Análise

Opinião: Por que Luiz Alano, voz do SBT na Champions League, não narrou a final?

Desprestígio de locutor em rede de Silvio Santos é ainda mais inaceitável após falha de Téo José

Publicado em 31/05/2022

Em qualquer emprego, um profissional que executa mal a sua função é afastado e substituído. Um médico que treme ao manusear o bisturi ou um policial que não sabe atirar parecem exemplos extremos, mas acontecem na TV. Seja por questões de saúde seja por mau desempenho, apresentadores, jornalistas, atores e atrizes deixam seus cargos e são trocados. Em uma transmissão de futebol, o que deveria acontecer com um narrador que falha no momento mais importante, o gol?

No último sábado (28), o SBT transmitiu com exclusividade na TV aberta a final da Liga dos Campeões da Europa, simplesmente a partida de futebol mais importante do mundo entre clubes. O gol do brasileiro Vini Jr., que selou o 14º título do Real Madrid contra o Liverpool, ficou manchado por uma falha grotesca de Téo José, que corajosamente pediu desculpas ao final do jogo.

Falhas provocadas pelo corpo são totalmente compreensíveis. Afinal, somos humanos e não temos controle pleno de nosso organismo. Que o diga Galvão Bueno, principal narrador esportivo da televisão, traído por uma gripe antes de Grêmio x Flamengo, pela Libertadores de 2019. Ele reconheceu o erro e se desculpou em sua rede social: “Nada pior para um narrador do que não conseguir gritar os gols!”.

O experiente e competente Téo José nunca imaginou que um dos trabalhos mais importantes de sua carreira ficasse marcado por um defeito. Como não dá para voltar atrás (embora o SBT tenha tentado preservar seu funcionário apagando o vídeo da narração com centenas de reclamações no Twitter e editando a íntegra da partida no YouTube), bola para frente.

Entretanto, como todo profissional que falha, a garganta de Téo José indica que ele precisa esquentar o banco de reservas, como se diz no jargão futebolístico. Obviamente não significa que ele mereça deixar as narrações, porém precisa urgentemente revezar os trabalhos com seus colegas, especificamente com Luiz Alano, locutor “número 2” do SBT.

Se a trajetória de Téo nas transmissões esportivas é respeitável, Luiz Alano não fica para trás. Com mais de 20 anos de profissão, sendo 15 no Grupo Globo, o narrador catarinense foi a “voz” do SBT na Champions League, atuando em nove dos 15 jogos transmitidos pela emissora. Somente este número o credenciaria para viajar até Paris e “botar emoção” na final, como diz seu bordão.

Único apresentador negro do SBT (rótulo que deveria envergonhar o canal), à frente do dominical SBT Sports, Alano costuma ser escalado mais como narrador substituto do que como titular. Quando trabalhou na Champions, era porque o considerado “número 1” transmitiria a Libertadores. Quando narrou a Libertadores para São Paulo, foi quando Téo contraiu Covid-19 ou quando embarcou para a França.

Após o episódio terrível na final da Champions, é ainda mais inaceitável o desprestígio de Luiz Alano na própria empresa. O SBT precisa respeitar o currículo e a qualidade de seu profissional e parar de tratá-lo como “estepe” de Téo. Se nem Silvio Santos tem cadeira cativa no programa que leva seu nome (já fixou a filha, Patricia Abravanel, como substituta), por que Téo José teria? Luiz Alano titular já!

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