Escravos na teledramaturgia e sua luta por liberdade: tema do #TBTdaTV da Semana da Consciência Negra

Celebrando a data, o #TBTdaTV fala da luta por liberdade

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Ainda que não seja feriado na maior parte dos municípios brasileiros, o dia 20 de novembro é marcado pela celebração do Dia da Consciência Negra. Aliás, esta semana inteira é chamada de Semana da Consciência Negra. Na teledramaturgia, não foram poucas as produções que já abordaram o Brasil Império, época em que a escravidão dos negros ainda estava em vigor por aqui. Todavia, algumas delas apresentaram a questão por um viés menos óbvio, e vale a pena recordá-las no #TBTdaTV dessa semana. Os escravos na teledramaturgia nem sempre fugiram à representação de um povo oprimido e sofrido. No entanto, algumas produções também os mostraram como reativos ante os maus-tratos e a desumanidade.

A visão da Abolição por novelas e minisséries

Claro que entre os personagens de novelas e minisséries passadas no Brasil Império sempre há fazendeiros e/ou políticos empenhados na luta contra a Abolição da Escravatura. Para eles, que se danassem os negros, contanto que a economia do Brasil seguisse estável e sustentada por sua força de trabalho. De modo que estes geral e merecidamente são os vilões dos enredos que os apresentam. Ademais, mesmo que os escravos na teledramaturgia sofram muito e tenham suas agruras mostradas pelos enredos, sua postura não foi sempre passiva diante dos maus-tratos, como pode parecer.

Sinhá-Moça (primeira versão em 1986 e segunda em 2006) foi uma novela que mostrou a problemática do fim da escravidão, a descrença de fazendeiros como o Barão de Araruna (Rubens de Falco) em relação à República que já avizinhava e os italianos chegando ao interior do Brasil, para substituir a mão-de-obra escrava negra. As últimas cenas da novela são justamente com os negros libertos saindo das fazendas e os italianos chegando no contrafluxo. Libertos, sim, mas sem qualquer garantia de inserção social e subsistência. Jogados à própria sorte.

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Cem anos de distância entre os fatos e versões menos calcadas no senso comum

No final dos anos 1980, muito em virtude dos centenários da Abolição (em 1988) e da Proclamação da República (em 1889), as produções de teledramaturgia que abordaram a época mostraram atitudes dos escravos em nome de sua liberdade. Fugas, revolta organizada e ações coordenadas a fim de deixar o cativeiro foram elementos importantes da minissérie Abolição, cujo último capítulo irá ar no Canal Viva no próximo domingo às 23h45min. Só para ilustrar, esta é sua primeira reprise. E também da novela Pacto de Sangue, exibida em 1989 às 18h.

Políticos abolicionistas e escravagistas em luta no final do século 19

Abolição foi um projeto do diretor Walter Avancini, que criou o argumento e escreveu o roteiro da minissérie com Wilson Aguiar Filho e a colaboração de Joel Rufino dos Santos, além de dirigir. Os protagonistas são Iná Ineran (Ângela Correa), líder espiritual dos escravos da fazenda do Coronel Tavares (Milton Moraes), e Lucas (Luiz Antonio Pilar), apaixonado por ela e liberto pelo coronel como um presente pelos 20 anos de casamento com Emilinha (Martha Overbeck). Iná deseja partir para o embate com os brancos pela liberdade dos negros. Ao passo que Lucas acredita que o melhor é obter a Abolição com diplomacia, negociação e conquista de leis. Essa diferença de visão os separa não apenas no âmbito político, como também no romântico.

Paulino de Souza (Mário Lago) e Barão de Cotegipe (José Lewgoy) (Divulgação)

A classe política tem no Barão de Cotegipe (José Lewgoy) e no senador Paulino de Souza (Mário Lago) dois importantes representantes do escravismo. Ou, na melhor das hipóteses, da abolição apenas num prazo de cinco anos e com polpudas indenizações pagas aos fazendeiros. Aos negros, claro que nada era destinado. Mas havia também os políticos abolicionistas, como Joaquim Nabuco (Luiz Armando Queiroz) e Quintino Bocaiúva (Ivan de Albuquerque). E os militantes negros de destaque, a exemplo de André Rebouças (Jorge Coutinho) e José do Patrocínio (Valter Santos). A Princesa Isabel (Tereza Rachel) sabia que assinar a Lei Áurea seria como assinar um documento marcando o fim do regime monárquico no Brasil. Com efeito, foi isso mesmo que ocorreu, um ano e meio depois da Abolição.

Com Pacto de Sangue, a luta dos escravos na teledramaturgia teve um expoente importante

Regina Braga teve uma oportunidade de assinar uma novela em 1989, quando escreveu Pacto de Sangue para o horário das 18h da TV Globo. Dirigida por Herval Rossano, a produção estreou em 8 de maio daquele ano com seus trabalhos quase concluídos. O juiz Queiroz Antunes (Carlos Vereza), membro do Partido Conservador e seu líder na cidade fluminense de Campos dos Goytacazes, se vê diante de uma experiência inesperada após a perda do filho, Antônio (Marcelo Serrado). Em seu leito de morte, o rapaz pede ao pai que adote o jovem negro Bento (Armando Paiva). De modo que, ao atender o pedido de Antônio, Antunes inicie uma revisão de seus valores, que culmina também no envolvimento amoroso com a professora abolicionista Aimée (Carla Camurati).

A história se passava em 1869, e sua ambientação em Campos a situava num dos centros econômicos da então província do Rio de Janeiro e do próprio Brasil. Num quilombo da região, liderado por Mãe Quitinha (Ruth de Souza), a figura da guerreira Baoni (Ângela Correa) despontava. Dessa forma, Pacto de Sangue mostrava negros menos passivos, lutando por seus direitos e sua liberdade, ao contrário do usual. E usava de tintas fortes para mostrar os maus-tratos e abusos dos brancos contra os negros, especialmente através de personagens como Isabel (Cristina Aché), a filha louca de Antunes, e da família Da Gama, arrogante e racista, liderada por Dona Afrosina (Yara Cortes).

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