#TBTdaTelevisão: Assim como A Dona do Pedaço, relembre novelas com rixas entre famílias

Publicado há um ano
Por Fábio Costa
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Nesta semana, o #TBTdaTelevisão relembra algumas novelas que, a exemplo da nova atração das 21h da Rede Globo, A Dona do Pedaço, apresentaram grandes rixas entre famílias. Na história criada por Walcyr Carrasco, os clãs inimigos são os Ramirez e os Matheus, na fictícia Rio Vermelho, Espírito Santo. Dos dois lados há matadores de aluguel, ofício transmitido de geração em geração. E em meio às “encomendas” que recebem para matar pessoas, eles fatalmente já vitimaram muitos membros dos dois sobrenomes. Ademais, ao invés de se vingarem daqueles que contratam os assassinatos, tanto os Matheus quanto os Ramirez gostam mesmo é de matar uns aos outros… O grande amor entre Maria da Paz (Juliana Paes) e Amadeu (Marcos Palmeira) surge em meio a tamanha rivalidade.

Velho Chico: De Sá Ribeiro versus Dos Anjos

Camila Pitanga e Domingos Montagner em Velho Chico (Divulgação/TV Globo)

Velho Chico (2016) foi um grande momento da teledramaturgia, infelizmente marcado pela morte do ator Domingos Montagner poucos dias antes do último capítulo. Ele interpretava Santo dos Anjos, cujo grande amor por Maria Tereza (Camila Pitanga) sempre foi atrapalhado pelo ódio cultivado entre sua família e a dela, desde décadas atrás. E na atualidade mantido especialmente pelo pai da amada, Coronel Afrânio “Saruê” de Sá Ribeiro (Antonio Fagundes).

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Quando jovens, Santo (Renato Góes) e Maria Tereza (Júlia Dalavia) se apaixonaram perdidamente. Isso apesar da rixa entre o Capitão Ernesto (Rodrigo Lombardi), em cuja fazenda os Dos Anjos eram agregados e de quem se tornaram herdeiros, e o antigo Coronel Saruê, Jacinto (Tarcísio Meira), pai de Afrânio (Rodrigo Santoro). O romance de Santo e Maria Tereza gera Miguel (Gabriel Leone), criado como filho pelo marido dela, Carlos Eduardo (Rafael Vitti, depois Marcelo Serrado).

O Rei do Gado: uma das brigas entre famílias mais famosas da teledramaturgia, no #TBTdaTelevisão

O Rei do Gado (Divulgação)

Com efeito, briga de família sempre rende. E na obra de Benedito Ruy Barbosa costuma haver sempre. Provavelmente, o ódio entre os Mezenga e os Berdinazzi de O Rei do Gado (1996/97) é o mais lembrado quando tratamos de famílias rivais. O início da novela se passa na época da Segunda Guerra Mundial, ou seja, primeira metade da década de 1940. A saber, a disputa por terras na divisa entre as duas fazendas foi o que colocou literalmente de lados opostos Giuseppe Berdinazzi (Tarcísio Meira) e Antonio Mezenga (Antonio Fagundes). De briga em briga e de mudança em mudança do lugar onde a cerca que separa as propriedades ficava, surgiu o amor entre Giovanna (Letícia Spiller), filha de Giuseppe e Marieta (Eva Wilma), e Enrico (Leonardo Brício), filho único de Antonio e Nena (Vera Fischer).

Além de Giovanna, os Berdinazzi eram ainda pais de Geremias (Caco Ciocler, na segunda fase Raul Cortez), Giacomo (Manoel Boucinhas) e Bruno (Marcello Antony). Este último apoiava o amor da irmã com o “inimigo”. E teve um destino trágico ao morrer lutando na guerra. Contra todos os obstáculos, Enrico e Giovanna fogem juntos e se casam. Eles têm um único filho, que recebe o nome do tio: Bruno (Antonio Fagundes, na segunda fase).

