ao Observatório da Televisão, Gal destacou ainda que com o falecimento de Ciro, a saga da mulher, negra, mãe de dois filhos, que incentiva as crianças a estudarem, ficará ainda mais dramática: “Essas mães são verdadeiras heroínas, as verdadeiras mulheres-maravilhas”.

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Gal é dona de uma produtora de cinema. Após sofrer preconceito por um diretor por ser negra, a arista criou a Maria Produtora que busca dar oportunidades para artistas negros que enfrentam dificuldades de recolocação profissional. Gal também está em 3%, e Os Souza, comédia sobre uma família negra em ascensão social.

Nascida em Salvador, Maria já integrou o elenco de peças, filmes e séries elogiadas no Brasil e no exterior. Como escritora, criou o livro infantil A Bailarina e a Bolha de Sabão em 2014. Em breve, lança Carolina, cinebiografia de Carolina Maria de Jesus, uma das mais importantes escritoras negras do país e autora de Quarto de Despejo.

Maria Gal é atriz, produtora e escritora (Foto Pino Gomes)

Mulher-maravilha

Gleyce é o retrato fiel de milhões de mulheres Brasil afora (mulher, negra, esposa, mãe, batalhadora que de certa forma já sofria com a falta de responsabilidade do marido, agora falecido). Quais as suas referências na hora de compor a personagem?

Minha mãe é a grande inspiração para essa personagem. Gleyce se preocupa muito com os filhos. Minha mãe é assim comigo, beira até a super proteção. Tem a carga histórica do sofrimento por conta de ser negra. Ela é a minha maior referência. Gleyce é uma chefe de família que se desdobra para ter comida em casa, qualidade de vida para os filhos. Nossa sociedade é muito excludente, racista. Essas mães são verdadeiras heroínas. Essas são as verdadeiras mulheres-maravilhas.

Aliás, como é o retorno do público em relação a essas características?

Não imaginava que teria um retorno tão positivo, muita gente se identifica com a Gleyce. Ela tem um bordão: “Ôh, pazinho do céu!” Isso faz com que ela se aproxime do público.

Que balanço faz desse
contexto dramaturgia x realidade?

Muito positiva e saudável. Mesmo nas cenas mais profundas ela traz uma emoção, algo lúdico. De alguma forma a novela ela traz problemas complexos como racismo, bullyng, desabamento, mas ela traz isso com emoção, fé e esperança.

A novela ou a sua personagem passam uma mensagem de esperança?

O DNA da novela é esse. A Gleyce sempre olha com um olhar positivo, com fé e esperança. Ela ensina os filhos a olharem por esse viés. A família da Gleyce traz isso fortemente.

Luta de classes

Ser a faxineira do colégio que incentiva os filhos a estudarem e a lidarem com o choque de realidade do conceito de classes sociais é algo bem forte no seu núcleo…

Gleice não é apenas a faxineira do colégio. Ela é empreendedora, vende pão de mel, faz parte do comitê do Laço Pink. Ela e outra personagem são as mais inteligentes do comitê. Ela incentiva os filhos a estudarem na melhor escola do país, trabalha a autoestima dos filhos e enfrenta alguns personagens que trazem essa questão do racismo, bate de frente, enfrenta a diretora, colocando em risco a bolsa de estudos dos filhos, fala sobre o tema e empodera eles a estudarem.  

Qual cena neste
contexto mais te emocionou?

Uma em que a Gleyce instiga a filha a fazer ballet. Mas a professora boicota a filha. Ela incentiva e todas essas cenas são emocionantes.

Racismo

Só pra exemplificar, você Já passou por algum tipo de situação semelhante de racismo ou bullyng?

Com certeza. Eu também fazia ballet na minha infância. Na minha escola eu tive apelidos por ser negra e ter cabelo crespo.

Além disso, a vizinha de porta da personagem também é de origem simples, mas por ser branca recebe algum tipo de tratamento diferenciado da sociedade, ou seja, na dramaturgia que se espelha na realidade?

Não, não me lembro de nenhuma cena.

Por conta do acidente elas se aproximam. É uma forma de mostrar sororidade? Empatia entre as mulheres?

Numa cena antes estão brigando por conta de um liquidificador, e já na cena seguinte ela vão socorrer seus respectivos maridos. Arlete, em compaixão a Gleyce, traz conforto, essa cena traz empatia e sororidade entre as personagens.

O marido sempre foi ausente, mesmo morando sob o mesmo teto. Ainda assim, quais eram as características positivas dessa relação? Marido x esposa, pai x filhos?  E as negativas?

Ele sempre foi ausente, no começo da novela ele trabalhava como caminhoneiro. Mas ele amava a Gleyce e os filhos. Ele era carinhoso com a família. O lado negativo está relacionado às finanças.

O público comentava
algo?

Quando ele usou parte do dinheiro para pagar a escola da filha, o público o chamou de safado. No mais o público gostava bastante por conta do humor e amor à família.

Morte

Por conta de um acidente ela fica viúva. Por que é importante apresentar a morte para as crianças?

Poliana vem para São Paulo porque os pais morreram. Teve que sofrer uma perda para que ela fizesse essa jornada. O tema da morte já está na novela desde o primeiro capítulo. As Aventuras de Poliana não é uma novela rasa, traz temas complexos de forma bela, lúdica e emocionante.

Por exemplo, como foi gravar as cenas?

Tivemos muito cuidado [elenco, direção e direção de arte], fizemos com muito amor, e isso foi passado para o público. O retorno foi enorme, fantástico, as pessoas se emocionaram.

Por fim, como será o futuro dessa família?

Essa família vai passar por uma jornada de fé, superação e amadurecimento. Gleyce agora é viúva, já era difícil, agora será ainda mais. O filho se torna o homem da casa. Isso engrandece a Família Soares.

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