Crítica

The Last of Us, da HBO Max, encontra-se em seu ponto mais baixo

Em 'Resistir e Sobreviver', testemunhamos uma desperdiçada Melanie Lynskye presa em ineficaz caricatura

Publicado em 19/02/2023

Que a série, The Last of Us da HBO Max, veio prometendo revolucionar o que conhecíamos das adaptações de vídeo game para o live-action, já era mais que sabido. E, devemos reiterar, que tudo começou indo bem, levando-se em consideração o episódio piloto ‘Quando Estiver Perdido na Escuridão’ e o seguinte ‘Infectados’.

Contudo, com a disponibilização do terceiro e comovente capítulo ‘Por Muito, Muito Tempo’, começamos a ver alguns probleminhas surgindo, sendo que estas tímidas deficiências vieram com tudo no mais recente volume de The Last of Us. Em ‘Resistir e Sobreviver’, notamos aquilo que de pior poderia acontecer com uma narrativa do tipo ‘road movie’ (filmes de estrada) de sobrevivência: a pasteurização das emoções.

The Last of Us 1
The Last of Us

Este não é o melhor exemplo de deus ex machina!

Para aqueles que desconhecem a terminologia ‘deus ex machina’, eis uma breve e prática explanação: esta é uma expressão em língua latina com origem no grego, que significa literalmente “Deus surgido da máquina”, e é utilizada para indicar uma solução inesperada, improvável e mirabolante para terminar uma obra ficcional.

A partir desta descrição, não fica tão difícil fazer a ligação com aquilo que foi visto na parte final – repleta de ação – de ‘Resistir e Sobreviver’, onde acontece de tudo do mais inesperado, porém, lamentavelmente, da maneira mais apelativa e desinteressante possível. Ainda assim, deve-se pontuar a boa sacada em mostrar que tudo aquilo que fica trancafiado em baixo (internamente), não se encontra adormecido, mas esperando por uma brecha para escapar e mostrar todo o grau de descontentamento que existia ali, valendo para zumbis ou humanos.

The Last of Us 2
The Last of Us

Precisamos falar sobre Melanie Lynskye

Ela deu as caras no capítulo anterior ‘Por Favor, Segure a Minha Mão’, e ganhou um tanto mais de espaço neste aqui, no entanto, de modo mal aproveitado, ou seja, para ser esquecida, muito facilmente.

Esta é Melanie Lynskye, que se tornou mundialmente reconhecida como Rose, a vizinha ‘louquinha’ de Charlie (Charlie Sheen) na sitcom cômica Two and a Half Men (2003 – 2015). Que a atriz de origem neozelandesa é talentosa, ninguém dúvida. Basta assistir ao longa-metragem Já Não Me Sinto Em Casa Nesse Mundo – disponível na Netflix – ou conferir seu bom trabalho como a protagonista na série de thriller dramático Yellowjackets.

Assim, entristece observar o quanto ela foi mal dirigida aqui em ‘Resistir e Sobreviver’, uma vez que seu antagonismo como a líder do movimento revolucionário em Kansas City, não chega nem perto de entreter, assustar, consternar ou fazer qualquer outro efeito no assinante da HBO Max. Foi simplesmente injusto, testemunhar a capacidade de Melanie Lynskye ser reduzida em uma “vilã” de voz doce com jeitinho de melhor amiga da vizinhança.

The Last of Us 3
The Last of Us

E o sentimentalismo reina!

Já notaram que The Last of Us, tem se preocupado de maneira demasiada em comover aqueles que acompanham sua história? E, também já devem ter percebido que é sempre no final dos episódios que alguma tragédia acontece, naturalmente, deixando o assinante da HBO Max (possivelmente) em prantos?

Então, eis aqui aquele que figura como o maior problema desta primeira temporada, até o momento. Uma clara forçação de barra em emocionar o público, e pior, de modo esquemático, quando tal didatismo narrativo, somado à proposta de manter o assinante envolvido a qualquer custo, está barateando a narrativa promissora da série que é baseada no vídeo game lançado em 2013.

Conclusão temporária: já passamos da metade da temporada e, The Last of Us da HBO Max, apesar da ótima produção com destaques para a direção de arte impecável, não faz mais do que o protocolar, contando mais com o talento de sua dupla de protagonistas – em especial, Bella Ramsey – do que cultivando uma narrativa que seja capaz de envolver e tocar aqueles que assistem de modo eficaz e equilibrado.