O ódio que ultrapassa gerações, no #TBTdaTelevisão

O casal ainda fica com D. Marieta sob seus cuidados, uma vez que depois da morte de Giuseppe ela sofre um golpe orquestrado pelos próprios filhos Giacomo e Geremias. Este ainda passa a perna no irmão e fica sozinho com o fruto da venda da fazenda. A partir disso ergue um império de gado leiteiro. O golpe alimenta o ódio de Bruno contra os Berdinazzi. Tanto assim que assina sempre Bruno “bê ponto” Mezenga, e evita até pronunciar o sobrenome da mãe e da avó. Todavia, também ele, já maduro e num Brasil diferente daquele em que nascera, se apaixona perdidamente por uma Berdinazzi: sua prima Marieta (Patrícia Pillar), filha de Giacomo, que ganhou o nome da avó numa espécie de desencargo de consciência. Mas isso só se esclarece depois. Durante quase a novela toda a moça atende por Luana, nome adotado para escapar a más lembranças.

Pedra Sobre Pedra: em Resplendor, a disputa política que oculta um grande amor, no #TBTdaTelevisão

Em 1992, o horário das 20h da Globo exibiu Pedra Sobre Pedra. Escrita por Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, a novela ambientava seus acontecimentos na fictícia Resplendor, cidade localizada na Bahia em plena Chapada Diamantina. Acima de tudo, os Pontes e os Batistas disputam o controle político da cidade. Murilo Pontes (Lima Duarte) é o líder de sua família e pretende que seu filho Leonardo (Maurício Mattar) seja eleito prefeito. Mas terá de enfrentar a viúva Pilar Batista (Renata Sorrah), que também deseja o poder sobre os resplendorinos e lança a candidatura de sua filha Marina (Adriana Esteves).

O que tanto Murilo quanto Pilar desconhecem por algum tempo é que seus filhos estão apaixonados e vivem um romance desde que se conheceram na viagem “da capital” para Resplendor. Correndo por fora e se aproveitando da rixa temos a presença do mau-caráter Cândido Alegria (Armando Bogus), que enriqueceu de modo suspeito e também deseja a prefeitura e o amor de Pilar. No passado, Murilo e Pilar foram noivos e uma intriga de Cândido os separara. Seja como for, o amor entre os dois permaneceu. Embora tenham se casado com outras pessoas. Por certo, tanto isso é verdade que Murilo chama sua esposa Hilda (Eva Wilma) de “minha filha”.

Na teledramaturgia da Band, dois bons exemplos de brigas entre famílias que o #TBTdaTelevisão relembra

Só para ilustrar, entre 2006 e 2008, a Band apresentou duas novelas centradas em rivalidades familiares. A primeira foi Paixões Proibidas (2006/07), inspirada na obra do escritor português Camilo Castelo Branco e escrita por Aimar Labaki. Simão (Miguel Thiré) e Teresa (Anna Sophia Folch) são apaixonados, mas a inimizade existente entre seus pais, Domingos (Flávio Galvão) e Tadeu (Antônio Grassi), representa grande dificuldade. Mesmo que isso a torne infeliz, Tadeu deseja que a filha se case com um primo, Baltazar (Marcos Breda). Com efeito, o #TBTdaTelevisão recomenda um resgate dessa novela pela Band. Nem que fosse de madrugada, já que reprise é o que não falta na faixa.

Posteriormente, em 2008, Água na Boca, de Marcos Lazarini, também teve sua versão de Romeu & Julieta. Passada em São Paulo, a história faz com seus personagens a representação das muitas regiões do Brasil e do mundo presentes na cidade. O centro é o ódio que existe entre os franceses Cassoulet e os italianos Bellini, iniciado quando as matriarcas Françoise (Jacqueline Laurence) e Maria (Berta Zemmel) eram jovens. Na infância e na adolescência elas foram amigas, mas a disputa pelo coração de um mesmo rapaz as separou. Françoise saiu vencedora e se casou com Jean-Paul (Mário César Camargo). Na atualidade, os netos das antigas amigas, Danielle (Rosanne Mulholland) e Luca (Caetano O’Maihlan), se apaixonam e vivem tanto momentos de ternura como também cenas cômicas dignas de comédias pastelão. As duas famílias gerenciam restaurantes que transportam os clientes para os países de origem dos donos.

