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Demitida do SBT, apresentadora sarada que virou meme faz estágio e estuda para ser nutricionista

À coluna, Lise Oliveira fala sobre novos passos profissionais após desligamento surpreendente da TV Aratu: "Foi um choque"

Publicado em 23/05/2022
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Uma semana após ser demitida, Lise Oliveira ainda busca entender o que motivou sua saída da TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia. Durante 13 anos na única emissora que trabalhou, foi repórter, apresentadora esportiva e de entretenimento, e encerrou sua trajetória à frente do Aratu Notícias, onde virou meme em 2021 ao ser descoberta no eixo Rio-São Paulo e apelidada da “Maju bombada”.

Negra e empoderada como Maria Júlia Coutinho, Lise se orgulha por cuidar do corpo a ponto de aparecer musculosa na TV e, na rede social onde publica sua rotina de treinos, inspira mulheres a se exercitarem e se amarem. Agora, a jornalista se dedica aos estudos. No próximo ano, conclui a faculdade e se prepara para trabalhar como nutricionista. Atualmente, faz estágio na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em Salvador.

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“Eu já sabia que um dia teria de encerrar meu ciclo na TV. Nunca pensei que fosse para sempre, porque uma hora tudo acaba. Eu estava me preparando para essa despedida, mas não neste momento. Ainda tenho um ano de faculdade pela frente. Foi um choque, soube que meus colegas continuam surpresos. Recebo muitas ligações e mensagens deles sem entender o que aconteceu. Como estava preparando meu espírito para me desligar e encerrar o ciclo, não me tirou do eixo, não me deixou desesperada. Não sou só comunicadora. Também serei uma futura profissional de saúde”, diz Lise em entrevista à coluna.

Com exclusividade, a apresentadora fala sobre sua nova etapa profissional, o meme que viralizou na internet, seus melhores momentos na TV Aratu e por que, na opinião dela, a emissora a demitiu. Confira abaixo:

PAULO PACHECO: Você estuda nutrição. Já estava se preparando para uma jornada dupla ou foi pega de surpresa com a demissão e precisou transformar o seu plano B em plano A, além da comunicação?

LISE OLIVEIRA: Sim, e importante que você disse ‘além da comunicação’, porque jornalista eu vou ser sempre. Foi minha primeira formação, mas não precisa ser a única. Há 13 anos me formei em jornalismo, mesmo período em que estive na televisão. Desde quando entrei na TV Aratu, nunca mais parei. Mas sou uma pessoa movida por novos estímulos, preciso perceber coisas novas a serem feitas para eu mostrar meu potencial em outras atividades, preciso desse combustível. Comecei a ficar um pouco incomodada, de uns tempos para cá, quando comecei a faculdade de nutrição, me formo ano que vem. Eu já sabia que um dia eu teria de encerrar meu ciclo na TV. Nunca pensei que fosse para sempre, porque uma hora tudo acaba. Eu estava me preparando para essa despedida, mas não neste momento. Ainda tenho um ano de faculdade pela frente. Houve um desvio no meio do caminho. Não deixa de ser um choque, uma surpresa. Não esperava essa demissão, porque sou uma funcionária correta, sempre fui. Sem querer me achar, mas sempre fiz o que tinha que ser feito. Nunca coloquei um atestado em 13 anos de televisão. Quando estive ausente, foi por causa das férias a que todo trabalhador tem direito. Foi um choque, soube que meus colegas continuam surpresos. Recebo muitas ligações e mensagens deles, sem entender o que aconteceu. Como estava preparando meu espírito para me desligar e encerrar o ciclo, não me tirou do eixo, não me deixou desesperada. Não sou só comunicadora. Também serei uma futura profissional de saúde.

PP: Você chegou a pedir explicações à TV Aratu? Por que você demitida?

LO: Com certeza eu perguntei, porque foi um choque. Fui encaminhada a uma sala com o meu chefe e a gerente do RH. Ele falou que naquele momento eu estava sendo desligada da emissora, e eu imediatamente perguntei: ‘Aconteceu alguma coisa?’. Ele disse: ‘Não aconteceu nada’. Perguntei novamente. ‘Eu lhe dou a minha palavra de que não aconteceu nada. Como está sendo você hoje, pode ser eu amanhã. É o momento pelo qual a emissora está passando, estamos fazendo uma reformulação e cortando custos’. Mas não é uma justificativa satisfatória. Eu acho que tem sim alguma coisa por trás, mas não foi revelada por mim. Eu não acreditei, foi a informação que recebi. Mas, na minha opinião, não é verdadeira. Gostaria muito de saber.

PP: Nos últimos dias, desde quando foi demitida, chegou a pensar no que fazer profissionalmente a curto prazo? O que tem planejado?

LO: Meu objetivo neste momento é continuar focada nos estudos e tentar ao máximo adiantar o meu lado, porque tenho muita coisa para estudar. Sentia falta de me dedicar mais, porque tinha o trabalho na TV. Vou tentar, se possível, me formar antes do previsto. É ano que vem, mas se conseguir acelerar o planejamento é melhor para mim. Se eu tiver que voltar a fazer jornalismo, claro, estou aberta a qualquer convite e qualquer oportunidade, mas a minha energia agora vai estar concentrada na nova área. Inclusive já estou estagiando, já estou colocando a mão na massa de certa forma. Consigo trazer para a minha realidade o que é fazer nutrição. Ainda não se sinto pronta, mas estou muito mais preparada para colocar o meu conhecimento em prática.

PP: Você já tinha me dito que a busca pela forma física ideal te levou à faculdade de nutrição, não só para aprender mas também para ensinar aos outros, já que você se tornou uma referência no assunto.

