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Resgate do Globoplay, Tropicaliente saiu do Sudeste e contou história de amor no litoral cearense

Novela de Walther Negrão foi exibida em 1994 na faixa das 18h

Publicado em 14/02/2022
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Nesta segunda-feira (14), o Globoplay prossegue com o projeto de resgate de clássicos da teledramaturgia da TV Globo com a inclusão em seu catálogo da novela Tropicaliente (1994), de Walther Negrão.

Exibida originalmente entre maio e dezembro de 1994, Tropicaliente teve como títulos provisórios Summertime e Paixão de Verão e, por breve período, foi cogitada para a faixa das 19h, já que esta ficaria vaga um mês antes e seus trabalhos estavam mais adiantados.

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A TV Globo acabou optando por exibir a história às 18h e levar ao ar às 19h a segunda versão de A Viagem, de Ivani Ribeiro.

Trama central e personagens principais de Tropicaliente

Sem qualquer pretensão revolucionária, como em geral são as obras de Walther Negrão, Tropicaliente foi uma grande vitrine das belezas naturais do Ceará, o “Caribe brasileiro”, cenário para o romance entre Ramiro Suarez (Herson Capri), um humilde pescador, e Letícia Velásquez (Sílvia Pfeifer), requintada, culta, de família rica, filha do empresário Gaspar Velásquez (Francisco Cuoco).

Francisco Cuoco em Tropicaliente (Divulgação/Memória Globo)

Os dois não puderam se casar e cada um foi para o seu lado, embora o sentimento não tenha deixado de existir. Letícia se casou com Jordí (Jonas Bloch), pai de seus filhos Vítor (Selton Mello), típico rebelde sem causa, e Amanda (Paloma Duarte). Ramiro se uniu a Serena (Regina Dourado) e com ela teve Cassiano (Márcio Garcia) e Açucena (Carolina Dieckmann).

A atriz Regina Dourado em Tropicaliente (Reprodução/Globo)

Letícia volta a Fortaleza depois de anos afastada, viúva, e reencontra Ramiro. Isso prejudica as intenções do arquiteto François (Victor Fasano), que pretende se casar com ela. Ainda, as duas famílias se entrelaçam também graças ao romance que surge entre Vítor e Açucena. Vítor é um rapaz perturbado, afetado pela ausência do pai, por cuja morte acusa Letícia.

Marcio Garcia e Carla Marins em Tropicaliente (Reprodução/Globo)

Cassiano, o filho mais velho de Ramiro e Serena, namora Dalila (Carla Marins), a bela filha de Samuel (Stenio Garcia) e Ester (Ana Rosa). Samuel é grande amigo de Ramiro e seu companheiro nas lutas pelos direitos dos pescadores da aldeia em que moram.

Tem com Ester um filho, Davi (Delano Avelar), que trabalha na empresa dos Velásquez e tem vergonha de sua origem pobre. Em seu desejo de ascender socialmente ele fica noivo de Olívia (Leila Lopes), filha de Bonfim (Edney Giovenazzi), amigo de Gaspar, e Isabel (Lúcia Alves), típica perua, de bom coração e tiradas ótimas sobre tudo e todos.

Em meio a esses personagens encontramos uma das melhores figuras da história: Franchico (Cássio Gabus Mendes), um rapaz meio malandro, espertalhão, que não sabe bem de onde veio nem o que pretende, e se infiltra entre ricos e pobres. É ele, por exemplo, que ajuda François em seu romance com Letícia, bem como se aproxima de Gaspar para encontrar um jeito de vencer na vida sem fazer força.

Fora do eixo Rio – São Paulo, Tropicaliente aqueceu turismo do Ceará

Produzida num momento em que a dramaturgia global buscava outros cenários para suas tramas além do eixo Rio-São Paulo – Sonho Meu (1993/94), de Marcílio Moraes com supervisão de texto Lauro César Muniz, sucesso que a antecedeu no horário, se passava em Curitiba –, Tropicaliente incentivou o turismo no Ceará a ponto de lotar os hotéis durante os chamados meses de baixa temporada.

Em especial, é compreensível que muitos telespectadores que desejem rever Tropicaliente pensem assim por ser esta uma novela que evoca a infância da geração que hoje gira em torno dos 30 anos. As novelas das seis marcam a memória afetiva porque em geral eram as que assistíamos ao chegar da escola ou das brincadeiras na rua com os amigos, têm um gosto de infância, e esta é uma época na qual em geral não temos o senso crítico que se apura com a idade. É meu caso pessoal, por exemplo; na época da novela eu contava apenas sete anos.

Acho que vale a pena ver de novo Tropicaliente – agora no Globoplay – para apreciar o ótimo trabalho de Regina Dourado como Serena, protagonista da história ao lado de Herson Capri e Sílvia Pfeifer; a beleza desta, que melhorou como atriz a cada trabalho e é alvo de preconceitos mesmo atuando há mais de 30 anos; o Franchico de Cássio Gabus Mendes e sua irmã Adrenalina (Natália Lage), em sua amizade com o filho de Bonfim e Isabel, Pessoa (Guga Coelho), embalados por Chico Science & Nação Zumbi com “A Praieira”.

Além disso, os mistérios guardados pelo velho pescador Bujarrona (Nelson Dantas); a trama folhetinesca irresistível que envolve Davi, Dalila, Samuel e Ester; ver jovenzinhas em início de carreira as futuras Jade e Maysa (de O Clone), Giovanna Antonelli e Daniela Escobar; a participação destacada de Cleyde Blota do meio para o fim da novela; o veterano Francisco Cuoco num papel interessante, de esteio da família e dos negócios, ao mesmo tempo em que não abria mão de aproveitar a vida.

Esticamento prejudicou o saldo final

Não foi exatamente uma novela marcante, que tenha se tornado clássica. Motivos para rever Tropicaliente são buscados mais em carinho pessoal, memória afetiva, do que em justificativas calcadas na história da teledramaturgia, e seu lamentável esticamento – fase em que o casal Ramiro e Letícia resolve viver junto, numa cabana na praia – prejudicou muito o saldo final. Mas nem só de clássicos vive a teledramaturgia, assim como nem só de clássicos deve viver um canal como o Viva, por exemplo, ou um projeto como o dos resgates do Globoplay.

A propósito: o tal esticamento foi promovido para permitir que a substituta às 18h, a segunda versão de Irmãos Coragem, novela de Janete Clair, estreasse nos primeiros dias de 1995, abrindo as comemorações do trigésimo aniversário da TV Globo.

Veja abaixo a abertura de Tropicaliente, embalada por Elba Ramalho:

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