No final dos anos 1990, mais um exemplo nas novelas da Band

Anteriormente, em 1998, outra novela da Band teve como protagonistas dois jovens apaixonados, descendentes de famílias rivais. Serras Azuis foi escrita por Ana Maria Moretzsohn, com base no romance homônimo de Geraldo França de Lima. Os Roldão e os Paiva se detestam, e são duas das principais famílias da pequena cidade mineira que dá nome à história. Uma grande chacina encomendada vitima quase todos os membros da família Roldão, e sobram apenas Gaius (João Busko) e a tia, Semíramis (Joana Fomm). Bem como os Paiva são todos assassinados e apenas a pequena Lígia (Bruna Guasco) sobrevive. Ela cresce sob os cuidados de um amigo da família, o Sr. Paiva (Leonardo Villar). Adultos, Gaius (Petrônio Gontijo) e Lígia (Adriana Londoño) caem de amores um pelo outro. No entanto, as desavenças do passado são um fantasma na vida do casal. O #TBTdaTelevisão recorda esta novela que merecia uma reprise.

Nas novelas de Dias Gomes, brigas entre famílias ajudaram a dar a tônica do coronelismo nordestino e da crítica social desejada pelo autor

Principalmente três novelas de Dias Gomes incluíram brigas entre famílias em seus entrechos, com maior ou menor importância na história. O Bem-amado (1973) continha a grande rivalidade entre os Cajazeiras e os Medrados. O primeiro clã foi quase inteiro dizimado pelo segundo, que perdeu igualmente muitos de seus membros. As Irmãs Cajazeira – Dorotéa (Ida Gomes), Dulcinéa (Dorinha Duval) e Judicéa (Dirce Migliaccio) – detestavam Donana Medrado (Zilka Salaberry), que fazia as vezes de delegada de Sucupira, na Bahia, em virtude da impossibilidade de seu marido Joca (Ferreira Leite) cumprir com suas funções. Só para ilustrar, ele vive preso a uma cadeira de rodas justamente porque levou um tiro de um Cajazeira, que privou-o dos movimentos das pernas. O mau-caráter Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), prefeito da cidade, se casou com uma Cajazeira e, não apenas por isso, como também por sua postura política execrável, mereceu a oposição ferrenha de Donana.

Na trama de Saramandaia (1976), a campanha pela mudança do nome da cidade de Bole-Bole para Saramandaia dá novo gás ao ódio entre as famílias Tavares e Rosado, as mais poderosas da região. Tenório (Sebastião Vasconcelos) e Zico (Castro Gonzaga), os dois patriarcas, se colocaram de lados opostos na questão. O primeiro era da ala mudancista, enquanto o segundo se colocou junto aos tradicionalistas. Dirceu (Pedro Paulo Rangel), filho de Tenório, e Dulce (Tereza Cristina Arnaud), neta de Zico, se apaixonam. De tal forma que surge a possibilidade de que se repita a tragédia do passado que causou o ódio. Só para exemplificar, o #TBTdaTelevisão não esquece: na versão de 2013, os personagens equivalentes foram Thiago (Pedro Tergolina) e Estela (Laura Neiva).

Numa novela antiga da Record TV, Romeu & Julieta recriado na atmosfera dos peões de boiadeiro

Chamada de elenco da novela Estrela de Fogo, que o #TBTdaTelevisão relembra.

O #TBTdaTelevisão, como os habituais leitores com toda a certeza já notaram, também se atém às outras emissoras. Em 1998, a Record TV exibiu às 20h a novela Estrela de Fogo, escrita por Yves Dumont. O centro da trama, que abordava a pujança econômica do interior e os peões de boiadeiro, era a rivalidade entre as famílias Proença de Alvarenga e Gomes de Oliveira. Seus patriarcas, respectivamente Gustavo (Fúlvio Stefanini) e Tadeu (Luiz Guilherme), se detestavam.

A origem da desavença tem a ver com amor: a bela Estela (Cristina Prochaska) conquistou o coração dos dois na juventude, mas escolheu Gustavo para marido e teve com ele três filhos. Um deles, Bernardo (Afonso Nigro), se apaixona por Andréa (Vera Zimmermann), filha de Tadeu. Além disso, Fernão (Dalton Vigh), irmão de Andréa, se encanta por Inaê (Joana Limaverde), cuja mãe, Graciosa (Jussara Freire), é cozinheira na fazenda dos Proença de Alvarenga. Ademais, até certa altura da narrativa ninguém sabe que Inaê também é filha de Gustavo.

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