LO: Sim, e meu interesse pelo corpo saudável começou desde quando entrei na TV. As pessoas associam muito a minha imagem à qualidade de vida. O que fiz foi só reafirmar esse vínculo, tornar mais forte a ligação. Vou continuar estudando, porque a área da saúde especialmente precisa de uma atualização constante, a ciência evolui muito rapidamente. Foi uma forma de firmar mesmo essa ligação que as pessoas fazem e eu sempre gostei. Uni o útil ao agradável. Agora vou usar a comunicação na minha nova área, como futura profissional da saúde.

PP: Você começou o curso remotamente em razão da pandemia. Como estava sua rotina com a volta dos estudos presenciais?

LO: Eu ia de manhã à faculdade, me arrumava na academia e ia à TV em seguida. Só agora vou focar realmente nisso, ter tempo para assistir às aulas pela manhã e, à tarde, quando estava na TV, acompanhar outros cursos que comprei paralelamente à faculdade. Eu usava o fim de semana para tirar esse atraso, mas só dois dias não eram suficientes. Vou me dedicar mais.

PP: Sobre sua trajetória na TV Aratu, quais momentos você vai guardar como principais da sua carreira?

LO: Foram tantos, Paulo. Eu me reinventei muito. Fiquei quase cinco anos no telejornal Aratu Notícias. Quando assumi, meu chefe na época deu a ideia de que fizéssemos algo bem diferente dos outros, com uma linguagem única, cheia de identidade. Eu incorporei mesmo, rodava até cadeira! Desenhava em quadro-negro e levava baldes de água para poder tornar a transmissão de conteúdo ainda mais clara para o telespectador e nada convencional, que a gente encontra em outros telejornais. Deu certo por um tempo, chegamos a ser vice-líderes de audiência. Depois voltamos a ser convencionais, um formato mais tradicional. Ancorei o Carnaval de Salvador. Apresentei o programa Chegue Mais durante mais de cinco anos, sempre aos sábados pela manhã. Tinha uma pegada mais feminina e o deixei com a minha cara, falava de musculação e atividade física. Também apresentei jornal em Camaçari, quando a Aratu tinha uma sucursal. E apresentei os programas esportivos da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, que foram sediados em Salvador.

PP: Vamos relembrar o dia em que você “furou a bolha” da TV local e se tornou conhecida no Brasil inteiro, quando virou meme. Você ganhou muita visibilidade e seguidores. Percebeu que o carinho recebido pelo público na Bahia também veio de outros estados?

LO: Ser convencional não tem muito a ver comigo. A gente espera um estereótipo e eu era contra todos eles. Sempre fui uma mulher musculosa, malhada, sarada, grandona, e sempre mudando o visual com cabelos diferentes. Isso chamou a atenção das pessoas, que se identificavam com isso naturalmente, nada forçado. Sempre me preocupei com a estética. Levei isso para a minha vida profissional. Um dia, estava com um macaquinho apertado, mas consegui vestir, e era uma época em que treinava muito os membros superiores. Essa roupa ficou meio apertada e deixou ainda mais evidente a musculatura (risos). Alguém ficou chocada, capturou a tela e compartilhou com as pessoas. Até hoje! Essa semana eu repostei o meme. É uma coisa que não morre (risos)!

PP: Aqui no Sudeste, onde temos pouquíssimas referências de apresentadoras negras, logo você foi comparada a Maju, a ‘Maju bombada’…

LO: A Maju depois da creatina (risos)! Eu levei numa boa, para mim não foi problema nenhum. Pelo contrário, foi uma grande manifestação de carinho das pessoas. Eu fiquei feliz demais ao ver as fotos sendo compartilhadas, e eu repostava também! Aproveitei bastante na época. Foi um prazer, é sempre bom receber essa energia das pessoas, e de qualquer forma é um reconhecimento. Se elas compartilharam é porque gostaram, isso só aumenta a responsabilidade sobre o que eu falo e faço. Eu me senti abraçada pelo público, acolhida e mais responsável. O saldo foi totalmente positivo.

PP: Você também gosta de mudar o visual, mexe seu cabelo e valoriza suas origens, ajudando muitas pessoas a também se reconhecerem e quebrando parte do preconceito.

LO: Isso foi um momento muito marcante e decisivo. Eu costumo pensar que quando você resolve mudar é porque a mudança já aconteceu dentro de você. Concretizar é o ponto final, mas já aconteceu. Meu cabelo hoje é real, porque durante anos usei mega hair, e gostava bastante. Usei liso, cacheado, loiro, preto, castanho, muitos tipos. Mas senti necessidade de ter o meu cabelo. É uma coisa diferente e engraçada. Vi algumas moças no meu Instagram com o mesmo corte que o meu e achei bonito, poderia dar certo em mim. Achava que o meu cabelo só servia para poder segurar o alongamento, e eu tinha na cabeça que nunca deixaria de usar mega hair. Mas hoje meu cabelo me provou que eu posso ser linda com ele. Eu até me emociono falando isso. Determinei, em 30 de dezembro, que no dia seguinte iria fazer a mudança. Tirei o mega hair no dia 30, no dia 2 fui ao salão do Leo Santos, referência em Salvador para cabelos afros, e ele me ajudou, cortou meu cabelo, ficou perfeito, maravilhoso! Trabalhei no Natal e folguei no Réveillon. Decidi fazer a transição e voltar ao ar com a mudança realizada. As pessoas amaram! Muitas mulheres se sentiram incentivadas a fazer o mesmo. Não é que nunca mais vou usar mega hair, mas queria me sentir à vontade também com o meu cabelo, o que não acontecia. Se eu quiser aliso, coloco trança ou dread, o mais importante é se sentir bem. Precisei amadurecer, não foi uma mudança de uma hora para outra, mas sem dúvida aconteceu antes de concretizá-la.

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