Mulher inesquecível

Conheça algumas curiosidades de A Sucessora, novela que o Viva reprisa para homenagear Manoel Carlos

Livro que originou a produção foi publicado na década de 1930

Publicado em 27/03/2023

Nesta segunda-feira (27), o Canal Viva iniciou a reprise da novela A Sucessora, exibida originalmente pela TV Globo entre outubro de 1978 e março de 1979. Foi a segunda história do gênero escrita por Manoel Carlos para a emissora, inspirada no romance homônimo de Carolina Nabuco.

O Canal Viva a exibe agora para homenagear o escritor por ocasião de seus 90 anos, completados em 14 de março. E o Observatório da TV relembra algumas curiosidades em torno de A Sucessora.

Embora já tivesse 36 anos na ocasião, Susana Vieira foi escolhida para interpretar a protagonista Marina, jovem de menos de 20 anos, criada numa fazenda, que se casa com um viúvo milionário, Roberto Stein (Rubens de Falco), e passa a conviver com a forte presença da primeira esposa dele, Alice, cultivada pela governanta Juliana (Nathalia Timberg), fascinada tanto por Roberto quanto pela patroa morta.

A química entre Susana e Rubens extrapolou os limites da ficção e os dois atores viveram um romance também na vida real na época de A Sucessora e um pouco depois do fim das gravações. Em 1979, enquanto Rubens mudou de canal e foi protagonizar Gaivotas, de Jorge Andrade, na TV Tupi, Susana seguiu na Globo e integrou o elenco de Os Gigantes, de Lauro César Muniz.

O jornalista Otto Lara Resende e o crítico literário do jornal Correio da Manhã, Álvaro Lins, tentaram fazer Carolina Nabuco entrar com um processo para apontar o plágio de A Sucessora e reivindicar seus direitos, uma vez que Rebecca, romance de Daphne Du Maurier, publicado em 1938 – depois da obra da brasileira, que saiu em 1934 -, tem muitos pontos comuns.

Seria possível provar que a obra da filha do diplomata e político Joaquim Nabuco era anterior ao livro de Du Maurier, mas Carolina não quis “correr atrás” do processo. Foi Otto, ligado à TV Globo, quem alertou Manoel Carlos a respeito desses fatos. Rebecca foi a base do cineasta Alfred Hitchcock para fazer seu filme Rebecca, a Mulher Inesquecível, lançado em 1940.

O livro de Carolina Nabuco nomeia seu personagem masculino central como Roberto Steen. No entanto, a pronúncia adotada na novela foi “Stain”, cabível para a grafia Stein.

Outra obra de Carolina Nabuco foi adaptada para novela pela TV Globo: em 1987, o romance Chama e Cinzas serviu de base para Daniel Más desenvolver Bambolê, atração das 18h que atualmente o Canal Viva também reapresenta, às 14h40 (e por volta de 1h). Aqui, Susana Vieira também protagoniza, como Marta, uma vendedora de cosméticos de porta em porta, e Rubens de Falco vive o vilão, o empresário Nestor Barreto.

Ao som de ‘Odeon’, composição de Ernesto Nazareth que veio à tona em 1908 e na década de 1960 ganhara letra de Vinícius de Moraes, a abertura de A Sucessora mostrava mais de 20 cartões-postais da década de 1920, integrantes da vasta coleção de Ismênia Dantas, jornalista, esposa do ator Nelson Dantas e mãe dos também atores Andréa Dantas e Daniel Dantas. Em versão instrumental, ‘Odeon’ é bastante conhecida dos espectadores de O Cravo e a Rosa (2000-2001), de Walcyr Carrasco e Mário Teixeira, uma vez que embalou cenas e chamadas da produção.

Figuras conhecidas do público por seu trabalho em novelas da TV Tupi, os atores Paulo Figueiredo e Liza Vieira estrearam na dramaturgia da TV Globo com seus personagens em A Sucessora: os irmãos Miguel e Adélia, primos de Marina. Intelectual e avesso a futilidades, Miguel desejava casar-se com a prima, mas no decorrer da história interessa-se por Luísa (Tetê Pritzl), sobrinha de sua senhoria, Dona Guilhermina (Mirian Pires).

Algumas cenas cenas externas foram gravadas na Fazenda Indiana, localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro (fazendo as vezes de Fazenda Santa Rosa), e na Universidade Federal Rural, em Seropédica (RJ).

A Sucessora foi reprisada no Vale a Pena Ver de Novo de novembro de 1980 a maio de 1981. Foi a segunda novela apresentada na sessão, em substituição a Dona Xepa (1977), de Gilberto Braga, que a inaugurara.

Responsável pelo núcleo das novelas das 18h da TV Globo na época, Herval Rossano conduziu o início de A Sucessora – implantou o projeto, como se costuma dizer – e depois passou a direção da novela a Gracindo Júnior (que assinou-a como diretor-geral) e Sérgio Mattar.

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