Amor Sem Igual reforça projeto evangelizador da dramaturgia da Record TV

Emissora utiliza folhetins contemporâneos para exaltar a igreja

Publicado há uma hora
Por André Santana
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Depois do sucesso das primeiras novelas bíblicas, a Record TV voltou a apostar em histórias contemporâneas. Topíssima abriu os trabalhos, e Amor Sem Igual deu sequência a esta nova leva de folhetins. No entanto, ao contrário das novelas exibidas entre 2005 e 2014, as atuais tramas contemporâneas da Record TV também seguem o viés evangelizador das novelas bíblicas.

Isso não é um demérito. Amor Sem Igual foi uma novela, no geral, bem interessante. E que trouxe uma das mocinhas mais simpáticas da dramaturgia brasileira dos últimos anos. Angélica, que trabalhava como a garota de programa Poderosa (Day Mesquita), era uma figura forte, ousada e com muitas camadas. E a atriz a construiu lindamente.

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O fato de a Record apostar numa mocinha prostituta chamou a atenção. E, claro, fez levantar desconfianças de que o caminho de Angélica era a “redenção”, ou seja, a igreja. Dito e feito! Os caminhos da narrativa de Cristianne Fridman levaram Poderosa a se converter e vencer seus traumas de infância.

Não chega a ser um caminho novo. Afinal, até a Globo já apostou em personagens que mudam de vida ao conhecer a religião, como a Gina (Carolina Kasting), de Amor à Vida, ou Larissa (Grazi Massafera), de Verdades Secretas (aliás, ambas de Walcyr Carrasco). Ou seja, é um recurso dramatúrgico até batido. Mas que funcionou bem dentro da trama de Amor Sem Igual.

No entanto, a mensagem teria um efeito melhor sobre o público se fosse passada de maneira mais sutil. Colocar um QR Code que levava o espectador ao site do Templo de Salomão nas cenas em que os personagens falavam sobre a igreja soou um tanto esquisito. Causou um ruído na narrativa que poderia ter sido evitado.

Mas, no geral, Amor Sem Igual foi um folhetim tradicional bem orquestrado. A história principal, da garota de programa que é filha bastarda de um milionário e que, por isso, é perseguida pelo irmão que não quer dividir a herança, foi bem amarrada. Além disso, a novela teve o mérito de ser a primeira inédita a voltar ao ar durante a pandemia.

Porém, a trama também deixou claro que a dramaturgia da Record que apostava em temáticas mais diversas, como nos tempos de Cidadão Brasileiro (2005), Vidas Opostas (2006) ou Poder Paralelo (2009), já não mais existe. As novelas contemporâneas da emissora, assim como as bíblicas, também devem cumprir um papel evangelizador.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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